terça-feira, 8 de março de 2016

Cinema - Um Homem Entre Gigantes (Concussion)

De: Peter Landesman. Com Will Smith, Alec Baldwin, David Morse, Albert Brooks e David Morse. Drama, EUA / Austrália / Reino Unido, 2015, 123 minutos.

Antes de ter início a temporada de premiações, foi levantada a possibilidade de Um Homem Entre Gigantes (Concussion), figurar entre os indicados. Especialmente o astro Will Smith, que protagoniza a obra - e há quem acredite que o tão famoso boicote ao Oscar, encabeçado pelo ator, tenha a ver com o fato de este ter sido completamente ignorado pela Academia, bem como o filme. Smith capricha no sotaque africano - com direito a inglês "macarrônico" e tudo - para viver o médico nigeriano Bennet Omalu, que, radicado em Pittsburgh, atua um tanto quando deslocado em relação as suas tantas formações, como médico legista. Com métodos excessivamente excêntricos, Dr. Omalu trata cada um dos mortos com quem "trabalha" com grande solenidade, com direito a conversas, modos suaves e muito respeito.

Ocorre que um caso em especial chama a atenção do médico: quando ele recebe em sua mesa para a realização da autópsia o ex-jogador de futebol americano, Mike Webster (Morse, em boa atuação), um dos grandes ídolos da cidade. Webster vivia como indigente e, ainda que não estivesse nem perto dos 50 anos, comete suicídio após anos de abusos de drogas e de problemas mentais como alucinações e esquizofrenia. Dr. Omalu acha curioso o fato de nada aparecer nos exames que faz, até descobrir um certo padrão envolvendo atletas da NFL: os casos de ex-jogadores com um conjunto de sintomas relacionados a danos cerebrais aumentam gradativamente. Assim como as mortes, conforme ele amplia a sua pesquisa. O que faz com que ele conclua que os anos de pancadas na cabeça, fruto da brutalidade dos treinamentos e das disputas relacionadas ao esporte, podem literalmente ter "chacoalhado" o cérebro dos jogadores.




A trama é baseada em fatos reais e o embate entre um homem, trabalhando praticamente de forma solitária, contra uma grande instituição - a Liga de Futebol Americano - que movimenta trilhões de dólares em solo americano, é algo que merece ser saudado. Mas que merecia uma obra com um pouco mais de estofo, já que o "dedo" que é colocado nessa ferida é apenas o mindinho. Ainda que a boa edição contribua para mostrar o quão alarmante é a situação, com direito a imagens de arquivo e dados impactantes - como aqueles que dão conta de que 28% dos atletas têm ou terão algum problema mental em suas vidas - o filme nunca se aprofunda nos efeitos causados por essa verdadeira tragédia não apenas nas famílias, mas na sociedade como um todo. E, pior: o futebol americano, ao invés de questionado, parece sair do filme, curiosamente, ainda mais reverenciado como entretenimento número um dos americanos. As vidas devastadas diante desse cenário? Pouco são mostradas e, certamente, poderiam gerar subtramas e arcos dramáticos muitíssimo mais interessantes do que o inexplicável par romântico de Smith, interpretado pela (quase) desconhecida Gugu Mbatha-Raw.

Também incomoda um certo maniqueísmo visto na obra de Peter Landesman. Dr. Omalu, por exemplo: conversa com cadáveres, tem 15 diplomas, não vê TV, não bebe, não fuma, vai na missa, sonha em casar e ter filhos. Em resumo: tem SEMPRE um comportamento absolutamente adequado ao que prega a moral e os bons costumes. O seu único "desvio" é a exigência em ser chamado de doutor - especialmente pelos desafetos - o que poderia sugerir alguma arrogância. No mais, é quase como uma reencarnação de Cristo na terra, de tão bondoso. A falta de complexidade dos demais personagens também não contribui para uma construção mais digna. Os cartolas da NFL, por exemplo, parecem todos possuir caráter duvidoso, nunca se mostrando interessados em uma solução mais humana para o caso, dando a impressão de que só o dinheiro, o poder e a fama interessam. O mesmo vale para os políticos e para os médicos da Liga, sendo a exceção aquele interpretado por um deslocado Alec Baldwin. E a imprensa, que deveria estar em cima do caso, e que contribuiria certamente para a formação de uma história mais verossímil? Quase não dá as caras.




Will Smith talvez esperasse ser indicado por sua interpretação em Um Homem Entre Gigantes e, é preciso que se diga, ele se empenha ao máximo para entregar uma caracterização adequada ao que manda o roteiro, sendo um pouco mais sutil na dramaticidade do que em outras ocasiões - ainda que não abra mão da testa franzida O TEMPO TODO pra denotar melancolia. Só que o filme é apenas mediano. As regras e os métodos aplicados na NFL se modificaram, em meados dos anos 2000, fruto do trabalho intenso do Dr. Omalu e de muitas sessões e disputas em tribunais e em salas oficiais. Só que o impacto daquilo que foi alcançado e do que representou esse processo na vida dos envolvidos, acaba minimizado por uma direção rasa e que não avança para outros pontos que pudessem tornar a abordagem mais rica. Fica a impressão de que, nas mãos de um grande diretor, Um Homem Entre Gigantes, pudesse SIM, estar entre os favoritos do Oscar. O que não ocorreu, diga-se, com certa justiça.

Nota: 5,5

segunda-feira, 7 de março de 2016

Cine Baú - Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cockoo's Nest)

É muito provável que a maioria das pessoas desconheça o fato de o diretor tcheco Milon Forman ter perdido os pais no campo de concentração nazista de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Não chega a ser coincidência, portanto, o fato de o trauma vivido por um Forman ainda jovem ressurgir tão seguidamente, em sua filmografia, no formato de alegorias que dão conta do homem em conflito com o sistema vigente, com a sociedade conservadora ou mesmo em embate com o que estabelece o status quo. Mozart, por exemplo, era um homem a frente de seu tempo que teve dificuldade de se enquadrar ao período em que viveu, como pode ser visto no soberbo Amadeus (1984). E o que dizer do comediante Andy Kaufman, considerado um desajustado pela maioria, e que teve sua história contada no melancólico O Mundo de Andy (1999)? Os exemplos são muitos e remetem inclusive ao início de sua carreira, como no caso do autoexplicativo Pedro, O Negro (1963).

O mesmo expediente é utilizado por Forman no clássico Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cockoo's Nest) - adaptado do livro de Ken Kesey. O microcosmo criado pelo diretor envolve o ambiente fechado de uma instituição para doentes mentais, onde os internos se mantêm enclausurados sob o comando da enfermeira-chefe Ratched (Louise Fletcher). A metódica rotina e as normas impostas pela instituição não se alteram até a chegada de um novo paciente, Randle McMurphy (Jack Nicholson, em um de seus melhores papeis da carreira). Randle é acusado de estupro de menor e chega ao local após simular um quadro de insanidade na prisão em que estava. Conforme os dias avançarem e o novato perceber as condições a que estão impostas os doentes que, nas aparências, vivem uma rotina normal - mas que sequer estão autorizados a assistir a uma partida de beisebol pela TV - é que Randle passará a questionar o conformismo estabelecido pela situação. E isto da maneira mais anárquica possível!




São inesquecíveis, por exemplo, as cenas em que Randle consegue escapar do sanatório levando a tiracolo um grupo de internos para fazer uma pescaria em alto-mar, ou mesmo a sequência em que é realizada uma festa de arromba em uma madrugada - com a conivência do funcionário do turno - com direito, inclusive, a perda da virgindade de um dos jovens pacientes. O personagem de Nicholson inegavelmente tem caráter duvidoso, como é possível perceber durante toda a projeção em suas pequenas artimanhas. Mas o que ele constata, em momentos de lucidez, é que os pacientes apenas precisam ser estimulados de outras maneiras, já que, em muitos casos, a dita loucura, não passa de uma espécie de desajuste social, que poderia ser corrigido de outras formas. E, nesse sentido, a cena em que o personagem Chief consegue fazer uma cesta em um prosaico jogo de basquete, quase é capaz de arrancar uma lágrima do olho do espectador mais coração mole, por representar um significativo avanço.

Analisada a partir desse contexto, é possível dizer que Forman realiza uma obra absolutamente equilibrada do ponto de vista dramático, nunca apelando para o melodrama barato, ou mesmo exagerando, em contraponto, nas cenas mais divertidas - que são muitas, é preciso que se diga! Ao mesmo tempo, não deixa de ser fascinante observar detalhadamente a interação dos coadjuvantes em tela - e há rumores de que o diretor teria se utilizado de verdadeiros doentes mentais em seu trabalho -, merecendo destaque a aparição de astros como Danny DeVito e Christopher Lloyd ainda jovens (e insanos!) e em início de carreira. Em um ano recheado de grandes filmes (e grandes atuações), como nos casos de Um Dia de Cão, Barry Lyndon e Tubarão, só pra citar alguns, esse verdadeiro clássico moderno conseguiu a proeza histórica de faturar as cinco principais categorias do Oscar - Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro Adaptado - algo que só havia ocorrido anteriormente em 1934, com Aconteceu Naquela Noite e que voltaria a acontecer, posteriormente, com o ótimo O Silêncio dos Inocentes (1991). O justo vigésimo lugar na lista de 100 Melhores do American Film Institute (AFI), publicada em 1998, também não deixa de ser uma bela credencial. Se você ainda não assistiu, faça um favor a si mesmo e assista. É um filmaço.

domingo, 6 de março de 2016

Disco da Semana: Nada Surf (You Know Who You Are)

O Nada Surf é uma simpática banda de pop rock norte-americana, cuja carreira decolou em 1996 com o hit Popular, com clipe rodando as MTV's do mundo todo. Sempre na ativa desde então, o grupo capitaneado por Matthew Caws vem lançando álbuns que tiveram discreto alcance entre o público, e o mesmo deverá acontecer com o oitavo disco de sua carreira - o recém lançado You Know Who You Are. Longe de ser um "arrasa quarteirão", Caws e companhia continuam fazendo aquilo que de melhor vem desenvolvendo até o momento: canções curtas, simples e diretas, com ênfase às melodias e de uma melancolia contida aos moldes de outras bandas como Teenage Fanclub (uma das favoritas aqui da casa, por sinal).

Baixando um pouco o volume das guitarras desta vez, temos o vocal doce (ao estilo de Alex Chilton, vocalista do Big Star) de Caws embalado por violões e guitarras limpas em uma atmosfera um pouco mais triste (porém nunca dramática) quando comparada às de outrora. Óbvio que o amadurecimento e a fase pessoal do artista contribuíram para o clima: o mesmo relatou em entrevista que as canções surgiram em formato acústico dentro de sua casa para "não atrapalhar o vizinho", cuja fina parede os separava. A sensação que temos ao ouvir a obra é a mesma da chegada da meia estação que se aproxima, aquele clima frio que nos leva à introspecção porém com momentos ensolarados.


Com apenas 10 canções, You Know Who You Are começa entregando o tom com Cold to See Clear, que narra as dificuldades de se manter com os "pés o chão" em momentos de tristeza e falta de rumo: o frio como catalizador para se enxergar as coisas de maneira mais clara, e o consolo que temos de poder sonhar ao ouvir canções no rádio para obtermos conforto quando a vida até então não nos supre essa necessidade. A linda e discreta Believe You're Mine versa sobre a possibilidade de um novo amor, mesmo de forma muitas vezes frustrada e sonhadora, porém real ao tirar o narrador de sua zona de conforto mesmo que idealizada. Friend Hospital encara a tristeza de forma mais direta, bem como as perdas a que todos temos que enfrentar, e o apoio dos amigos como sendo de natureza fundamental para estes momentos. A sequência com New Bird vem mais agitada, lembrando um pouco algumas canções mais antigas do grupo, enquanto a ensolarada Out of the Dark traz em sua letra esperançosa um sopro de candura para o ouvinte, com seus metais e backing vocals em talvez um dos melhores momentos do disco.

A segunda metade do álbum segue no mesmo clima, confortando o ouvinte com suas frases de guitarra e melodias angelicais. Da popíssima Rushing à acústica Animal e a guitarreira faixa-título, os minutos fluem de forma orgânica e uniforme. As derradeiras canções, a apaixonada Gold Sounds e o encerramento com Victory's Yours encerram o disco em uma nota positiva, deixando uma sensação de "e aí, já acabou?". Longe de soar como um disco conceitual, vemos aqui um punhado de canções que funcionam isoladamente, mas formando um conjunto em que todas se complementam e quando você vê já vai estar apertando o repeat para ouvir de novo. Sempre digo que música depende muito do contexto em que tomamos contato e posso afirmar que, mesmo sem grandes pirotecnias e inovações, o Nada Surf conseguiu criar um ótimo companheiro para fins de tarde e noites de solidão - o que já é uma grande coisa em dias tão nebulosos, não é mesmo? Bonito, muito bonito.

Nota: 7,0.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Lançamento de Videoclipe - Jaloo (Last Dance)

O músico paraense Jaloo lançou um dos discos mais legais do ano passado - intitulado #1 - e que, não à toa, figurou na nossa lista de 25 Melhores de 2015 - em uma honrosa oitava posição. Após lançar um vídeo para a canção A Cidade, agora é a vez da melancólica Last Dance receber clipe, dirigido pelo próprio artista - em parceria com o fotógrafo Junior Franch, responsável pela arte da capa do registro. Ao site Papel Pop, o artista - que faz uma mistura saborosa de música oitentista, tecnobrega e canção regionalista - afirmou que o clipe simboliza a morte. "É um transporte da capa do disco para o movimento, mostrando alguém que já viveu bastante, como se o personagem do disco tivesse vivido uma vida inteira e estivesse muito cansado, precisando descansar", explicou. Bora clicar?


Cinemúsica - Magnólia

One is the loneliest number that you'll ever do
Two can be as bad as one
It's the loneliest number since the number one (...)

One is the loneliest number, much much worse than two

One is the number divided by two

Li em algum lugar que viver é acumular tristezas. Ou que somos aquilo que perdemos.
As perdas tem o poder de definir-nos como pessoas, moldando nossas defesas frente ao mundo - são os muros reais ou metafóricos que construímos de modo a nos preservar como espécie frente a nossos pares, tão falhos quanto nossas atrapalhadas existências.

Difícil saber por quais situações o diretor Paul Thomas Anderson (responsável por Boogie Nights e Sangue Negro, dentre outros) passou para compor a obra-prima moderna Magnólia, em 1999, com apenas 29 anos de idade. Responsável pelo roteiro e direção do filme, Anderson inspirou-se nas canções da cantora e amiga Aimee Mann e na obra de Robert Altmann (influência confessa) para criar a sua tese através de histórias múltiplas de personagens que se chocam em momentos limites de suas vidas, em uma noite chuvosa na busca de redenção e afeto. E o resultado não poderia ser mais sublime ou tocante - tal qual uma chuva de canivetes (ou de sapos) rasgando a pele de quem atrever a se aventurar nas mais de 3 horas de duração da obra.

Parafraseando Beto Cupertino (Violins), Anderson inventou a própria missa para louvar o acaso e o absurdo humanos, ao iniciar narrando casos "estranhos", de coincidências que não, não podem ser somente "mais uma daquelas coisas" - algo que me fez remeter a um caso recente em mais um exemplo daquelas ironias inimagináveis (e trágicas) cujo roteiro de ficção algum seria capaz de criar.

A forma com que a música é utilizada aqui é bastante ilustrativa, com a melancolia e beleza das canções comentando pontos-chave da trama, a começar pela abertura pós-prólogo narrado em off com a evocativa canção One. Além disso, como esquecer da cena em que o antigo quiz kid Donnie Smith (interpretado de forma tocante e tragicômica por William H. Macy) adentra um bar sob a trilha de Goodbye Stranger, do Supertramp, e todo o clima da cena e suas expressões faciais revelam as verdadeiras motivações de seu personagem (sua paixão e, principalmente, expondo o motivo para o mesmo decidir colocar aparelho nos dentes mesmo sem precisar)? Como o mesmo revela: "eu tenho muito amor para dar, só não sei onde colocar as coisas" em um momento de vulnerabilidade pela qual (quase) todos já passamos alguma vez na vida.


Ao sequenciar de forma sufocante temas como traição, culpa, doenças (físicas e psíquicas), traumas, arrependimentos, relações familiares, amorosas e de trabalho, somos levados a uma espiral de emoções e sentimentos cujo sofrimento parece impossível escapar - e é justamente neste momento que o toque de midas do diretor se faz presente: e se em determinado momento uma epifania coletiva acontecesse? Eis que então surge a linda canção Wise Up, com sua letra ("isto não irá acabar / enquanto você não se tocar") entoada em coro pelo elenco, funcionando quase como um purgatório para as almas atormentadas, antecipando a catarse que há de vir.


Servindo como ponto de equilíbrio aos demais, os personagens do policial Jim (vivido de forma sutil e sensível por John C. Reily) e do enfermeiro Phil (Phillip Seymour Hoffmann - in memorian) representam a razão - este último em especial é o único a perceber a realidade absurda do evento derradeiro que precede o último ato, enquanto que o primeiro continua sofrendo a humilhação de ter perdido seu instrumento de trabalho (o revólver) em uma emboscada, o que acaba por revelar um aspecto vulnerável de sua personalidade até então não demonstrado.

E eis que no epílogo Anderson resolve fechar a sua ópera de maneira sensível, sutil e simples. Como diz um personagem em certo ponto da narrativa: foi uma história sem um fim, sem uma moral, sem clímax. Ao reconhecer isto, o diretor constrói uma rima belíssima e rica em significados ao colocar frente à câmera a personagem Claudia (a bela Melora Walters), cuja vida repleta de abusos desencadeou seu vício em drogas e uma loucura latente, culminando em sua internação após uma tentativa de suicídio por overdose, e seu pretendente (o agora novamente confiante Jim) que, de costas para a câmera, desencadeia um monólogo tocante em sua simplicidade e entrega frente àquela que, talvez, represente tudo o que vimos até aquele momento: uma pessoa de alma dilacerada e repleta de cicatrizes, com medo de ferir e ser ferida e, por isso mesmo, um "quase" desperdício de vida e beleza. E se digo "quase", é devido à surpreendente capacidade humana em insistir na busca de afeto e amor, mesmo frente às adversidades e justamente ao confiar naqueles que são os mais capazes de nos ferir e, paradoxalmente, nos salvar.


E que este sentimento venha representado atado em uma camisa de força, na eterna luta loucura x razão, é a prova de que Paul Thomas Anderson compreendeu, de forma surpreendentemente precoce, aquilo que nos move. E eu tenho certeza que, no olhar e sorriso final de Claudia para a câmera, temos o criador desta magnífica obra piscando para o espectador ciente de ter passado o seu recado... 





quarta-feira, 2 de março de 2016

Disco da Semana - Elton John (Wonderful Crazy Night)

Poucos artistas parecem ter tanto prazer naquilo que fazem em suas vidas como o cantor e compositor Elton John. Há exatos três anos tive a oportunidade de assistir a uma apresentação do ídolo no Estádio do Zequinha, em Porto Alegre. Era um show comemorativo aos 40 anos de lançamento de Rocket Man. QUARENTA ANOS. Não foi apenas uma aula de boa música, com Elton, como um verdadeiro gentleman, entregando para os fãs a nata da nata de suas melhores composições da carreira. Foi um verdadeiro tratado sobre gentileza com o público. De cortesia. De distinção. De delicadeza. De elegância. Enfim, de nobreza, apenas como um verdadeiro SIR (com todas as letras maiúsculas) poderia se portar diante de cerca de 20 mil pessoas que ali estavam para lhe ver. Todos os adjetivos, lhes digo, sempre serão poucos para definir o que é um show do Elton John.

O astro não apenas toca e canta, com a sua potente voz. Ele interage com o público. O afaga entre uma música e outra. Abre os braços. Aponta sorridente para este ou aquele sujeito que ele identifica na plateia, provavelmente emocionado por aquilo que está presenciando. Manda beijos, sempre que possível. Salta, pula, como um guri. Isso sem falar a pontualidade. O show, lembro bem, estava marcado para às 21h. Após um pequeno atraso de sete minutos, ele estava entoando as notas de Bitch is Back. Em nenhum momento das cerca de duas horas e meia de exibição e quase 25 músicas executadas ele pareceu cansado, de saco cheio ou louco pra ir pra casa. Pensa num cara a fim de fazer um troço! Era o Elton John naquela noite. O Dave Grohl também tem esse estilo. E esse respeito ao público deveria constar nas aulas da "escola de artistas" - se elas existissem. Você vai tocar às 22h num bar? Oras, comece a tocar as 22h nesse bar e honre as 50 pessoas que estão ali para lhe ver. É o mínimo.



Impressionante como a motivação do "véinho" - ele vai completar 69 anos no dia 25 de março (e não poderia haver idade mais sugestiva para a ilustrar o tesão que ele ainda sente por aquilo que faz) - também se estende aos seus mais recentes registros. E mais ainda ao recém lançado e absolutamente divertido e roqueiro Wonderful Crazy Night - 32º álbum da carreira. Se em alguns discos mais recentes como Songs From the West Coast e The Diving Board, Elton parecia navegar em águas mais tranquilas, a exemplo de álbuns mais voltados para as baladas, como Ice On Fire, Sleeping With the Past e The One, em Wonderful Crazy Night, o que parece valer é o bom e velho rock and roll, com pitadas de blues, country e jazz. Se não chega a ser um retorno a clássicos como Tumbleweed Conection, Honky Chateau e Don't Shoot Me I'm Only The Piano Player (o meu favorito), é possível dizer, sem risco de errar, que o tom festivo, ensolarado, urgente, com o piano rasgando cada composição, o deixa muito próximo de qualquer um desses petardos fonográficos.

O clima de balada retrô-cool fica ainda mais claro quando escutamos canções como Guilty Pleasure, Looking Up e a faixa título. Não à toa, essas canções não fariam feio ao lado de outras como Crocodile Rock, Saturday Night (Alright for Fighting), I'm Still Standing, Honky Cat, Philadelphia Freedom e Sad Songs (Say So Much), em uma eventual setlist mais "agitada" do artista. E a própria capa do registro, absolutamente colorida, vibrante e festiva parece convidar o ouvinte a ter uma espécie de "noite louca e maravilhosa". Sim, sei que vocês devem estar pensando "o Tiago é fã e como fã tá erguendo o ídolo". Mas não é só uma questão de 10 novas composições alegres e animadas - sem esquecer das boas baladas de sempre. É música bem executada, com produção caprichada - de T. Bone Burnett em sua terceira colaboração seguida -, vocal limpo e uma certa elegância kitsch (se é que essa dicotomia é possível), que sempre lhe acompanhou. Ou, se vocês preferirem é simplesmente gostar de boa música. E quem não gosta?

Nota: 8,3

terça-feira, 1 de março de 2016

10 Frases Impagáveis de Frank Underwood em House Of Cards

A quarta temporada de House Of Cards estreia na próxima sexta-feira (04/03) e nós, do Picanha, somos só expectativa para saber quais serão os próximos passos do protagonista Frank Underwood (Kevin Spacey), um dos nossos maus-caracteres preferidos! Enquanto a série - disponível na plataforma de streaming Netflix - não recomeça, a gente recorda nesse especial, 10 Frases Impagáveis do personagem que tanto amamos odiar!



#1 É muito mais refrescante trabalhar com alguém que sela um cavalo presenteado do que com alguém que examina a sua boca.

#2 São necessários apenas 10 segundos para esmagar as ambições de alguém. E, eu, preciso manter as minhas.

#3 Todo o gatinho cresce e se torna um gato. No começo parecem inofensivos, quietos, tomando leite no pires... Mas quando suas garras ficam longas o bastante, eles tiram sangue, às vezes da mão que os alimenta. E para quem está subindo ao topo da cadeia alimentar, não pode haver misericórdia.

#4 Toda terça-feira encontro-me com o Presidente da Câmara e com o Secretário Geral para discutir a agenda da semana. "Discutir", provavelmente é a palavra errada. Eles falam, enquanto eu fico calado, imaginando como seriam as suas caras fritas em uma frigideira.

#5 Em Gaffney, tínhamos a nossa própria forma de democracia: cumprimente com a mão direita, segure uma pedra com a mão esquerda.



#6 A estrada para o poder é coberta por hipocrisia e baixas. Nunca por remorsos.

#7 A única coisa mais satisfatória do que convencer alguém a fazer o que eu quero é não conseguir convencê-lo de propósito. É como uma placa de "Não Entre", que implora para que você entre ali.

#8 Nenhum escritor de respeito pode resistir a uma boa história. Assim como nenhum político pode resistir a fazer promessas que não pode cumprir.

#9 Sempre odiei a necessidade de sono. Assim como a morte, ele é capaz de derrubar até os homens mais poderosos.

#10 Freddie acredita que se uma geladeira cai de uma minivan em plena rodovia, enquanto ele está dirigindo, o natural é desviar do obstáculo. No meu caso, é a geladeira que deve sair do meu caminho.

Lançamento de Videoclipe - Chvrches (Clearest Blue)

Os escoceses do Chvrches lançaram um dos melhores discos de 2015, o efervescente, colorido e comercial Every Open Eye - que, não à toa, figurou na nossa lista de melhores trabalhos do ano passado. Fico aqui imaginando a dificuldade do grupo comandado pela graciosa Lauren Mayberry na hora de escolher qual das grudentas e radiofônicas canções vai ser selecionada para se tornar o single da vez. Após as ótimas Empty Threat e Leave a Trace agora foi a vez de Clearest Blue - com sua pegada com um pé no Erasure - ganhar vídeo de divulgação. O clipe, dirigido por Warren Fu, parece se passar em duas linhas temporais diferentes, com a vocalista aparecendo tanto em uma realidade alternativa, como em uma balada cool. Aumenta o volume, coloca o fone, que esta vale a pena ouvir no máximo! É só clicar!