quarta-feira, 11 de março de 2015

Disco da Semana - Noel Gallagher's High Flying Birds (Chasing Yesterday)

Quem viveu durante os anos 90 com certeza já se flagrou cantarolando algum dos diversos hits da banda inglesa Oasis - dos brigões, antipáticos, adorados ou odiados irmãos Gallagher. Que o Oasis nunca foi um poço de inventividade não é novidade, mas a banda sempre fascinou os fãs pelas suas belas melodias e guitarras em alto volume, embora muitas vezes tenha chamado mais atenção pelas polêmicas dos irmãos do que propriamente pelo seu trabalho, o que ajudou a criar uma certa antipatia de grande parte dos consumidores musicais.

Noel, o irmão mais velho, consagrou-se como o grande compositor de hits como WonderwallDon't Look Back In AngerLive Forever, dentre outras (a lista é interminável), enquanto Liam emprestava a sua voz à maioria das canções. Mas o tempo é sábio e as pessoas amadurecem - ou pelo menos deveriam. Com a banda dando uma pausa em suas atividades, o caçula Liam formou o Beady Eye, enquanto Noel seguiu em uma bem sucedida carreira solo com os High Flying Birds, sua banda de apoio. Chasing Yesterday é o segundo disco solo de Noel Gallagher, tendo estreado no topo da parada britânica esta semana. E, como fãs do rock praticado pelo cantor/guitarrista e compositor inglês, não poderíamos deixar o álbum passar em branco.


Em Chasing Yesterday, a banda de Noel mantém a qualidade já demonstrada em seu álbum de estreia, homônimo, de 2011. Como já era esperado, não há muita novidade aqui, mas a classe e o amadurecimento já apresentado nos últimos registros acabam por fazer deste um disco delicioso de se ouvir, com diversas faixas candidatas a tocar no rádio, trazendo o vocal inconfundível de Noel e seu faro para belas melodias - e o que mais um fã do bom rock inglês poderia querer? Foram-se as guitarras barulhentas de tempos passados pois, como todos sabem, o forte do irmão mais velho dos Gallagher sempre foi as baladas. E, mesmo nas faixas mais agitadas, é um disco que você pode colocar junto da família e provavelmente ninguém irá reclamar - mérito da produção, que consegue equilibrar bem todos os instrumentos, inclusive nas faixas mais psicodélicas, o que dá uma unidade ao disco.

As letras continuam versando sobre relacionamentos, sempre em uma nota melancólica mas nunca depressiva. Que Noel não é nenhum grande poeta é notório, mas suas palavras soam sinceras e as letras se encaixam bem na sonoridade rock/pop psicodélica do álbum. Os primeiros singles, In the Heat Of The Moment e The Ballad Of The Mighty I têm aquela cara típica de hit, com um balanço perfeito para as rádios pop/rock da vida. Como outros destaques podemos citar Lock All The Doors You Know We Can't Go Back, com sua melodia grudenta e bateria vibrante. A primeira faixa, Riverman, lembra muito trabalhos anteriores do artista, assim como as baladas The Dying Of The Light The Girl With X-Ray Eyes. Talvez as faixas mais "diferentes" sejam The Right Stuff, com sua levada soft e vocais femininos, com presença de sopros que dão um ar jazzístico ali pelo meio da música, e While The Song Remains The Same, a mais psicodélica de todas. Um disco curto, sem grandes novidades e, por isso mesmo, agradabilíssimo de se ouvir - um ótimo lançamento que nos remete a uma memória familiar e confortável, sem maiores desafios ou pretensões.

Nota: 7,5


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