sexta-feira, 22 de abril de 2022

Pitaquinho Musical - Placebo (Never Let Me Go)

Em uma conversa descompromissada com os amigos Bernardo e Henrique eu tentava explicar o sentimento gerado por The Prodigal, uma das canções do oitavo e mais recente trabalho do Placebo, Never Let Me Go: "é uma música mais Placebo que o Placebo, mas sem que pareça tanto assim com o Placebo". Na hora não sei se me fiz entender, mas isso era uma espécie de elogio à Brian Molko e companhia que, finalmente, deixavam para trás a péssima impressão deixada pelo pouco inspirado Loud Like Love, lançado num agora longínquo 2013. E, vamos combinar que, em tempos tão pesados e sombrios como os que vivemos - de ascensão da extrema direita, de pandemia, de guerra, de espionagem digital e de desastres climáticos, só pra ficar em alguns exemplos - faz todo o sentido os britânicos, que tanto souberam converter as dores do mundo em belas canções, lançarem um novo disco. E ainda oxigenarem ele com criativos instantes melódicos, mas sem deixar de lado a personalidade que foi a marca registrada de hits como Pure Morning, Every You Every Me, Special K e Nancy Boy. "Eu deixo pra este mundo uma canção esperançosa / Sem uma lágrima, vou me prolongar / Minhas dores curadas, minhas cicatrizes não mais ali / E cada batalha me fez forte" canta Molko na citada música que abre esse texto. Enfrentar a paranoia atual se faz também pela arte. E o Placebo fez e muito bem a sua parte.


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