quarta-feira, 14 de março de 2018

Picanha em Série - This Is Us

De: Dan Fogelman. Com Milo Ventimiglia, Mandy Moore, Sterling K. Brown, Chrissy Metz e Justin Hartley. Drama, EUA, 42 minutos.

Decidir qual série assistir em meio a tantas boas possibilidades é aquilo que podemos chamar de "problema bom". Só a Netflix produz um punhado delas por ano, além de haver aquelas que os amigos, colegas de trabalho ou parentes indicam. This Is Us entrou em nossas vidas (pasmem!) após lermos uma coluna do jornalista Luciano Potter em uma das edições dominicais da Zero Hora. O artigo se chamava This Is Us, uma série que vai melhorar a sua vida. Em meio a frases sinceras como nunca desejei tanto que alguém seguisse uma dica minha, Potter explicava os motivos que tornam essa série tão maravilhosa. E em um mundo tão cheio de ódio e intolerância como o que vivemos, assistir a uma série que tornasse as nossas vidas melhores realmente algo atrativo. Bom, resolvemos experimentar. E viciamos!

Transmitida pela NBC - e pela Fox Life, aqui no Brasil - This Is Us é uma série sobre qualquer um de nós. E sobre como podemos ter alegrias ou tristezas em nossas vidas, independente de sermos bonitos ou feios, altos ou baixos, gordos ou magros. Também é uma série sobre empatia. E sobre a importância de amar acima de tudo. Ou de ser compreensivo. E de ter a capacidade de levantar a cabeça para enfrentar até mesmo o mais amargo dos dias. Sim, parece discurso de autoajuda ou mesmo de novela mexicana e, em partes, pode-se dizer que o programa também é isso: um novelão do cacete que nos faz tirar o lenço do bolso de tempos em tempos para secar as lágrimas que escorrem sem esforço. Mas um novelão, é preciso que se diga, cheio de ótimos e complexos personagens, com grandes interpretações, diálogos espirituosos e roteiro inteligente.



Na trama são três irmãos - os gêmeos Kevin (Hartley) e Kate (Metz) e o adotado Randall (Brown). Kevin é o boa pinta que tenta a todo custo ser levado a sério na carreira de ator (após protagonizar um programa em que importava muito mais a sua beleza física do que seu talento para o drama). Kate sofre com a obesidade e, consequentemente, tem sérios problemas de autoestima - a despeito de receber o carinho e o apoio de seu apaixonado namorado Toby (Chris Sullivan). Já Randall é um negro em meio a uma família de brancos, tendo de lidar com todas as implicações referentes ao fato de ser adotado (inclusive o surgimento tardio em sua vida de seu pai biológico). Com idas e vindas no tempo, o roteiro utiliza-se de flashbacks para mostrar a relação dos três com os amorosos pais Jack (Ventimiglia) e Rebecca (Moore) e, como os acontecimentos do passado, os transformarão nos adultos (imperfeitos) do futuro.

Aliás, adultos imperfeitos, assim como somos nós. Mesmo o personagem de Ventimiglia - certamente o pai que todos gostariam de ser (ou ter) -, tem sérios problemas de alcoolismo. E este é um dos tantos méritos de This Is Us: ao criar um universo tão recheado de pessoas comuns, verdadeiras e complexas, Fogelman coloca os dois pés na realidade, sendo praticamente impossível não se identificar (ou mesmo rir e chorar na mesma medida) com alguma das situações vividas por aqueles que vemos na telinha. É uma série de personagens. E de personalidades fortes. Que faz com que torçamos o tempo todo para que todos sejam felizes ou tenham seus sofrimentos amenizados pela dureza do mundo em que estamos. Esqueça Game Of Thrones, The Walking Dead ou qualquer outra série hypada do momento. O Potter desejava que mais pessoas conhecessem This Is Us. É o que também queremos. De nada.

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