segunda-feira, 20 de julho de 2020

Novidades no Now/VOD - Palm Springs (Palm Springs)

De: Max Barbakow. Com Andy Semberg, Cristin Milotti, J. K. Simmons e Peter Gallagher. Comédia romântica, EUA, 2020, 90 minutos.

O tema de Palm Springs (Palm Springs) não chega a ser exatamente uma novidade, já que volta e meia aparece alguma obra em que os personagens se veem metidos em loops temporais - sendo o ótimo Feitiço do Tempo (1993), um dos mais lembrados. Mas esse aqui, apesar da premissa não tão inovadora, tem boas piadas, diálogos divertidos e é um bom passatempo. Especialmente pelo carisma da dupla central, vivida por Andy Semberg (de Brooklyn Nine-Nine) e Cristin Milioti (de How I Met Your Mother) - o que talvez explique o hype a mais do filme. A trama nos joga para o dia em que vai acontecer um casamento. Cristin vive Sarah, a irmã da noiva que não parece estar muito feliz no decorrer da festa. Já Semberg é Nyles, o namorado de alguém da família que, de forma meio inesperada, vai vestido para o evento de havaiano, faz um discurso arrebatador e atrai a atenção de Cristin. Só que ao final da noite, ocorre o equívoco: ambos entram no tal portal, que fica dentro de uma caverna, após Nyles sofrer um estranho ataque. Os dois passam a reviver o mesmo dia. Repetidamente. Tendo consciência disso.

Só que diferentemente do que ocorre com Bill Murray no fatídico Dia da Marmota, a dupla terá de lidar JUNTA com essa situação. Pior, não demora para que a gente descubra que Nyles já está anos ali (talvez décadas, séculos) e de que a entrada de Sarah no portal foi uma espécie de acidente que lhe levou àquele dia que se repete indefinidamente. Não era pra ela ter atravessado a caverna. Mas ela entrou. Sem querer. E em geral é um dia feliz, uma grande festa está prestes a ocorrer. Todos estão num hotel luxuoso, há comida, bebida, sol, piscina, um clima bacana... mas todos os dias serão a mesma coisa! E, bom, parte da mensagem de Feitiço do Tempo se repete, com uma abordagem um pouquinho diferente nesse caso, já que a película do diretor estreante Max Barbakow nos faz refletir sobre família, rotina, desgaste dos relacionamentos e até hipocrisia da sociedade. Sim, numa comédia romântica é possível perceber estas nuances, especialmente depois que alguns segredos envolvendo aquele dia vem à tona.


E é claro que aquela situação será a desculpa perfeita para várias piadas engraçadas, que envolvem de tentativas de suicídio a alteração completa da lógica estabelecida no casamento. É preciso tornar aquele dia "vivo" afinal. Diferente de outro. Em certa altura Sarah viajará centenas de quilômetros longe do local. Fugirá. Voltará para a sua casa distante dali. Tentará não dormir. Amanhecerá no mesmo lugar. Indefinidamente. E a cada pequena mudança, com famílias preocupadas, situações modificadas, encontraremos motivos para gracejar do absurdo da situação. E a naturalidade com que Nyles encara o seu inevitável "destino" torna tudo ainda mais leve. Ele age, briga, grita, transa - impossível não rir sobre a diversidade de experiências testadas -, curte cada dia, tornando-o diferente. Mesmo no contexto de rotina. E essa fórmula acaba oxigenando permanentemente a narrativa.

É, afinal, entretenimento, com um brilho cativante! A fotografia é quente, a produção é enxuta e a trilha sonora é ótima - vamos combinar que um filme que abre com Forever and Ever do Demis Roussos dificilmente dá errado! Há ainda os coadjuvantes interessantes - sendo o mais marcante um veterano de guerra que faz parte da família e que é vivido pelo ótimo J. K. Simmons (e a sequência em que entendemos como ele entrou no portal é hilária). Mas o principal de tudo, como já dito, é a química do casal central, que faz tudo acontecer a contento. E, como a gente sempre fala: comédia romântica que funciona, é aquela em que a gente olha com carinho para a trajetória daqueles que acompanhamos, torcendo por eles, sentindo empatia. E é o que ocorre aqui. A obra está disponível na plataforma Hulu e, bom, vale demais.

Nota: 8,0

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