Parece incrível pensar que uma banda como o Teenage Fanclub já está com mais de 30 anos de carreira. E que continua produzindo com regularidade, vigor e alguma relevância - a despeito da aparência de "tiozões do rock" que Norman Blake e companhia, naturalmente, agora ostentam. Para quem cresceu ouvindo o quarteto - caso de qualquer adolescente consumidor de programas noventistas como o Lado B, exibido pela extinta MTV -, é muito satisfatório dar play em discos como o recém-lançado Endless Arcade e perceber que pouca coisa mudou em relação aos grandes álbuns clássicos (caso do imperdível Grand Prix). Vá lá, os integrantes do grupo certamente amadureceram, as letras provavelmente estão mais cabeçudas e menos juvenis (aliás, o mundo mudou, né?), mas a sonoridade agridoce, primaveril, daquelas que aconchega o ouvinte, segue intocada. É sempre prazeroso escutar Raymond McGinley, Francis MacDonald, Dave McGowan e o já citado Blake em ação. Faça um teste com The Sun Won't Shine On Me, Warm Embrace e com Back In The Day - esta última candidata forte para as listas de melhores canções do ano. Dificilmente você não será tragado pelas ambientações ensolaradas e nostálgicas dos escoceses.
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terça-feira, 4 de maio de 2021
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Foi Um Disco que Passou Em Minha Vida - Teenage Fanclub (Grand Prix)
Não sei como tem sido para vocês mas para mim, especialmente em tempos de quarentena, não é todo o dia que estou disposto para qualquer tipo de música. O pessimismo em relação ao futuro, a impossibilidade de sair de casa, de abraçar os amigos, de beijar aqueles que amamos. A frieza dos dias que são percorridos, muitas vezes, com uma solidão resignada por causa de um vírus que, entre o pior de seus efeitos, nos desaloja o coração. Tudo envolto em uma névoa de indefinições - como se estivéssemos em uma distopia literária sem perspectiva de final feliz. E, então, como suportar? Como tentar enfrentar tudo isso com um sorriso no rosto, enquanto aguardamos por dias melhores? Bom, em muitos casos, no que diz respeito aos discos, tenho recorrido àqueles já familiares, que me trazem algum tipo de conforto, que me fazem sorrir naturalmente. Que me deixam nostálgico e até otimista. E, a meu ver, poucos trabalhos alcançam tão bem esse ideal quanto o ótimo Grand Prix, do Teenage Fanclub.
Esse álbum, pra quem não sabe, foi um dos responsáveis por formatar a minha amizade com o Henrique Oliveira, que escreve o Picanha junto comigo. Há 25 anos atrás, época em que o disco foi lançado, havia uma prática comum, que talvez surpreenda os jovens de hoje em dia: a de trocar discos. Emprestar ao outro. Com prazo especificado de devolução, em um tipo e equação que tornava inversamente proporcional a urgência dessa mesma devolução quanto mais raro fosse o disco. E conseguir uma edição do Grand Prix não era pra todo mundo. Era um álbum importado, que constava em tudo quanto é lista de melhores - como no caso daquelas que apareciam na finada Revista Bizz -, e que custava, mesmo naquela época, a bagatela de uns 80 reais (o que convertendo para hoje em dia seria facilmente uns R$ 400 em um disco). Então vejam só que grande sinal de amizade, quando o Henrique me emprestou este disco e, bom, só posso dizer que foram algumas tardes gastando-o na vitrola, enquanto lia o encarte, com as letras.
Eu tô falando desse disco em um texto meio sem lógica por aqui - como costumam ser os desse quadro -, porque o Grand Prix é aquele tipo de álbum do veraneio. Trata-se de um registro acolhedor, primaveril, cheio de canções e de refrões enérgicos, que consolidada o trio Glasgow como um dos principais expoentes do power pop no mundo. Até este trabalho foram outros três discos - A Catholic Education (1990), Banwagonesque (1991) e Thirteen (1993) - e salvo um ou outro instante de euforia em cada um deles, foram obras muito mais marcadas pelo shoegaze e pelo deboche universitário, que os fazia cantar olhando os próprios pés. Sim, os fãs raiz do Teenage Fanclub talvez citem o Bandwagonesque e sua capinha à moda videogame com uma sacolinha de dinheiro e suas letras sobre usar jeans descompromissadamente como sua principal influência juvenil. Mas aquela melodia sinuosa, quente, com algum toquinho de psicodelia, que juntou The Byrds com Big Star numa coisa só, chacoalhou no liquidificador, e entregou ao mundo um creme saboroso de música adocicada, foi somente no disquinho com o carro de fórmula 1 estampado na capa.
Em uma entrevista, certa feita, o baixista Gerard Love disse, sobre o Grand Prix, que não era "música para quando você está prestes a sair e sim para quando você voltar". Nesse sentido é a música que acalma e aconchega. É aquela em que nos sentimos familiarizados - ainda que mantenha, é preciso que se diga, a verve roqueira. É mais ou menos como na abertura, com About You em que Norman Blake canta a plenos pulmões, amparado por Love e Raymond McGinley, que "sempre soube o caminho até você". É um tipo de bobice tão elementar, que é repetido em gemas como I'll Make It Clear (Eu vou deixar claro / Eu te amo querida), Going Places (Tenho a noção / Que essa chuva não vai durar) e Sparky's Dream (Preciso de uma bola de cristal para enxergá-la de manhã / E olhos mágicos para ler nas entrelinhas), que nos fazem manter o sorriso necessário, especialmente em tempos delicados. O Teenage Fanclub anda meio parado agora. Mas o que ele fez com Grand Prix não se apaga, o que torna um disco quase necessário para tempos tão sombrios.
Esse álbum, pra quem não sabe, foi um dos responsáveis por formatar a minha amizade com o Henrique Oliveira, que escreve o Picanha junto comigo. Há 25 anos atrás, época em que o disco foi lançado, havia uma prática comum, que talvez surpreenda os jovens de hoje em dia: a de trocar discos. Emprestar ao outro. Com prazo especificado de devolução, em um tipo e equação que tornava inversamente proporcional a urgência dessa mesma devolução quanto mais raro fosse o disco. E conseguir uma edição do Grand Prix não era pra todo mundo. Era um álbum importado, que constava em tudo quanto é lista de melhores - como no caso daquelas que apareciam na finada Revista Bizz -, e que custava, mesmo naquela época, a bagatela de uns 80 reais (o que convertendo para hoje em dia seria facilmente uns R$ 400 em um disco). Então vejam só que grande sinal de amizade, quando o Henrique me emprestou este disco e, bom, só posso dizer que foram algumas tardes gastando-o na vitrola, enquanto lia o encarte, com as letras.
Eu tô falando desse disco em um texto meio sem lógica por aqui - como costumam ser os desse quadro -, porque o Grand Prix é aquele tipo de álbum do veraneio. Trata-se de um registro acolhedor, primaveril, cheio de canções e de refrões enérgicos, que consolidada o trio Glasgow como um dos principais expoentes do power pop no mundo. Até este trabalho foram outros três discos - A Catholic Education (1990), Banwagonesque (1991) e Thirteen (1993) - e salvo um ou outro instante de euforia em cada um deles, foram obras muito mais marcadas pelo shoegaze e pelo deboche universitário, que os fazia cantar olhando os próprios pés. Sim, os fãs raiz do Teenage Fanclub talvez citem o Bandwagonesque e sua capinha à moda videogame com uma sacolinha de dinheiro e suas letras sobre usar jeans descompromissadamente como sua principal influência juvenil. Mas aquela melodia sinuosa, quente, com algum toquinho de psicodelia, que juntou The Byrds com Big Star numa coisa só, chacoalhou no liquidificador, e entregou ao mundo um creme saboroso de música adocicada, foi somente no disquinho com o carro de fórmula 1 estampado na capa.
Em uma entrevista, certa feita, o baixista Gerard Love disse, sobre o Grand Prix, que não era "música para quando você está prestes a sair e sim para quando você voltar". Nesse sentido é a música que acalma e aconchega. É aquela em que nos sentimos familiarizados - ainda que mantenha, é preciso que se diga, a verve roqueira. É mais ou menos como na abertura, com About You em que Norman Blake canta a plenos pulmões, amparado por Love e Raymond McGinley, que "sempre soube o caminho até você". É um tipo de bobice tão elementar, que é repetido em gemas como I'll Make It Clear (Eu vou deixar claro / Eu te amo querida), Going Places (Tenho a noção / Que essa chuva não vai durar) e Sparky's Dream (Preciso de uma bola de cristal para enxergá-la de manhã / E olhos mágicos para ler nas entrelinhas), que nos fazem manter o sorriso necessário, especialmente em tempos delicados. O Teenage Fanclub anda meio parado agora. Mas o que ele fez com Grand Prix não se apaga, o que torna um disco quase necessário para tempos tão sombrios.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Disco da Semana - Teenage Fanclub (Here)
Melodias acessíveis, arranjos econômicos, letras adocicadas, refrões ganchudos e uma indelével verve para a música pop. Essas são as características do Teenage Fanclub desde SEMPRE e que fazem com que os fãs aguardem cada novo lançamento - cada vez mais espaçado - como se este fosse um verdadeiro objeto de culto. E não é diferente com Here, décimo trabalho dos escoceses, que entregam uma nova coleção de canções ensolaradas, livres de qualquer tipo de firula e prontas para o consumo imediato. (e aqui, caso você não conheça a banda, é importante que você ignore aquela parcela da crítica mais indisposta, que insiste em esperar um novo Grand Prix, obra-prima de Normam Blake e companhia, lançada no ano de 1995 e figurinha fácil em qualquer lista de melhores não apenas daquela década, mas de todos os tempos, se vocês me perdoam a paixão exacerbada)
Partindo exatamente de onde parou no ótimo Shadows, de 2010, a banda não tem a mínima vergonha de recorrer as características que delimitam (ou marcam) os seus trabalhos anteriores, ao ponto de pensarmos que Here não faria feio caso fosse lançado como espécie de registro de sobras de estúdio de qualquer época. E se a abertura com a radiofônica I'm In Love parece um retorno inevitável a época de Bandwagonesque (1991) - e daquele período em que aguardávamos o Lado B, comandado por Kid Vinil na finada MTV, só pra assistir ao videoclipe de Star Sign - pequenas preciosidades como Thin Air, It's A Sight, Hold On e The Darkest Part Of The Night, parecem homenagens ainda mais escancaradas aqueles grupos que fizeram parte de sua formação musical, casos de The Byrds, Beach Boys e, mais especificamente, Big Star.
Afagando o ouvinte a cada curva de suas agradáveis canções ao mesmo tempo elegantes e cheias de personalidade - e que se equilibram bem entre o requinte do cancioneiro do Reino Unido e o shoegaze americano - os rapazes, na verdade agora senhores de meia idade, mantêm a mesma qualidade lírica, ainda que, eventualmente, as preocupações da vida, do cotidiano e dos relacionamentos possam ser outras. E não é por acaso que a banda reflete sobre as agruras de se viver em um mundo cheio de dor - e de pessoas que se magoam - já na abertura, com I'm In Love - There is pain in this world / I can see it in your eyes / It's so hard to stay alive / At the edge of the night, observa o eu lírico, não sem uma uma boa pitada de resignação.
Ainda que as temáticas - e o recurso da análise do cotidiano e do ponto de vista individual como um recorte para o todo - sejam repetidas em outras momentos, casos de I Have Nothing More to Say, I Was Beautiful When I Was Alive e na já citada The Darkest Part Of The Night, isso não significa de forma alguma que o grupo está mais melancólico. Ainda que, aqui e ali, a presença de uma balada a mais, de alguma psicodelia desviada, do teclado gracioso ou do clima absolutamente intimista, possam dar essa impressão. Leve e singelo como a sua imagem de capa - uma pintura de uma cachoeira em um cenário bucólico que poderia remeter ao acolhimento proposto por seus integrantes - Here não chega exatamente para marcar passo como um dos grandes registros desse milênio. Mas o caso é que ele jamais tenta chegar perto disso. Ainda que quase consiga, não se pode negar.
Nota: 8,5
Partindo exatamente de onde parou no ótimo Shadows, de 2010, a banda não tem a mínima vergonha de recorrer as características que delimitam (ou marcam) os seus trabalhos anteriores, ao ponto de pensarmos que Here não faria feio caso fosse lançado como espécie de registro de sobras de estúdio de qualquer época. E se a abertura com a radiofônica I'm In Love parece um retorno inevitável a época de Bandwagonesque (1991) - e daquele período em que aguardávamos o Lado B, comandado por Kid Vinil na finada MTV, só pra assistir ao videoclipe de Star Sign - pequenas preciosidades como Thin Air, It's A Sight, Hold On e The Darkest Part Of The Night, parecem homenagens ainda mais escancaradas aqueles grupos que fizeram parte de sua formação musical, casos de The Byrds, Beach Boys e, mais especificamente, Big Star.
Afagando o ouvinte a cada curva de suas agradáveis canções ao mesmo tempo elegantes e cheias de personalidade - e que se equilibram bem entre o requinte do cancioneiro do Reino Unido e o shoegaze americano - os rapazes, na verdade agora senhores de meia idade, mantêm a mesma qualidade lírica, ainda que, eventualmente, as preocupações da vida, do cotidiano e dos relacionamentos possam ser outras. E não é por acaso que a banda reflete sobre as agruras de se viver em um mundo cheio de dor - e de pessoas que se magoam - já na abertura, com I'm In Love - There is pain in this world / I can see it in your eyes / It's so hard to stay alive / At the edge of the night, observa o eu lírico, não sem uma uma boa pitada de resignação.
Ainda que as temáticas - e o recurso da análise do cotidiano e do ponto de vista individual como um recorte para o todo - sejam repetidas em outras momentos, casos de I Have Nothing More to Say, I Was Beautiful When I Was Alive e na já citada The Darkest Part Of The Night, isso não significa de forma alguma que o grupo está mais melancólico. Ainda que, aqui e ali, a presença de uma balada a mais, de alguma psicodelia desviada, do teclado gracioso ou do clima absolutamente intimista, possam dar essa impressão. Leve e singelo como a sua imagem de capa - uma pintura de uma cachoeira em um cenário bucólico que poderia remeter ao acolhimento proposto por seus integrantes - Here não chega exatamente para marcar passo como um dos grandes registros desse milênio. Mas o caso é que ele jamais tenta chegar perto disso. Ainda que quase consiga, não se pode negar.
Nota: 8,5
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Na Espera - Teenage Fanclub (Disco)
As notícias para os fãs do Teenage Fanclub não poderiam ser melhores. Ao que parece, finalmente a espera por um novo disco dos escoceses está chegando ao fim! Ainda que não haja mais detalhes sobre a data de lançamento - ou mesmo o nome do álbum, a capa e a lista de músicas -, a chegada de um novo single nessa semana, intitulado de I'm In Love, dá a entender que o trabalho possa estar muito perto de ser concluído. Ainda mais que as últimas informações sobre um novo disco tenham sido divulgadas ainda de 2015, quando a banda de Norman Blake e companhia anunciou já estar em trabalho de pós-produção daquele que será o seu décimo primeiro registro - contando o trabalho colaborativo Words Of Wisdom and Hope (2002).
Dono de um power pop ao mesmo tempo ensolarado e elegante, que dialoga tanto com o shoegaze quanto com o indie rock, o Teenage Fanclub fez sucesso entre os alternativos dos anos 90, quando do lançamento de clássicos modernos, como Bandwagonesque (1991) e, especialmente, Grand Prix (1995), um dos melhores discos dos anos 90 para diversas publicações - e favoritaço-aço-AÇO aqui da casa! De lá para cá foram uma série de registros, cada vez mais espaçados, quase sempre acima da média, mas bem distantes da energia roqueira e vibrante apresentada no famoso disco com o carro de Fórmula 1 na capa. Bom, enquanto o sucessor de Shadows (2010) não chega, resta saborear o novo single e torcer para que o disco novo chegue logo!
Dono de um power pop ao mesmo tempo ensolarado e elegante, que dialoga tanto com o shoegaze quanto com o indie rock, o Teenage Fanclub fez sucesso entre os alternativos dos anos 90, quando do lançamento de clássicos modernos, como Bandwagonesque (1991) e, especialmente, Grand Prix (1995), um dos melhores discos dos anos 90 para diversas publicações - e favoritaço-aço-AÇO aqui da casa! De lá para cá foram uma série de registros, cada vez mais espaçados, quase sempre acima da média, mas bem distantes da energia roqueira e vibrante apresentada no famoso disco com o carro de Fórmula 1 na capa. Bom, enquanto o sucessor de Shadows (2010) não chega, resta saborear o novo single e torcer para que o disco novo chegue logo!
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