quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

5 Episódios para Começar a Amar Black Mirror

Você abre as redes sociais e não se fala de outra coisa a não ser Black Mirror. Você não aguenta mais o assunto, até quer conhecer, mas não está com saco pra assistir os quase 20 episódios que formam as quatro temporadas da série mais hypada do mundo. Pois nós do Picanha resolvemos te dar uma força! Com a intenção de não deixar você, leitor, de fora daquela conversa animada de fim de tarde com os amigos, ou mesmo nas rodas de bate-papo da faculdade ou do trabalho, selecionamos os cinco episódios que PRECISAM ser vistos e que servirão como porta de entrada para um caso de amor eterno com esses pequenos filmes que discutem tecnologia e a nossa relação com ela! Como os episódios são independentes, eles não necessariamente precisam ser assistidos em ordem, o que facilita o (prazeroso) trabalho!

1) Hang The DJ (S04 E04): o episódio mais legal da quarta temporada nos leva a um futuro em que os aplicativos de relacionamento - tipo Tinder, Happn e outros - funcionam por meio de algoritmos que vão testando as suas preferências e gostos com o objetivo de te colocar, ali adiante, em contato com a tua provável alma gêmea. Mas o caso é que cada novo match tem uma data marcada para ter fim. Por exemplo, conheceu alguém legal agora? Pode ser que você só tenha 36 horas ao lado dessa pessoa, sendo necessário respeitar esse sistema e suas leis. E se você tiver que ficar cinco anos com aquela MALA que você não aguenta? O episódio brinca com o fato de aprendermos a cada relação e com cada pessoa que cruza em nossas vidas, reservando para a conclusão uma das sequências mais tocantes e surpreendentes de todas as temporadas. Hang The DJ!



2) Nosedive (S03 E01): e se houvesse um aplicativo que permitisse dar notas para tudo e para todos o tempo todo, de acordo com as suas experiências pessoais? Por exemplo: foi bem atendido pelo caixa do supermercado? Você pode dar uma nota 5 para ele, que terá sua foto e informações pessoas disponíveis em seu smartphone. Não gostou do seu vizinho ter feito algum comentário maldoso sobre alguém? Duas estrelas para ele! As notas também podem ser dadas via redes sociais semelhantes ao Instagram, por exemplo. Quanto mais alto o seu ranking, maior o seu status e mais lugares interessantes você pode acessar. Empresas trabalham para aumentar os números dos usuários, só que qualquer comportamento mal visto pelos demais pode representar uma "queda livre" na sua nota. E aí? Bom, aí você vai experimentar o preconceito que vivem aqueles que estão a margem da sociedade. Uma crítica feroz ao caráter falso e excessivamente nascisista daquilo que publicamos nas redes sociais.



3) The National Anthem (S01 E01): o primeiro episódio da história de Black Mirror se mantém até hoje como um dos mais perturbadores, ao mostrar o poder do jornalismo sensacionalista diante da curiosidade mórbida das pessoas e da obsessão destas por aquilo que passa na televisão. Na trama, após o sequestro da princesa da família real britânica, o sequestrador pede um "resgate" um tanto curioso: que o primeiro-ministro do País, Michael Callow, tenha relações sexuais com um porco na televisão, ao vivo. Se isto não acontecer no horário indicado pelo criminoso, ele matará a princesa. Temas como papel da mídia, importância da opinião pública e até crítica à arte contemporânea alimentam este episódio, que deixa o espectador em suspense até os últimos segundos.



4) San Junipero (S03 E04): esse é o episódio que caiu nas graças dos nostálgicos (e dos românticos) de plantão. Especialmente pelo sem fim de referências aos anos 80 - dos fliperamas com o jogo Pac Man, passando pelos figurinos multicoloridos, até chegar a trilha sonora que conta com sons dos Bangles, Simple Minds e INXS, entre outros. Por voltar ao passado, este também é um dos episódios mais misteriosos e de andamento menos óbvio. Que realidade será esta em que duas garotas - a extrovertida Kelly e a introspectiva Yorkie - se encontram sempre, uma vez por semana? E quando uma delas para de aparecer, exigindo da outra uma busca desenfreada por aquilo que parecem ser "outras épocas"? A trama bebe na fonte de filmes como Vanilla Sky para apresentar as possibilidades de uma experiência sensorial de "imersão nostálgica". Tocante, o episódio é até hoje um dos preferidos do público.



5) Be Right Back (S02 E01): e se fosse possível trazer de volta a "vida" algum ente querido já falecido? Esse é o caso desse episódio que nos apresenta a protagonista Martha que, devastada pela morte do namorado Ash em um acidente automobilístico, resolve adquirir uma nova tecnologia capaz de simular a voz e a personalidade do morto, em um aparelho celular, a partir do cruzamento de dados deixados na "nuvem", nas redes sociais e em outros locais da internet. Uma versão mais atualizada do sistema possibilitará a jovem a compra de uma réplica corporal quase idêntica do rapaz, feita de um tipo de material sintético. A euforia (e a curiosidade) inicial pela "presença" do ex na casa, logo dará lugar a frustração, especialmente quando Martha perceber que um robô não substitui uma pessoa. E que mesmo os defeitos - e eles estarão presentes em TODAS as relações, até nas mais saudáveis - farão MUITA falta.



E pra você? Algum episódio deveria fazer parte dessa relação? Comente conosco!

Na Espera - Franz Ferdinand (Disco)

O ano mal começou e a expectativa já está a mil para a "safra" de discos de bandas e artistas internacionais que devem ser lançados em 2018. MGMT, Grimes, Vampire Weekend, CHVRCHES, Jack White e Arctic Monkeys são apenas alguns dos nomes que já acenaram com a possibilidade de entregarem material novo em breve. Já o Franz Ferdinand está com o Always Ascending - o sucessor do divertido Right Thoughts, Right Words, Right Action, de 2013 - no forno. O grupo capitaneado por Alex Kapranos já lançou dois singles, o primeiro com a faixa-título e o mais recente da pegajosa canção Feel The Love Go, que teve um vídeo em áudio liberado nesta semana.


Pelo que se pôde ouvir até o momento, o quinteto escocês mantém aquele clima de boate roqueira/cool, com canções que parecem ter nascido para as pistas e que dialogam com épocas tão distintas como os anos 70 - especialmente pelas guitarras marcantes - e os anos 80 - por conta dos onipresentes sintetizadores. O disco chega ao mercado no dia 09 de fevereiro pelo selo Domino Records. Aqui no Picanha, como não poderia deixar de ser, já estamos Na Espera!


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Pérolas da Netflix - Vizontele: A Confusão Está no Ar (Vizontele)

De: Ömer Faruk Sorak e Yilmar Erdogan. Com Yilmar Erdogan, Altan Erkekli e Cezmi Baskim. Comédia dramática, Turquia, 2001, 105 minutos.

Em épocas de Black Mirror e de novas tecnologias sendo apresentadas ao mundo de maneira exponencial, assistir a um filme como o ingênuo Vizontele: A Confusão Está no Ar (Vizontele), não deixa de ser uma experiência divertida. Aliás, é uma verdadeira pérola escondida em algum canto da Netflix, ideal para aqueles que procuram um filme leve, despretensioso e, ainda assim, surpreendente. A trama nos joga para uma comunidade no interior da Turquia - mais precisamente na Anatólia -, onde residem tipos diversos, como o técnico em eletrônica com problemas mentais, o dono de loja mão-de-vaca metido a conquistador, o feirante que tem suas melancias seguidamente roubadas por um grupo de moleques travessos, o clérigo gago e o prefeito (Erkekli) que tenta atender os munícipes, em meio as confusões promovidas pela sua própria família.

O anúncio da chegada da primeira antena de televisão (e do equipamento) na região coincidirá com a ida dos jovens para a guerra. E desencadeará uma onda de curiosidade entre os moradores do local. Aqueles que já ouviram falar sobre o eletrônico garantem ser como "o rádio, mas com fotografia", sendo possível assistir ao cantor preferido ao mesmo tempo em que se ouve ele. Outros ficam mais céticos, como o ambicioso dono do cinema local, de nome Latif (Baskim), que acredita que esta não passará de uma moda passageira. Ainda assim, todos os moradores da comunidade se reúnem no dia da primeira exibição pública de TV que, como não poderia deixar de ser, dá errada, numa das sequências mais divertidas da trama (e que envolve a equipe da prefeitura escalando os maiores morros do entorno, na busca por um melhor sinal de captação para a antena).



Nesse sentido, os diretores Ömer Faruk Sorak e Yilmar Erdogan são pródigos ao tratar a obra - que trafega no limite do nonsense - sem nenhum tipo de cerimônia, transformando cada sequência em uma mini-esquete que busca fazer o espectador rir (como se a surpresa dos moradores pela novidade tecnológica que os alcança, já não fosse engraçada o suficiente). Aqui e ali, no comportamento (ou mesmo no figurino) curioso de cada um, é possível encontrar ecos de cineastas distintos como Jean Pierre Jeunet ou mesmo dos Irmãos Coen. Ainda que tudo ocorra em meio a aridez do Oriente, evidentemente, e conte, ainda, com uma forte crítica ao secularismo reinante no País. E, ainda assim, não deixa de ser divertido perceber que, mesmo cenas batidas, como a do jovem que cai de cima de um telhado após acordar (!), se tornam hilárias pelas mãos da dupla de realizadores.

Aliás, a graça do filme, ainda que este possa soar excessivamente conservador, está mesmo em "fazer graça", como na cena em que os alunos imitam a gagueira do rabino durante as aulas de Alcorão ou mesmo quando o prefeito elogia os grosseiros óculos de um dos moradores locais. Com cortes curtos e curiosos ângulos de câmera - repare na montagem durante uma das primeira cenas, em que o eletricista Emin (o próprio Erdogan), desce uma lomba de bicicleta - a obra apresenta, ainda, um melancólico choque de realidade no terço final, quando a televisão funciona, de fato, pela primeira vez. Nela são exibidas as notícias do dia e, como sabemos até os dias de hoje, elas nem sempre serão as melhores. O equipamento cumpre o seu papel e a realidade, dura para com todos que ali residem, será bem diferente dos filmes exibidos no cinema por Latif.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Músicas Gêmeas - Elton John x Lady Gaga

Foi uma das notícias do dia no mundo da música: o Radiohead está processando a Lana Del Rey por um suposto plágio envolvendo a canção Creep. O que era um rumor foi confirmado pela própria cantora em um tweet publicado em sua conta no último final de semana. A faixa em questão é Get Free, que integra o último trabalho da artista, intitulado Lust For Life - nosso terceiro colocado na lista de 25 Melhores Discos Internacionais de 2017. E, diga-se de passagem, ela de fato tem uma estrutura e uma sonoridade que lembram bastante o grande hit dos ingleses, lançado num agora longínquo ano de 1993, como parte do álbum Pablo Honey.

É verdade sobre o processo. Embora eu saiba que minha música não foi inspirada em Creep, o Radiohead sentiu que foi e quis 100% [dos lucros] da publicação — ofereci 40% nos últimos meses, mas eles só aceitam 100. Seus advogados foram implacáveis, então nós vamos lidar com isso no tribunal, escreveu Lana no último domingo (07/01). Enquanto o imbróglio não se resolve nós, do Picanha, resolvemos auxiliar os artistas a começarem a processar uns aos outros, identificando possíveis plágios em canções - mesmo no caso em que AMBOS sejam amados por nós, como neste quadro de estreia. Até mesmo por que, se o Elton John quiser, pode tentar levar parte dos royalties da música Hey Girl da Lady Gaga, que imita direitinho os acordes de Bennie and the Jets, do inglês. Duvida? É só clicar e conferir!





Cinema - 120 Batimentos Por Minuto (120 Battements par Minute)

De: Robin Campillo. Com Nahuel Perez Biscayart, Arnaud Valois, Adéle Haenel e Antoine Reinartz. Drama, França, 2017, 143 minutos.

Em certo momento do ótimo 120 Batimentos por Minuto (120 Battements par Minute) ocorre uma campanha de prevenção em uma escola de ensino médio, com o objetivo de alertar para os riscos de contrair um vírus como o HIV. Uma das alunas, ao ser abordada por um dos integrantes do coletivo que organiza o ato e que pretende lhe entregar um folheto sobre o assunto, responde sem pestanejar: "eu não preciso disso, eu não sou viado". A desoladora sequência ilustra bem a falta de conhecimento - pra não dizer ignorância completa - que reinava, quando começaram a surgir os primeiros casos de AIDS ao redor do globo. Como se estivesse atrelada exclusivamente aos chamados "grupos de risco" - homossexuais ou usuários de drogas - a doença não estava exatamente na ordem do dia do debate público, sendo relegada aos bastidores ou as entidades independentes, que lutavam para chamar a atenção para o tema.

A obra - representante da França na corrida pela estatueta de Melhor Filme em Língua Estrangeira (já fora da pré-lista, assim como o nosso Bingo - O Rei das Manhãs) - volta no tempo, mais especificamente para o final dos anos 80 ou início dos 90, para mostrar os bastidores de uma Organização Não Governamental chamada Act Up, que procurava das visibilidade para a questão. A França, na época governada por François Miterrand, sofria com um aumento alarmante do número de pessoas infectadas com o vírus, condição que a colocava no primeiro lugar na Europa, em relação ao número de novos casos. E, mesmo com esta condição, o que parecia haver era o descaso dos governantes que, por preconceito ou negligência, não destinavam recursos, não organizavam campanhas e não apresentavam políticas públicas suficientes com vistas a conscientizar a população.



Assim, o Act Up acabava sendo esse organismo de "divulgação". Que, muitas vezes, ia para as ruas para protestar ou mesmo invadia conferências sobre o assunto para se manifestar. Ocorre que, em muitos casos, as coisas saíam completamente do controle, como no episódio que envolve a ocupação de um andar inteiro do escritório de uma indústria farmacêutica. Ainda que a intenção fosse das melhores, havia a preocupação dos líderes do grupo - entre eles Sophie (Haenel) - em transformar cada ato, ainda que eventualmente violento, em algo positivo. Ou ao menos capaz de gerar uma imagem favorável junto a opinião pública. O que nem sempre ocorria, como no episódio em que, num ato de destempero, um dos jovens integrantes do coletivo arremessa uma bexiga com "sangue" (falso) em um palestrante, durante um simpósio sobre novidades em relação as pesquisas sobre o HIV.

A propósito desse episódio, os debates dentro da sede da ONG, ou mesmo a forma como esta se organiza para transformar o seu esforço em algo significativo - especialmente para uma causa que certamente não será a deles (e sim das futuras gerações que também sofrerão com a doença) - são alguns dos motivos que tornam 120 Batimentos por Minuto tão importante. Ainda que o assunto seja sério - e o diretor Robin Campillo não alivia nas cenas mais pesadas envolvendo os doentes ou mesmo os efeitos colaterais de drogas hoje consideradas ultrapassadas - a obra nunca descamba para a pieguice ou para a excessiva melancolia. Ao contrário, em meio aos dias de luta, os jovens do coletivo se divertem, vão a festas, transam e até comentam sobre outros integrantes do grupo de forma engraçada, como na impagável sequência em que dois jovens analisam as excêntricas poses de um fotógrafo presente em uma manifestação.


É um filme realista, urgente, e até mesmo divertido sobre um período turbulento e sobre uma doença que, até hoje, gera dúvidas. E também sobre o poder do ativismo. E a abordagem de Campillo sobre o tema, trazendo os diversos ângulos do debate, busca nunca demonizar ninguém, ainda que o vilão poderia ser, vá lá, o Governo, que talvez pudesse destinar um esforço maior nas campanhas de prevenção. Ou mesmo a indústria farmacêutica que poderia não pensar apenas no quão rentável seria o lançamento de uma nova droga em um evento internacional que ocorrerá dali a alguns meses (enquanto jovens morrem nas filas de espera por medicamentos melhores). Ah, e quase ia esquecendo, a interpretação do argentino Biscayart como o protagonista Sean é daquelas capaz de nos levar do riso as lágrimas em poucos segundos. Impossível não ter empatia.

Nota: 8,5

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Artigo - Framboesa e a Zoeira Sem Limites

Os cinéfilos foram pegos de surpresa na tarde de ontem com a divulgação da pré-lista com os piores do ano, que concorrerão ao Framboesa de Ouro, no dia 03 de março. Surpresa não pela divulgação em si da relação daqueles filmes, atores e atrizes que nem precisariam ter existido, mas sim pela presença de (pasmem) Mãe!, do Darren Aronofsky, e do Roda Gigante, do Woody Allen, na corrida pela estatueta mais vergonhosa do cinema. O Mãe!??? Cês tão de brincadeira? É possível até não gostar do filme, mas colocar ele entre os piores, ignorando as suas tantas virtudes? E o do Woody Allen? Tá, é fato que a obra está bem longe de alcançar a qualidade daquelas que consagraram o nova-iorquino. Mas piores do ano? Ao lado de desgraças reais como Baywatch, Pai em Dose Dupla 2 e Cinquenta Tons Mais Escuros?

Bom, não é de hoje que o Framboesa tem lá a sua predileção por avacalhar! Diga-se de passagem, uma das histórias mais clássicas sobre o absurdo das indicações, envolve a primeira edição da distinção, ocasião em que, acreditem, Stanley Kubrick foi nominado na categoria Pior DIRETOR por O Iluminado. Sério, tu não nomina o sujeito que já tinha realizado Dr. Fantástico (1964), 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968) e Laranja Mecânica (1971) nem que ele tivesse, sei lá, feito um musical só com sertanejo universitário! Aliás, foram duas indicações para o filme (a outra foi a Shelley Duvall como pior atriz) - que, hoje, restabelecida a sanidade e o senso de justiça no mundo, é considerado uma obra-prima do terror. Outra história bizarra envolve a indicação de Brian de Palma também na categoria Pior Diretor, por Scarface. Aliás, De Palma tem seis indicações para os Razzies. SEIS!



O Framboesa, todos sabemos, foi criado pra tirar um sarro daquelas produções de duvidosas qualidades artísticas. Mas a presença de algumas obras entre as nominadas têm soado quase como uma afronta. Uma provocação! Nesse sentido, não chega a surpreender o caso que envolve a atriz Sandra Bullock que conseguiu a proeza de, nas premiações de 2010, ser agraciada com o Oscar - por Um Sonho Possível (2009) - e com o Framboesa - por Maluca Paixão (2009) -, NO MESMO ANO. Um caso de esquizofrenia que, agora, Mãe!, tá bem próximo de alcançar, já que, além de estar nas "semifinais" pelo prêmio de pior, ele aparece em vários sites que trabalham com apostas para o Oscar, entre os possíveis indicados a Melhor Filme. E, isto sim, seria algo inédito: uma obra concorrendo a pior e melhor no mesmo ano.

Anthony Hopkins, Al Pacino, Marlon Brando, Michael Caine, Faye Dunaway, William Friedkin, Henry Mancini, Julianne Moore, Johnny Depp... esses e tantos outros artistas consagrados já tiveram seus nomes entre os indicados - e alguns até "ganharam" a premiação. O mesmo ocorreu com filmes que, mais tarde, receberiam uma revisão (e aqui também pode ser citado o caso de A Bruxa de Blair, que ensinou o mundo a fazer as obras em found footage). Como qualquer pessoa pode fazer parte dessa distinta "Academia" - basta pagar US$ 40 -, em nem ter precisado ter visto todos os filmes, a tendência é a de que muitos nomes consagrados e talentos reconhecidos apareçam nesta, que é uma festa que ninguém quer participar. Só não precisa forçar a barra! Mãe! pode ser um filme confuso ou complexo para alguns. Mas tá bem longe de ser um dos piores do ano.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Cine Baú - Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident)

De: William A. Wellman. Com Henry Fonda, Dana Andrews, Frank Conroy, Leigh Whipper e Jane Darwell. Faroeste, EUA, 1943, 75 minutos.

Em um mundo cheio de intolerância, de ódio e de "bandido bom é bandido morto" como o que vivemos hoje em dia, um clássico como Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident) não poderia ser mais atual. Lançada há 75 anos, a obra-prima do diretor William A. Wellman leva os filmes de faroeste a um outro patamar ao discutir com propriedade o tema da ineficácia da justiça com as próprias mãos e da importância do cumprimento das leis como forma de preservar a manutenção da vida em sociedade. A trama nos joga para o ano de 1885, numa pequena cidade do estado de Nevada. No local, se espalha a notícia de que um fazendeiro da região teria sido assassinado por de ladrões que, de quebra, ainda teriam roubado o rebanho. Na ausência do xerife local, um grupo resolve ir atrás dos bandidos com o objetivo de acertar as contas no modo "olho por olho, dente por dente".

Em sua jornada, o grupo de "justiceiros" - capitaneado pelo major Gerald Tetley (Conroy) - encontra o trio que teria cometido o crime. Todos são interrogados e o líder do grupo, de nome Donald Martin (Andrews), garante não ter nada a ver com o assunto, reforçando o fato de que as vacas que conduzem em seu comboio teriam sido compradas (ainda que a ausência de uma nota de venda torne tudo mais nebuloso). Tetley e seu grupo não acreditam na história, ainda que alguns sujeitos como o pastor negro vivido por Leigh Whipper tentem, em vão, demover os linchadores de seus objetivos. O dia amanhece com o trio sendo morto por enforcamento pela turba enfurecida, instantes antes de o xerife (Robertson) encontrar o grupo para revelar que o rancheiro estava vivo e que os ladrões de gado que invadiram a sua propriedade já haviam sido capturados.



Ainda que curta - a obra tem apenas 75 minutos -, a película frequentemente é lembrada como um dos maiores líbelos da história moderna contra a estúpida ideia do linchamento público e da justiça com as próprias mãos. Palpável, o sentimento de vergonha de todos os participantes dessa jornada em busca de "isonomia", se torna ainda maior quando o caubói Gil Carter (Fonda) lê a carta que Martin endereça a sua esposa (ele também tem duas filhas), como um de seus últimos atos. Em desespero, tenta entender o que move os homens que pretendem lhe retirar a vida, tendo a certeza de que, mais tarde, conviverão com a culpa, após a revelação da verdade. Da mesma forma não deixa de ser tocante o desespero do personagem vivido por Francis Ford, um velho com problemas mentais que repete, como num mantra, a frase "eu não quero morrer".

É um filme sem final feliz, desalentador, melancólico e que fala, de forma direta, sobre a estupidez humana diante da urgência do sentimento de justiça. Mas de que maneira o assassinato sem prova alguma de qualquer delito pode representar a redenção? Wellmann enche a tela com personagens secundários interessantes - como aquele vivido por Jane Darwell, uma inabalável criadora de gado. Já Fonda constrói Carter como um sujeito de personalidade múltipla - e se no começo do filme nutrimos certa antipatia por ele, que mostra certa rebeldia em uma briga de bar, ao final estamos ao seu lado, na defesa dos inocentes - ao menos até que se prove o contrário. Indicado ao Oscar na categoria principal na cerimônia de 1944, o filme só foi perder para um certo... Casablanca. Mas em termos de impacto, de relevância e de magnitude, essa pequena obra-prima - que aparece no livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer - segue sendo insuperável.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Lançamento de Videoclipe - Vanguart (E o Meu Peito Mais Aberto Que o Mar da Bahia)

Com Beijo Estranho, o Vanguart lançou um dos discos mais legais desse ano - ele aparece logo abaixo na nossa lista de melhores álbuns nacionais de 2017. E, como forma de divulgar o excelente registro, o quarteto disponibilizou, recentemente, um clipe para a canção E o Meu Peito Mais Aberto Que o Mar da Bahia. A música, uma das melhores do ano, tem letra altamente otimista e aquele instrumental que já abre num clima meio "programa de auditório dos anos 80". Ainda assim o vídeo - dirigido pela dupla Couple Of Things - alterna momentos mais introspectivos com outros mais alegres, em que a banda aparece toda junta na praia. O que forma a rima perfeita para a leveza da canção. No fim das contas é o Vanguart que tanto amamos e com um refrão que é quase impossível sair da cabeça - Ah ah ah / Quem diria que seria tão bonito assim viver?. Clica pra conferir!