sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Lançamento de Videoclipe - Radiohead (Present Tense)
Responsável por um dos melhores discos de 2016 até o momento - no caso, o elogiadíssimo A Moon Shaped Pool -, o Radiohead, banda capitaneada por Thom Yorke, lançou na semana passada um videoclipe para a ótima canção Presente Tense - no caso, a terceira música a receber registro visual, depois de Burn The Witch e Daydreaming. Assim como ocorreu com Daydreaming, o clipe foi novamente dirigido por Paul Thomas Anderson - responsável por "clássicos modernos", como Magnólia (1999), Sangue Negro (2007) e O Mestre (2012). Visualmente simples, com fotografia escurecida e iluminação amarelada, o vídeo mostra Yorke e o guitarrista Johnny Greenwood em uma espécie de performance intimista e melancólica ao vivo, acompanhados de uma drum machine CR-78. Não precisa mais do que isso para uma das maiores bandas do planeta. Bora clicar!?
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Disco da Semana - PARTYBABY (The Golden Age of Bullshit)
É difícil escolher, em um mundo repleto de possibilidades, um único disco para ouvir e ainda por cima resenhar. São muitos artistas lançando álbuns o tempo todo, sendo que muitas obras geniais podem passar despercebidas. O que faz com que um álbum prenda nossa atenção e faça com que dediquemos nossos preciosos minutos apreciando-o? Não sei dizer, mas às vezes acontece de um disco te pegar assim, "de primeira", resgatando alguma memória afetiva ou até mesmo te fazendo cantarolar mentalmente algo que, em uma dessas playlists da vida, era apenas música de fundo.
E foi assim que conheci o duo (a banda?) PARTYBABY há mais ou menos uns dois dias (!). A música em questão, California, fez com que eu voltasse atrás no player pra ver quem tocava aquela canção que, embora uma revelação contemporânea, trazia diversas recordações de uma sonoridade distante (mais precisamente o rock dos anos 90) mas com uma energia enorme e produção muito atual. A partir dali fui buscar seu único (e recente) álbum, intitulado The Golden Age of Bullshit. Não bastasse o título super bacana, o disco (EP?) conta com apenas 8 canções, todas na casa dos 3 minutos, algo que favorece os mais apressados que na correria do dia a dia buscam algo mais leve, digamos assim, para se ouvir.
E é justamente o formato econômico da obra em questão e suas canções que me fizeram apertar o repeat diversas vezes e ouvir incessantemente as enérgicas musiquetas que revisitam sem pudor os sons que marcaram minha adolescência nos anos 90. Se pudemos emular um Weezer aqui, ou um Best Coast ali (pra citar algo mais contemporâneo), os vocais lembram muito Soul Asylum e até o Billy Corgan do Smashing Pumpkins. Algumas melodias podem remeter ao som que o Hole fazia ao misturar o pop com o punk e o garage rock, tudo muito representativo de uma fase importante da juventude de muita gente. Formado pela dupla Noah Gersh (Portugal, the Man) e Jamie Schefman (produtor da banda 30 Seconds to Mars), o PARTYBABY surgiu com a promessa nada modesta de ser "a mais divertida e excitante banda do planeta".
Se essa promessa se cumprirá um dia não sei, mas que esta pequena obra cumpre o papel de divertir e reavivar no ouvinte aquela nostalgia gostosa e a energia jovial tão necessária para seguirmos em frente, disto não tenha dúvida. Seja na pedrada melódica Your Old Man (que lembra muito a obscura banda Bicycle Thief), no punk Everything's All Right. no já citado hit California, na balada Don't Say It e no ápice New Years 2014 on a Beach (Felicity), tudo é lapidado de forma a te pegar pelo ouvido, te arrastar de volta ao tempo em que a música ainda tinha o poder de te tirar do sofá e querer formar uma banda, colocar um clipe na MTV e conquistar aquela sua paixão de adolescência. Se as letras não pretendem mudar o mundo, pelo menos são honestas à sua maneira. Uma boa e breve surpresa, simples e direta como a boa música deve ser.
Nota: 8,7
E foi assim que conheci o duo (a banda?) PARTYBABY há mais ou menos uns dois dias (!). A música em questão, California, fez com que eu voltasse atrás no player pra ver quem tocava aquela canção que, embora uma revelação contemporânea, trazia diversas recordações de uma sonoridade distante (mais precisamente o rock dos anos 90) mas com uma energia enorme e produção muito atual. A partir dali fui buscar seu único (e recente) álbum, intitulado The Golden Age of Bullshit. Não bastasse o título super bacana, o disco (EP?) conta com apenas 8 canções, todas na casa dos 3 minutos, algo que favorece os mais apressados que na correria do dia a dia buscam algo mais leve, digamos assim, para se ouvir.
Se essa promessa se cumprirá um dia não sei, mas que esta pequena obra cumpre o papel de divertir e reavivar no ouvinte aquela nostalgia gostosa e a energia jovial tão necessária para seguirmos em frente, disto não tenha dúvida. Seja na pedrada melódica Your Old Man (que lembra muito a obscura banda Bicycle Thief), no punk Everything's All Right. no já citado hit California, na balada Don't Say It e no ápice New Years 2014 on a Beach (Felicity), tudo é lapidado de forma a te pegar pelo ouvido, te arrastar de volta ao tempo em que a música ainda tinha o poder de te tirar do sofá e querer formar uma banda, colocar um clipe na MTV e conquistar aquela sua paixão de adolescência. Se as letras não pretendem mudar o mundo, pelo menos são honestas à sua maneira. Uma boa e breve surpresa, simples e direta como a boa música deve ser.
Nota: 8,7
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Cinema - Aquarius
De: Kleber Mendonça Filho. Com Sonia Braga, Maeve Jinkings, Humberto Carrão e Irandhir Santos. Brasil / França, Suspense / Drama, 2016, 141 minutos.
Não fosse todo o falatório em cima do protesto que denunciava o golpe em curso em pleno Festival de Cannes desse ano e talvez Aquarius passasse pelas salas brasileiras como mais um ótimo filme de autor, com trama envolvente, recheado de sutilezas e com personagens multidimensionais, mas bem distante da patética dicotomia reducionista que vivemos hoje no País e que joga de um lado os coxas e de outro os petralhas, sem meio termo (hoje em dia até quem é a favor de ciclovias é taxado de comunista, só pra exemplificar). Sim, por que diferentemente do que ocorre com obras mais engajadas ou no cinema de protesto, a película de Kleber Mendonça Filho - inacreditavelmente preterida para o Oscar - não denuncia escancaradamente as injustiças sociais, não fala claramente da dura relação entre a classe operária e os patrões ou mesmo de conquistas quaisquer relacionadas às minorias. Não há nada disso no filme. Ao menos não de maneira evidente, é preciso que se diga.
Não é por acaso que a protagonista Clara (Sonia Braga), é uma senhora de 65 anos bem vividos, viúva, que mora sozinha no bom apartamento de classe média em que criou os seus três filhos na praia de Boa Viagem, no Recife. Clara, ao menos inicialmente, não está a margem da sociedade, não está passando fome, não enfrenta filas para atendimento a saúde, tem quem lhe auxilie n os cuidados com a casa e curte a justa aposentadoria de quem dedicou a vida ao trabalho como jornalista. Qual o motivo, então para a raiva mortal de boa parte da direita batedora de panela (bem como de seus articulistas) em relação ao filme de Mendonça Filho? É que o caso é que este é um filme que toma por base a sutileza para falar de experiências. E sobre como estas experiências são capazes de formar o nosso caráter, moldando a nossa personalidade e alterando a lógica do senso comum da atualidade sobre aquilo que realmente é importante em nossas vidas.
Pra exemplificar: Clara mantém uma coleção de vinis em seu apartamento e que contém, em sua essência, parte da história da família. Foi escutando eles que, na juventude, conheceu seu marido, criou seus filhos, chorou, sorriu, teve perdas e ganhos, enfim, viveu. E se os vinis funcionam como um gatilho para o resgate daquilo que verdadeiramente importa - e que vai muito para além do aspecto financeiro - assim também é com outros objetos (ou mesmo cheiros e sensações) que compõem o apartamento de Clara que, se por um lado está antigo e talvez careça de pintura, é pleno em vivências, em boas recordações, em história. (e não é por acaso que, em uma das tocantes cenas iniciais, quando voltamos ao passado para uma homenagem a uma tia de Clara, percebemos que os moveis antigos, ao invés de servirem como produtos mera cenografia descartável ou base para a colocação de bibelôs, retornam a mente da mesma tia como o local em que ela fez sexo de todas as formas imagináveis com o antigo amante)
Assim, a protagonista não precisa de dinheiro. Não precisa de um apartamento branco, asséptico, inodoro, limpo, tecnológico e sem vida, no mesmo local em que passou toda a sua existência. Essa é uma (e talvez a maior) transgressão cometida por Aquarius. O desafio. A subversão da lógica. Tanto que quando um grupo de investidores aparece no local adotando o discurso da fala mansa, da gentileza e da (aparente) generosidade, interessado em comprar o apartamento de Clara, já sabemos, com poucos minutos de exibição, que aquele espaço não está a venda. Não estará a venda. E só poderá ser adquirido quando a protagonista falecer. Algo que, a princípio, não ocorrerá tão cedo, já que Clara foge (e muito) do estereótipo da velhinha que passa os dias na casa de bingo como que se aguardasse o ocaso de sua existência, já que ela sai com as amigas para dançar, toma banho de mar em locais perigosos, bebe o seu vinho, conversa sobre tudo com plena lucidez e ainda faz sexo com um garoto de programa, se assim lhe interessar. (opa, aí pode estar uma SEGUNDA transgressão do filme e que, sim, poderá chocar as famílias de bem acostumadas com as suas vovozinhas fazendo bolo para os netos)
Apresentando o grupo de investidores como a face mais realista da meritocracia, Mendonça Filho não faz concessões na hora de mostrar o jovem de nome Diego (o ótimo Humberto Carrão) como um sujeito quase caricato que acredita ser alguém superior pelo simples fato de ter feito três anos do curso de Business - certamente pagos com o dinheiro do papai, já que família de empresários do ramo imobiliário já está na terceira geração. E se a incredulidade diante das negativas de Clara para as ofertas com valores "irrecusáveis" são uma mostra do pensamento daquela parcela da população para a qual o dinheiro definitivamente é a felicidade - o que explica o fato de a tragédia política da direita ser sempre financeira - o mesmo pensamento também povoa a ideia da filha da personagem de Sonia Braga, Ana Paula (Maeve Jinkings, em mais um ótimo papel), que, ao mostrar-se genuinamente preocupada com a mãe, também é capaz de denunciar uma certa existência vazia de significados que, adaptada a esta nova sociedade de "vencedores e perdedores", enxerga um apartamento velho, como... um apartamento velho. E assistir as discussões entre as duas em algumas das melhores sequências do filme é ver a direção de atores como verdadeiro exercício artístico, com diálogos maravilhosos, capazes de nos levar do riso ao choro em segundos. (e que também mostram que cada personagem tem a sua lógica de vida e a sua personalidade, que jamais será unidimensional ou necessariamente a mais correta)
Inspirando-se claramente em Janela Indiscreta, de Hitchcock, Mendonça Filho transforma, ainda, a câmera em primeira pessoa no nosso olhar para o mundo exterior. E será através dele que a protagonista observará não apenas o mar, as pessoas e a natureza que lhe rodeia, mas também a chegada dos investidores ou mesmo de um grupo de jovens que chega para uma festa, o que garante momentos de indistinta tensão - sensação ampliada pela ótima trilha sonora, que utiliza, em muitos casos, o mesmo som diegético já aplicado pelo diretor no imperdível O Som ao Redor. E se o elenco como um todo está maravilhoso, é o trabalho intenso de Sonia Braga um dos pontos altos do filme. Despida de qualquer vaidade, a atriz se entrega de corpo e alma a um papel que, se por um lado emociona e nos envolve, por outro mostra uma mulher que desafia o tão conhecido choque de gerações, capaz de reduzir os idosos a sujeitos dotados apenas de necessidades, para apresentar-nos alguém que possui força, identidade própria e personalidade. E que joga pra longe a lógica do sujeito mais velho desenhado como uma pessoa conservadora, idiotizada do ponto de vista político, ou mesmo preconceituosa. Talvez esteja aí uma terceira sutil transgressão. Num conjunto desafiador que talvez explique a esnobada para o Oscar, em mais um dos tantos momentos constrangedores protagonizados pelo governo golpista. Mas isso é o de menos: se você, leitor do Picanha, for capaz de superar o debate político em favor da arte, certamente encontrará em Aquarius um dos grandes filmes desse início de milênio.
Nota: 10
Não fosse todo o falatório em cima do protesto que denunciava o golpe em curso em pleno Festival de Cannes desse ano e talvez Aquarius passasse pelas salas brasileiras como mais um ótimo filme de autor, com trama envolvente, recheado de sutilezas e com personagens multidimensionais, mas bem distante da patética dicotomia reducionista que vivemos hoje no País e que joga de um lado os coxas e de outro os petralhas, sem meio termo (hoje em dia até quem é a favor de ciclovias é taxado de comunista, só pra exemplificar). Sim, por que diferentemente do que ocorre com obras mais engajadas ou no cinema de protesto, a película de Kleber Mendonça Filho - inacreditavelmente preterida para o Oscar - não denuncia escancaradamente as injustiças sociais, não fala claramente da dura relação entre a classe operária e os patrões ou mesmo de conquistas quaisquer relacionadas às minorias. Não há nada disso no filme. Ao menos não de maneira evidente, é preciso que se diga.
Não é por acaso que a protagonista Clara (Sonia Braga), é uma senhora de 65 anos bem vividos, viúva, que mora sozinha no bom apartamento de classe média em que criou os seus três filhos na praia de Boa Viagem, no Recife. Clara, ao menos inicialmente, não está a margem da sociedade, não está passando fome, não enfrenta filas para atendimento a saúde, tem quem lhe auxilie n os cuidados com a casa e curte a justa aposentadoria de quem dedicou a vida ao trabalho como jornalista. Qual o motivo, então para a raiva mortal de boa parte da direita batedora de panela (bem como de seus articulistas) em relação ao filme de Mendonça Filho? É que o caso é que este é um filme que toma por base a sutileza para falar de experiências. E sobre como estas experiências são capazes de formar o nosso caráter, moldando a nossa personalidade e alterando a lógica do senso comum da atualidade sobre aquilo que realmente é importante em nossas vidas.
Pra exemplificar: Clara mantém uma coleção de vinis em seu apartamento e que contém, em sua essência, parte da história da família. Foi escutando eles que, na juventude, conheceu seu marido, criou seus filhos, chorou, sorriu, teve perdas e ganhos, enfim, viveu. E se os vinis funcionam como um gatilho para o resgate daquilo que verdadeiramente importa - e que vai muito para além do aspecto financeiro - assim também é com outros objetos (ou mesmo cheiros e sensações) que compõem o apartamento de Clara que, se por um lado está antigo e talvez careça de pintura, é pleno em vivências, em boas recordações, em história. (e não é por acaso que, em uma das tocantes cenas iniciais, quando voltamos ao passado para uma homenagem a uma tia de Clara, percebemos que os moveis antigos, ao invés de servirem como produtos mera cenografia descartável ou base para a colocação de bibelôs, retornam a mente da mesma tia como o local em que ela fez sexo de todas as formas imagináveis com o antigo amante)
Assim, a protagonista não precisa de dinheiro. Não precisa de um apartamento branco, asséptico, inodoro, limpo, tecnológico e sem vida, no mesmo local em que passou toda a sua existência. Essa é uma (e talvez a maior) transgressão cometida por Aquarius. O desafio. A subversão da lógica. Tanto que quando um grupo de investidores aparece no local adotando o discurso da fala mansa, da gentileza e da (aparente) generosidade, interessado em comprar o apartamento de Clara, já sabemos, com poucos minutos de exibição, que aquele espaço não está a venda. Não estará a venda. E só poderá ser adquirido quando a protagonista falecer. Algo que, a princípio, não ocorrerá tão cedo, já que Clara foge (e muito) do estereótipo da velhinha que passa os dias na casa de bingo como que se aguardasse o ocaso de sua existência, já que ela sai com as amigas para dançar, toma banho de mar em locais perigosos, bebe o seu vinho, conversa sobre tudo com plena lucidez e ainda faz sexo com um garoto de programa, se assim lhe interessar. (opa, aí pode estar uma SEGUNDA transgressão do filme e que, sim, poderá chocar as famílias de bem acostumadas com as suas vovozinhas fazendo bolo para os netos)
Apresentando o grupo de investidores como a face mais realista da meritocracia, Mendonça Filho não faz concessões na hora de mostrar o jovem de nome Diego (o ótimo Humberto Carrão) como um sujeito quase caricato que acredita ser alguém superior pelo simples fato de ter feito três anos do curso de Business - certamente pagos com o dinheiro do papai, já que família de empresários do ramo imobiliário já está na terceira geração. E se a incredulidade diante das negativas de Clara para as ofertas com valores "irrecusáveis" são uma mostra do pensamento daquela parcela da população para a qual o dinheiro definitivamente é a felicidade - o que explica o fato de a tragédia política da direita ser sempre financeira - o mesmo pensamento também povoa a ideia da filha da personagem de Sonia Braga, Ana Paula (Maeve Jinkings, em mais um ótimo papel), que, ao mostrar-se genuinamente preocupada com a mãe, também é capaz de denunciar uma certa existência vazia de significados que, adaptada a esta nova sociedade de "vencedores e perdedores", enxerga um apartamento velho, como... um apartamento velho. E assistir as discussões entre as duas em algumas das melhores sequências do filme é ver a direção de atores como verdadeiro exercício artístico, com diálogos maravilhosos, capazes de nos levar do riso ao choro em segundos. (e que também mostram que cada personagem tem a sua lógica de vida e a sua personalidade, que jamais será unidimensional ou necessariamente a mais correta)
Inspirando-se claramente em Janela Indiscreta, de Hitchcock, Mendonça Filho transforma, ainda, a câmera em primeira pessoa no nosso olhar para o mundo exterior. E será através dele que a protagonista observará não apenas o mar, as pessoas e a natureza que lhe rodeia, mas também a chegada dos investidores ou mesmo de um grupo de jovens que chega para uma festa, o que garante momentos de indistinta tensão - sensação ampliada pela ótima trilha sonora, que utiliza, em muitos casos, o mesmo som diegético já aplicado pelo diretor no imperdível O Som ao Redor. E se o elenco como um todo está maravilhoso, é o trabalho intenso de Sonia Braga um dos pontos altos do filme. Despida de qualquer vaidade, a atriz se entrega de corpo e alma a um papel que, se por um lado emociona e nos envolve, por outro mostra uma mulher que desafia o tão conhecido choque de gerações, capaz de reduzir os idosos a sujeitos dotados apenas de necessidades, para apresentar-nos alguém que possui força, identidade própria e personalidade. E que joga pra longe a lógica do sujeito mais velho desenhado como uma pessoa conservadora, idiotizada do ponto de vista político, ou mesmo preconceituosa. Talvez esteja aí uma terceira sutil transgressão. Num conjunto desafiador que talvez explique a esnobada para o Oscar, em mais um dos tantos momentos constrangedores protagonizados pelo governo golpista. Mas isso é o de menos: se você, leitor do Picanha, for capaz de superar o debate político em favor da arte, certamente encontrará em Aquarius um dos grandes filmes desse início de milênio.
Nota: 10
sábado, 17 de setembro de 2016
Picanha em Série - Narcos (2ª Temporada)
[SPOILER ALERT: caso você ainda não tenha visto a série e não quer ter nenhuma surpresa estragada, vai lá e assiste e depois volta aqui pra ler =)]
Os fãs de Narcos ficaram arrasados quando a Netflix anunciou, apenas cinco dias após o lançamento da segunda temporada da série estrelada por Wagner Moura, que haveria continuação mesmo com o patrón mais famoso da telinha tendo sido abatido. Não, ninguém ficou triste pelo fato de haver uma terceira temporada - ainda que, a meu ver, o acabamento seria muito mais digno se o final da segunda leva de episódios representasse verdadeiramente o encerramento do projeto. O problema foi o BAITA spoiler involuntário, afinal de contas, por mais que boa parte das pessoas saiba qual foi o desfecho de Pablo Escobar, ainda havia a esperança de que a sua morte pudesse ser empurrada para a próxima temporada. Fora aqueles que faltaram nessa aula de história - o meu caso - e que nem sempre conseguem acompanhar em tempo real cada produto lançado pelo prolífico serviço de streaming.
Bom, Pablo morreu - e junto com ele se vai toda a mística por trás do sujeito, bem como seus modos absolutamente irascíveis, imprevisíveis e invariavelmente intempestivos. E por mais que a série - que tem entre os seus vários produtores executivos o brasileiro José Padilha - mostre de forma competente a verve insana e a aptidão para a crueldade e para o banho de sangue de seu protagonista, é perfeitamente possível compreender os motivos de boa parte da crítica ter ficado desgostosa com a forma "branda" como a sua carismática persona é mostrada na telinha. Sim, se por um lado centenas de pessoas morreram por suas mãos - a maioria deles policiais e pessoas ligadas aos serviços de segurança - por outro, o fechamento do cerco que busca desmantelar o cartel de Medellín reforça a sua preocupação com a família. Resultando até mesmo em uma surpreendente serenidade diante do perigo, especialmente quando o objetivo é o de proteger a esposa Tata (Paulina Gaitán) e os filhos.
A segunda leva de episódios inicia imediatamente ao final dos eventos vistos no final da primeira temporada, quando da fuga do patrón, dos capangas e da família de La Catedral - espécie de prisão que Escobar havia forjado para si próprio. É preciso que se diga que, em relação as cenas em que o maior narcotraficante de todos os tempos escapa do local em que está, a segunda temporada funciona quase como uma espécie de road movie policial, com fugas variadas de casa em casa, conforme a pressão pra cima do cartel de Medellín aumenta. E nesse sentido, não chega a surpreender o fato de Escobar buscar refúgio justamente na isolada propriedade rural de seu pai, quase ao final da temporada, em um dos episódios mais contemplativos e complexos do ponto de vista da interpretação, com Moura indo do amor ao ódio por seu progenitor em questão de segundos, o que garante momentos tensos e ternos na mesma medida.
Ir até a casa do pai é uma reação extrema, afinal todos estão atrás de Pablo Escobar. Quando digo todos, é todos MESMO. A começar pelo presidente César Gavíria (Raúl Mendez), que reforça o discurso e a procura pelo homem, apresentando como braço direito um certo chefe de polícia de nome Horacio Carrillo (Mauricie Compte) que, a despeito dos métodos inconsequentes de intimidação - com direito a assassinato de criança - acaba tendo um final trágico em uma emboscada forjada por Pablo. Outro grupo que quer a cabeça do chefão de Medellín é um que se autodenomina Los Pepes - espécie de grupo de extermínio de extrema de direita que, no passado, lutou contra facções comunistas do País e que tem a desculpa perfeita para querer matar Escobar que, no passado, se alinhou com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Se somam a estes, os antagonistas do Cartel de Calí, reforçados pela agora viúva Judy Moncada (Cristina Umaña) e entende-se os motivos de ser difícil até de comprar um picolé na esquina para a família Escobar.
E ainda há os agentes do DEA, Javier Peña (Pedro Pascal) e Steve Murphy (Boyd Holbrook), este segundo que segue como o fio condutor da história, ao narrar cada etapa das desventuras relacionadas a busca por Escobar, além de outros sujeitos relacionados a CIA e ao Ministério da Justiça, todos com a intenção de fazer o homem se entregar. A série não perde tempo com tramas paralelas, apenas incluindo novas personagens que, não apenas terão papel de destaque na trama, como ainda serão parte dos mais desoladores arcos dramáticos dessa segunda temporada. E não é por acaso que o último encontro entre o taxista cafetão Limón (Leynar Gomez) e a feirante e amiga de Limón Maritza (Martina Garcia) é daqueles para deixar um gosto amargo por horas, ao final do episódio, quando novamente é esfregado na nossa cara o fato de não haver limites para a violência, quando o assunto é atender as exigências e as necessidades do patrón.
Contando ainda com um elenco fabuloso em todos os sentidos - e não será surpresa uma nova indicação de Wagner Moura para as premiações, além de gostar muito de Diego Cataño como o La Quica, braço direito de Escobar que transborda violência por cada poro - a segunda temporada não economiza sangue, ainda que, aqui e ali, encontre espaço para momentos mais pueris (e até mesmo lentos), com muitos closes na expressão de Pablo que está ainda mais gordo e festivos (especialmente aqueles em que os Escobar se esforçavam para tentar ser uma família 'normal' em meio ao caos). Ao se manifestar sobre a série, o filho de Pablo Escobar, Juan Pablo afirmou haver 28 quimeras (que pode ser traduzido com "fantasias"), na produção da segunda temporada e que não seriam condizentes com a realidade. O caso é que Narcos nunca se disse fiel aos fatos - e não é por acaso que em TODAS as aberturas de episódio aparece um aviso que se trata de uma obra ficcional, inspirada em eventos reais. Mas Pablito não mais precisará se preocupar. A partir da terceira temporada é o Cartel de Cali quem comanda a "festa", com a queda do, até então, homem mais rico do mundo. E nós, aqui desse lado, esperamos que com a mesma qualidade.
Nota: 8,3
Os fãs de Narcos ficaram arrasados quando a Netflix anunciou, apenas cinco dias após o lançamento da segunda temporada da série estrelada por Wagner Moura, que haveria continuação mesmo com o patrón mais famoso da telinha tendo sido abatido. Não, ninguém ficou triste pelo fato de haver uma terceira temporada - ainda que, a meu ver, o acabamento seria muito mais digno se o final da segunda leva de episódios representasse verdadeiramente o encerramento do projeto. O problema foi o BAITA spoiler involuntário, afinal de contas, por mais que boa parte das pessoas saiba qual foi o desfecho de Pablo Escobar, ainda havia a esperança de que a sua morte pudesse ser empurrada para a próxima temporada. Fora aqueles que faltaram nessa aula de história - o meu caso - e que nem sempre conseguem acompanhar em tempo real cada produto lançado pelo prolífico serviço de streaming.
Bom, Pablo morreu - e junto com ele se vai toda a mística por trás do sujeito, bem como seus modos absolutamente irascíveis, imprevisíveis e invariavelmente intempestivos. E por mais que a série - que tem entre os seus vários produtores executivos o brasileiro José Padilha - mostre de forma competente a verve insana e a aptidão para a crueldade e para o banho de sangue de seu protagonista, é perfeitamente possível compreender os motivos de boa parte da crítica ter ficado desgostosa com a forma "branda" como a sua carismática persona é mostrada na telinha. Sim, se por um lado centenas de pessoas morreram por suas mãos - a maioria deles policiais e pessoas ligadas aos serviços de segurança - por outro, o fechamento do cerco que busca desmantelar o cartel de Medellín reforça a sua preocupação com a família. Resultando até mesmo em uma surpreendente serenidade diante do perigo, especialmente quando o objetivo é o de proteger a esposa Tata (Paulina Gaitán) e os filhos.
A segunda leva de episódios inicia imediatamente ao final dos eventos vistos no final da primeira temporada, quando da fuga do patrón, dos capangas e da família de La Catedral - espécie de prisão que Escobar havia forjado para si próprio. É preciso que se diga que, em relação as cenas em que o maior narcotraficante de todos os tempos escapa do local em que está, a segunda temporada funciona quase como uma espécie de road movie policial, com fugas variadas de casa em casa, conforme a pressão pra cima do cartel de Medellín aumenta. E nesse sentido, não chega a surpreender o fato de Escobar buscar refúgio justamente na isolada propriedade rural de seu pai, quase ao final da temporada, em um dos episódios mais contemplativos e complexos do ponto de vista da interpretação, com Moura indo do amor ao ódio por seu progenitor em questão de segundos, o que garante momentos tensos e ternos na mesma medida.
Ir até a casa do pai é uma reação extrema, afinal todos estão atrás de Pablo Escobar. Quando digo todos, é todos MESMO. A começar pelo presidente César Gavíria (Raúl Mendez), que reforça o discurso e a procura pelo homem, apresentando como braço direito um certo chefe de polícia de nome Horacio Carrillo (Mauricie Compte) que, a despeito dos métodos inconsequentes de intimidação - com direito a assassinato de criança - acaba tendo um final trágico em uma emboscada forjada por Pablo. Outro grupo que quer a cabeça do chefão de Medellín é um que se autodenomina Los Pepes - espécie de grupo de extermínio de extrema de direita que, no passado, lutou contra facções comunistas do País e que tem a desculpa perfeita para querer matar Escobar que, no passado, se alinhou com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Se somam a estes, os antagonistas do Cartel de Calí, reforçados pela agora viúva Judy Moncada (Cristina Umaña) e entende-se os motivos de ser difícil até de comprar um picolé na esquina para a família Escobar.
E ainda há os agentes do DEA, Javier Peña (Pedro Pascal) e Steve Murphy (Boyd Holbrook), este segundo que segue como o fio condutor da história, ao narrar cada etapa das desventuras relacionadas a busca por Escobar, além de outros sujeitos relacionados a CIA e ao Ministério da Justiça, todos com a intenção de fazer o homem se entregar. A série não perde tempo com tramas paralelas, apenas incluindo novas personagens que, não apenas terão papel de destaque na trama, como ainda serão parte dos mais desoladores arcos dramáticos dessa segunda temporada. E não é por acaso que o último encontro entre o taxista cafetão Limón (Leynar Gomez) e a feirante e amiga de Limón Maritza (Martina Garcia) é daqueles para deixar um gosto amargo por horas, ao final do episódio, quando novamente é esfregado na nossa cara o fato de não haver limites para a violência, quando o assunto é atender as exigências e as necessidades do patrón.
Contando ainda com um elenco fabuloso em todos os sentidos - e não será surpresa uma nova indicação de Wagner Moura para as premiações, além de gostar muito de Diego Cataño como o La Quica, braço direito de Escobar que transborda violência por cada poro - a segunda temporada não economiza sangue, ainda que, aqui e ali, encontre espaço para momentos mais pueris (e até mesmo lentos), com muitos closes na expressão de Pablo que está ainda mais gordo e festivos (especialmente aqueles em que os Escobar se esforçavam para tentar ser uma família 'normal' em meio ao caos). Ao se manifestar sobre a série, o filho de Pablo Escobar, Juan Pablo afirmou haver 28 quimeras (que pode ser traduzido com "fantasias"), na produção da segunda temporada e que não seriam condizentes com a realidade. O caso é que Narcos nunca se disse fiel aos fatos - e não é por acaso que em TODAS as aberturas de episódio aparece um aviso que se trata de uma obra ficcional, inspirada em eventos reais. Mas Pablito não mais precisará se preocupar. A partir da terceira temporada é o Cartel de Cali quem comanda a "festa", com a queda do, até então, homem mais rico do mundo. E nós, aqui desse lado, esperamos que com a mesma qualidade.
Nota: 8,3
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
09 Considerações Sobre o Show d'O Terno em Porto Alegre
Na quinta-feira (15/09) parte do cast do Picanha - no caso este jornalista que vos escreve - teve a oportunidade de prestigiar a apresentação dos paulistanos d'O Terno, no Bar Opinião em Porto Alegre. Nesse pequeno post, um resumo do que foi essa noite muito legal!
1) Não era a primeira vez da banda no Opinião - eles já tocaram uma boa quantidade de vezes na segunda maluca. Mas o objetivo desta vez era diferente: lançar oficialmente, na capital gaúcha, o álbum Melhor do Que Parece -, elogiadíssimo trabalho que deverá figurar em todas as listas de melhores desse ano. Talvez isto também explique o fato de boa parte do público estar pela primeira vez em uma exibição d'O Terno, o que foi possível perceber quando o vocalista Tim Bernardes fez uma pergunta relacionada a isso (e mais de 70% dos braços foram levantados).
2) Como a apresentação tinha a proposta de mostrar o disco novo, com a roupa laranja e tudo, naturalmente o disco foi prioridade. Não foi por acaso que o show começou com Não Espero Mais, Nó e o single culpa em sequência - este último com refrãozinho divertido cantado em uníssono pelo público presente. Mais tarde outra canções do registro apareceriam, casos de Lua Cheia, Minas Gerais, Vamos Assumir e O Orgulho e o Perdão - esta última outro momento alto, já que a canção, com seu estilo samba-brega-de-cabaré é daquelas com um dos refrões mais fáceis de cantar.
3) Falando em refrão, tava claro que o público estava esperando ansiosamente por Bote ao Contrário, que, com aquele clima Jovem Guarda ao estilo rei Roberto Carlos fase Em Ritmo de Aventura, talvez seja uma das mais queridas músicas dos fãs. E os versos ao mesmo tempo lamentosos e cheios de autoconfiança, cantados por todos a plenos pulmões, certamente contribuem para isso.
4) Além de Bote ao Contrário, outra canções do autointitulado segundo disco do trio garantiram alguns dos momentos mais psicodélicos da noite, especialmente O Cinza e Eu Confesso. Ai, Ai, Como Eu Me Iludo recebeu uma versão mais veloz que conferiu a ela certo clima festivo - mas sem perder a melancolia.
5) Falar do segundo trabalho é lembrar das principais ausências do setlist. Sei que Desaparecido - com sua letra absolutamente nonsense e nostálgica - certamente não seria uma música pra levantar o público, Mas Brazil, com seu refrão pegajoso e efeitos de teclado marcantes parecia estar pedindo pra ser executada ao vivo. Quem sabe em uma outra.
6) O Fora Temer dito em alto e bom som pelo vocalista Tim Bernardes em meio a apresentação foi aplaudido com entusiasmo pelo público. Naturalmente quem está presente em um show desses, de uma banda que sobrevive de maneira independente e recebe atenção ZERO da grande mídia, é alguém atento as mais variadas formas de arte feitas em nosso País. E ARTE, sabemos bem, é uma palavra maldita para a direita raivosa, conservadora, irritadiça e pouco afeita a novas experiências culturais. Sim, aquele mesmo povo que bate panela pedindo o fim do Ministério da Cultura e dá risada com a não indicação de Aquarius ao Oscar pelo mesmo Ministério. O que é uma pena.
7) Sobre as interações da banda com o público, em geral elas foram gentis e educadas, a despeito da figura um tanto debochada de Tim Bernardes - sério, é quase impossível não sorrir olhando para ele. Em certo momento um jovem gritou: Tim , te amo! Ele prontamente respondeu: Ei! Também te amo cara, pra alegria dos presentes!
8) A propósito: talvez tenha sido a boa receptividade do público o motivo para que o trio - completado por Guilherme D'Almeida e Gabriel Basile - tenha retornado ao palco para um raro segundo bis. A propósito, foi no retorno ao palco que as ignoradas canções do primeiro trabalho foram executadas, entre elas Zé, Assassino Compulsivo solicitada de maneira comovente pelo público - inclusive pela galera do fundão, onde estávamos. 66 também marcou presença, com sua métrica torta e versos corrosivos sobre o mercado artístico-cultural.
9) Ao final o que fica é que O Terno é, de fato, uma das bandas mais legais e potencialmente inovadoras da atualidade, com seus integrantes bebendo, sim, da fonte da Jovem Guarda e da psicodelia dos Mutantes, mas trazendo muita personalidade para as suas canções - e o fato de Bernardes se alternar entre o teclado e a guitarra dá uma boa dimensão da capacidade técnica. O que pode ser percebido também durante a execução de algumas canções, caso de Melhor do Que Parece, em mais um dos tantos momentos "viajantes" da noite.
Semana que vem tem mais, com a nossa presença nos shows do Silva e da Dingo Bells, na sexta (23/09), no mesmo Bar Opinião! Bora? =)
1) Não era a primeira vez da banda no Opinião - eles já tocaram uma boa quantidade de vezes na segunda maluca. Mas o objetivo desta vez era diferente: lançar oficialmente, na capital gaúcha, o álbum Melhor do Que Parece -, elogiadíssimo trabalho que deverá figurar em todas as listas de melhores desse ano. Talvez isto também explique o fato de boa parte do público estar pela primeira vez em uma exibição d'O Terno, o que foi possível perceber quando o vocalista Tim Bernardes fez uma pergunta relacionada a isso (e mais de 70% dos braços foram levantados).
2) Como a apresentação tinha a proposta de mostrar o disco novo, com a roupa laranja e tudo, naturalmente o disco foi prioridade. Não foi por acaso que o show começou com Não Espero Mais, Nó e o single culpa em sequência - este último com refrãozinho divertido cantado em uníssono pelo público presente. Mais tarde outra canções do registro apareceriam, casos de Lua Cheia, Minas Gerais, Vamos Assumir e O Orgulho e o Perdão - esta última outro momento alto, já que a canção, com seu estilo samba-brega-de-cabaré é daquelas com um dos refrões mais fáceis de cantar.
3) Falando em refrão, tava claro que o público estava esperando ansiosamente por Bote ao Contrário, que, com aquele clima Jovem Guarda ao estilo rei Roberto Carlos fase Em Ritmo de Aventura, talvez seja uma das mais queridas músicas dos fãs. E os versos ao mesmo tempo lamentosos e cheios de autoconfiança, cantados por todos a plenos pulmões, certamente contribuem para isso.
4) Além de Bote ao Contrário, outra canções do autointitulado segundo disco do trio garantiram alguns dos momentos mais psicodélicos da noite, especialmente O Cinza e Eu Confesso. Ai, Ai, Como Eu Me Iludo recebeu uma versão mais veloz que conferiu a ela certo clima festivo - mas sem perder a melancolia.
5) Falar do segundo trabalho é lembrar das principais ausências do setlist. Sei que Desaparecido - com sua letra absolutamente nonsense e nostálgica - certamente não seria uma música pra levantar o público, Mas Brazil, com seu refrão pegajoso e efeitos de teclado marcantes parecia estar pedindo pra ser executada ao vivo. Quem sabe em uma outra.
6) O Fora Temer dito em alto e bom som pelo vocalista Tim Bernardes em meio a apresentação foi aplaudido com entusiasmo pelo público. Naturalmente quem está presente em um show desses, de uma banda que sobrevive de maneira independente e recebe atenção ZERO da grande mídia, é alguém atento as mais variadas formas de arte feitas em nosso País. E ARTE, sabemos bem, é uma palavra maldita para a direita raivosa, conservadora, irritadiça e pouco afeita a novas experiências culturais. Sim, aquele mesmo povo que bate panela pedindo o fim do Ministério da Cultura e dá risada com a não indicação de Aquarius ao Oscar pelo mesmo Ministério. O que é uma pena.
7) Sobre as interações da banda com o público, em geral elas foram gentis e educadas, a despeito da figura um tanto debochada de Tim Bernardes - sério, é quase impossível não sorrir olhando para ele. Em certo momento um jovem gritou: Tim , te amo! Ele prontamente respondeu: Ei! Também te amo cara, pra alegria dos presentes!
8) A propósito: talvez tenha sido a boa receptividade do público o motivo para que o trio - completado por Guilherme D'Almeida e Gabriel Basile - tenha retornado ao palco para um raro segundo bis. A propósito, foi no retorno ao palco que as ignoradas canções do primeiro trabalho foram executadas, entre elas Zé, Assassino Compulsivo solicitada de maneira comovente pelo público - inclusive pela galera do fundão, onde estávamos. 66 também marcou presença, com sua métrica torta e versos corrosivos sobre o mercado artístico-cultural.
9) Ao final o que fica é que O Terno é, de fato, uma das bandas mais legais e potencialmente inovadoras da atualidade, com seus integrantes bebendo, sim, da fonte da Jovem Guarda e da psicodelia dos Mutantes, mas trazendo muita personalidade para as suas canções - e o fato de Bernardes se alternar entre o teclado e a guitarra dá uma boa dimensão da capacidade técnica. O que pode ser percebido também durante a execução de algumas canções, caso de Melhor do Que Parece, em mais um dos tantos momentos "viajantes" da noite.
Semana que vem tem mais, com a nossa presença nos shows do Silva e da Dingo Bells, na sexta (23/09), no mesmo Bar Opinião! Bora? =)
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Disco da Semana - Teenage Fanclub (Here)
Melodias acessíveis, arranjos econômicos, letras adocicadas, refrões ganchudos e uma indelével verve para a música pop. Essas são as características do Teenage Fanclub desde SEMPRE e que fazem com que os fãs aguardem cada novo lançamento - cada vez mais espaçado - como se este fosse um verdadeiro objeto de culto. E não é diferente com Here, décimo trabalho dos escoceses, que entregam uma nova coleção de canções ensolaradas, livres de qualquer tipo de firula e prontas para o consumo imediato. (e aqui, caso você não conheça a banda, é importante que você ignore aquela parcela da crítica mais indisposta, que insiste em esperar um novo Grand Prix, obra-prima de Normam Blake e companhia, lançada no ano de 1995 e figurinha fácil em qualquer lista de melhores não apenas daquela década, mas de todos os tempos, se vocês me perdoam a paixão exacerbada)
Partindo exatamente de onde parou no ótimo Shadows, de 2010, a banda não tem a mínima vergonha de recorrer as características que delimitam (ou marcam) os seus trabalhos anteriores, ao ponto de pensarmos que Here não faria feio caso fosse lançado como espécie de registro de sobras de estúdio de qualquer época. E se a abertura com a radiofônica I'm In Love parece um retorno inevitável a época de Bandwagonesque (1991) - e daquele período em que aguardávamos o Lado B, comandado por Kid Vinil na finada MTV, só pra assistir ao videoclipe de Star Sign - pequenas preciosidades como Thin Air, It's A Sight, Hold On e The Darkest Part Of The Night, parecem homenagens ainda mais escancaradas aqueles grupos que fizeram parte de sua formação musical, casos de The Byrds, Beach Boys e, mais especificamente, Big Star.
Afagando o ouvinte a cada curva de suas agradáveis canções ao mesmo tempo elegantes e cheias de personalidade - e que se equilibram bem entre o requinte do cancioneiro do Reino Unido e o shoegaze americano - os rapazes, na verdade agora senhores de meia idade, mantêm a mesma qualidade lírica, ainda que, eventualmente, as preocupações da vida, do cotidiano e dos relacionamentos possam ser outras. E não é por acaso que a banda reflete sobre as agruras de se viver em um mundo cheio de dor - e de pessoas que se magoam - já na abertura, com I'm In Love - There is pain in this world / I can see it in your eyes / It's so hard to stay alive / At the edge of the night, observa o eu lírico, não sem uma uma boa pitada de resignação.
Ainda que as temáticas - e o recurso da análise do cotidiano e do ponto de vista individual como um recorte para o todo - sejam repetidas em outras momentos, casos de I Have Nothing More to Say, I Was Beautiful When I Was Alive e na já citada The Darkest Part Of The Night, isso não significa de forma alguma que o grupo está mais melancólico. Ainda que, aqui e ali, a presença de uma balada a mais, de alguma psicodelia desviada, do teclado gracioso ou do clima absolutamente intimista, possam dar essa impressão. Leve e singelo como a sua imagem de capa - uma pintura de uma cachoeira em um cenário bucólico que poderia remeter ao acolhimento proposto por seus integrantes - Here não chega exatamente para marcar passo como um dos grandes registros desse milênio. Mas o caso é que ele jamais tenta chegar perto disso. Ainda que quase consiga, não se pode negar.
Nota: 8,5
Partindo exatamente de onde parou no ótimo Shadows, de 2010, a banda não tem a mínima vergonha de recorrer as características que delimitam (ou marcam) os seus trabalhos anteriores, ao ponto de pensarmos que Here não faria feio caso fosse lançado como espécie de registro de sobras de estúdio de qualquer época. E se a abertura com a radiofônica I'm In Love parece um retorno inevitável a época de Bandwagonesque (1991) - e daquele período em que aguardávamos o Lado B, comandado por Kid Vinil na finada MTV, só pra assistir ao videoclipe de Star Sign - pequenas preciosidades como Thin Air, It's A Sight, Hold On e The Darkest Part Of The Night, parecem homenagens ainda mais escancaradas aqueles grupos que fizeram parte de sua formação musical, casos de The Byrds, Beach Boys e, mais especificamente, Big Star.
Afagando o ouvinte a cada curva de suas agradáveis canções ao mesmo tempo elegantes e cheias de personalidade - e que se equilibram bem entre o requinte do cancioneiro do Reino Unido e o shoegaze americano - os rapazes, na verdade agora senhores de meia idade, mantêm a mesma qualidade lírica, ainda que, eventualmente, as preocupações da vida, do cotidiano e dos relacionamentos possam ser outras. E não é por acaso que a banda reflete sobre as agruras de se viver em um mundo cheio de dor - e de pessoas que se magoam - já na abertura, com I'm In Love - There is pain in this world / I can see it in your eyes / It's so hard to stay alive / At the edge of the night, observa o eu lírico, não sem uma uma boa pitada de resignação.
Ainda que as temáticas - e o recurso da análise do cotidiano e do ponto de vista individual como um recorte para o todo - sejam repetidas em outras momentos, casos de I Have Nothing More to Say, I Was Beautiful When I Was Alive e na já citada The Darkest Part Of The Night, isso não significa de forma alguma que o grupo está mais melancólico. Ainda que, aqui e ali, a presença de uma balada a mais, de alguma psicodelia desviada, do teclado gracioso ou do clima absolutamente intimista, possam dar essa impressão. Leve e singelo como a sua imagem de capa - uma pintura de uma cachoeira em um cenário bucólico que poderia remeter ao acolhimento proposto por seus integrantes - Here não chega exatamente para marcar passo como um dos grandes registros desse milênio. Mas o caso é que ele jamais tenta chegar perto disso. Ainda que quase consiga, não se pode negar.
Nota: 8,5
Lançamento de Videoclipe - Dingo Bells (Dinossauros)
Com Maravilhas da Vida Moderna, os gaúchos da Dingo Bells lançaram um dos melhores discos de 2015 - não por acaso o décimo sétimo colocado na nossa lista de preferidos do ano que passou. E o ótimo registro, recheado de canções essencialmente pop - mas que misturam na medida certa o rock, e a soul music -, rendeu na tarde de segunda mais um ótimo videoclipe. Dessa vez a canção escolhida para ser representada visualmente foi Dinossauros - uma das mais reflexivas e instigantes do trabalho. O vídeo, dirigido por Daniel Eizirki, expõe a história de duas meninas - vividas por Bethânia Brancher e Elyza Tx - em meio a animações e colagens. "[O Daniel] É extremamente sensível na exploração de colagens e técnicas", explicou o baixista Felipe Kautz, em entrevista a Revista Rolling Stone Brasil. "Ele também buscou uma outra narrativa, que pode ser uma espécie de desdobramento desse sentimento de finitude que a letra de 'Dinossauros' fala", completou. Se você ainda não conhece o trabalho, o lindo videoclipe pode ser uma bela porta de entrada. Clica e confere!
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Novidades em DVD - Jogo do Dinheiro (Money Monster)
De: Jodie Foster. Com George Clooney, Julia Roberts, Jack O'Connell e Dominic West. Suspense / Drama, EUA, 2016, 98 minutos.
O filme Jogo do Dinheiro (Money Monster) apresenta uma condição (quase) rara: a de nos apresentar a um grupo de personagens que, se não chega a ser desprezível em sua totalidade, é capaz de nos despertar o mínimo possível de - pra não dizer nenhuma - empatia. E quem gosta de filmes sabe que parte da experiência cinematográfica abrange não apenas o envolvimento com a trama que se desenrola - e com quem participa dela -, mas também a plena compreensão dos desejos e ideias daqueles que protagonizam a obra a que estamos assistindo. Costuma-se dizer que essa lógica se aplica bem as comédias românticas: todos sabemos qual será o desfecho da história. O que a tornará valiosa será o percurso realizado no decorrer do filme e de como nos preocuparemos ou nos enterneceremos diante dos eventos mostrados.
Nesse sentido, um filme que apresenta como principal arco dramático a tragédia econômica dos sujeitos de classes relativamente bem resolvidas nos Estados Unidos, só poderá interessar aos espectadores que procuram um suspense escapista, com alguma pitada de ação e MUITO maniqueísmo. E se há um momento em que a mais recente obra da atriz Jodie Foster - em sua quarta incursão por trás das câmeras - funciona, é em seus primeiros minutos, quando somos apresentados a Lee Jones (Clooney), âncora de um show televisivo chamado Money Monster, que dá dicas sobre mercado financeiro e seus potenciais investimentos, num estilo bem-humorado, próximo do deboche e bem de acordo com o padrão atual que tem na espetacularização a ordem do dia. (e confesso que o trailer de fato me prendeu, especialmente por gostar das películas que abordam os bastidores do jornalismo).
Só que, com a intenção de tornar Lee um sujeito absolutamente seguro de si e de seu papel no show business - o que, não se pode negar, Clooney faz com algum charme - Foster transforma o protagonista em um sujeito totalmente presunçoso, arrogante e, como não poderia deixar de ser, preconceituoso. (e o fato de Lee cantar uma produtora negra que atua nos bastidores da atração, perguntando como está o garçom com quem ela namora, dá conta de seu caráter movido apenas por ação condicionada e pela crnça no poder de 'compra' das pessoas por meio do dinheiro, em um gesto não apenas sem graça, mas de humilhação). E não é por acaso que quando um desconhecido (Jack O'Connell, se esforçando para soar dramático) entra ao vivo no programa, ameaçando mandar tudo pelos ares, já estamos tão desconectados de tudo que vimos até aquele momento, que só o que conseguimos fazer é suspirar e balbuciar um: "ok, vamos lá".
E se por um lado o filme acerta ao apresentar as movimentações de bastidores com a intenção de resolver a questão - boa parte delas a partir das ações da produtora Patty Fenn, personagem de Julia Roberts -, ou mesmo as reações do público e de outros veículos de imprensa diante daquilo que se vê no programa comandado por Lee, por outro o excessivo uso de piadinhas e o pouco caso do personagem de Clooney em relação a um perigo que deveria ser encarado como uma ameaça real, não se pode negar, também dilui parte de uma obra que se pretende tensa. A situação só piora quando conhecemos as motivações do invasor - que perdeu US$ 60 mil em um investimento furado no mercado de ações. E que, agora, é odiado pela namorada grávida que o considera um derrotado pelo fato deste não ter sido capaz de "vencer" nesse tão importante universo que é o dos negócios. Amor? Compreensão? União nas dificuldades? Nada disso. Perdeu grana, rapá. Tu não é NADA.
Se esforçando para não abusar do clima "bandido bom é bandido morto", o que é um razoável acerto, o filme mostra o grupo de policiais a princípio preparado para executar um movimento que poderá (ou não) salvar a vida de todos. E tudo melhora (nessa parte estou ironizando) quando descobrimos que, rá, no fim das contas o real vilão era um megaempresário de uma instituição financeira que desviava verba na mão leve, fazendo muita gente perder dinheiro - num reducionismo, vamos combinar, constrangedor. (e a presença de hackers de Mumbai, da máfia russa e de ativistas africanos tornará o bolo levemente confuso) Se a intenção de Foster era denunciar, por meio deste microcosmo, o estado geral da economia americana, especialmente após a crise de 2008, sim, o seu objetivo poderá ter sido a melhor possível. Mas enquanto não tenho a certeza sobre isso, prefiro ficar com uma obra mais robusta e impactante como A Grande Aposta (The Big Short), que executa melhor esse "diálogo", sem abusar da pirotecnia.
Nota: 4,3
O filme Jogo do Dinheiro (Money Monster) apresenta uma condição (quase) rara: a de nos apresentar a um grupo de personagens que, se não chega a ser desprezível em sua totalidade, é capaz de nos despertar o mínimo possível de - pra não dizer nenhuma - empatia. E quem gosta de filmes sabe que parte da experiência cinematográfica abrange não apenas o envolvimento com a trama que se desenrola - e com quem participa dela -, mas também a plena compreensão dos desejos e ideias daqueles que protagonizam a obra a que estamos assistindo. Costuma-se dizer que essa lógica se aplica bem as comédias românticas: todos sabemos qual será o desfecho da história. O que a tornará valiosa será o percurso realizado no decorrer do filme e de como nos preocuparemos ou nos enterneceremos diante dos eventos mostrados.
Nesse sentido, um filme que apresenta como principal arco dramático a tragédia econômica dos sujeitos de classes relativamente bem resolvidas nos Estados Unidos, só poderá interessar aos espectadores que procuram um suspense escapista, com alguma pitada de ação e MUITO maniqueísmo. E se há um momento em que a mais recente obra da atriz Jodie Foster - em sua quarta incursão por trás das câmeras - funciona, é em seus primeiros minutos, quando somos apresentados a Lee Jones (Clooney), âncora de um show televisivo chamado Money Monster, que dá dicas sobre mercado financeiro e seus potenciais investimentos, num estilo bem-humorado, próximo do deboche e bem de acordo com o padrão atual que tem na espetacularização a ordem do dia. (e confesso que o trailer de fato me prendeu, especialmente por gostar das películas que abordam os bastidores do jornalismo).
Só que, com a intenção de tornar Lee um sujeito absolutamente seguro de si e de seu papel no show business - o que, não se pode negar, Clooney faz com algum charme - Foster transforma o protagonista em um sujeito totalmente presunçoso, arrogante e, como não poderia deixar de ser, preconceituoso. (e o fato de Lee cantar uma produtora negra que atua nos bastidores da atração, perguntando como está o garçom com quem ela namora, dá conta de seu caráter movido apenas por ação condicionada e pela crnça no poder de 'compra' das pessoas por meio do dinheiro, em um gesto não apenas sem graça, mas de humilhação). E não é por acaso que quando um desconhecido (Jack O'Connell, se esforçando para soar dramático) entra ao vivo no programa, ameaçando mandar tudo pelos ares, já estamos tão desconectados de tudo que vimos até aquele momento, que só o que conseguimos fazer é suspirar e balbuciar um: "ok, vamos lá".
E se por um lado o filme acerta ao apresentar as movimentações de bastidores com a intenção de resolver a questão - boa parte delas a partir das ações da produtora Patty Fenn, personagem de Julia Roberts -, ou mesmo as reações do público e de outros veículos de imprensa diante daquilo que se vê no programa comandado por Lee, por outro o excessivo uso de piadinhas e o pouco caso do personagem de Clooney em relação a um perigo que deveria ser encarado como uma ameaça real, não se pode negar, também dilui parte de uma obra que se pretende tensa. A situação só piora quando conhecemos as motivações do invasor - que perdeu US$ 60 mil em um investimento furado no mercado de ações. E que, agora, é odiado pela namorada grávida que o considera um derrotado pelo fato deste não ter sido capaz de "vencer" nesse tão importante universo que é o dos negócios. Amor? Compreensão? União nas dificuldades? Nada disso. Perdeu grana, rapá. Tu não é NADA.
Se esforçando para não abusar do clima "bandido bom é bandido morto", o que é um razoável acerto, o filme mostra o grupo de policiais a princípio preparado para executar um movimento que poderá (ou não) salvar a vida de todos. E tudo melhora (nessa parte estou ironizando) quando descobrimos que, rá, no fim das contas o real vilão era um megaempresário de uma instituição financeira que desviava verba na mão leve, fazendo muita gente perder dinheiro - num reducionismo, vamos combinar, constrangedor. (e a presença de hackers de Mumbai, da máfia russa e de ativistas africanos tornará o bolo levemente confuso) Se a intenção de Foster era denunciar, por meio deste microcosmo, o estado geral da economia americana, especialmente após a crise de 2008, sim, o seu objetivo poderá ter sido a melhor possível. Mas enquanto não tenho a certeza sobre isso, prefiro ficar com uma obra mais robusta e impactante como A Grande Aposta (The Big Short), que executa melhor esse "diálogo", sem abusar da pirotecnia.
Nota: 4,3
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