segunda-feira, 8 de abril de 2019

Grandes Cenas do Cinema - A Origem (Inception)

Filme: A Origem
Cena: Um pião que gira sem parar. Ou ele para?

Não houve absolutamente nenhum cinéfilo que, ao final de A Origem (Inception), de Christopher Nolan, não tenha se perguntado se Cobb, personagem de Leonardo DiCaprio, estava sonhando ou não na última cena do filme. As teorias são as mais variadas e em uma pesquisa rápida no Google será possível encontrar aqueles que acreditam se tratar de um devaneio e outros que creem estar diante da vida real. Eu mesmo acredito que ele estava sonhando, o que poderia ser comprovado pelos tipos de cortes utilizados na edição das sequências finais (eles mesmos brincam sobre o fato de nunca lembrarmos do começo de nossos sonhos), pelo fato de os filhos fazerem movimentos muito parecidos com aqueles que surgem nos sonhos e, especialmente, pelo fato de não ter havido um "chute", ao menos não visível para nós, que fosse capaz de retirar Cobb da quarta dimensão dos sonhos, onde ele encontrará Saito (Ken Watanabe).

Bom, o filme é uma obra-prima sobre os sonhos, com uma grande capacidade de tornar palpáveis ideias abstratas. E que tem, a meu ver, uma série de cenas antológicas que serão lembradas daqui a alguns pares de anos como algumas das mais inesquecíveis do cinema. E, para mim, a simples imagem do totem utilizado por Cobb - o famoso pião - no último instante, enquanto ele encontra os seus filhos, é daquelas que já tem a sua marca na história da sétima arte. A sequência é um primor de técnica, com a câmera saindo da imagem da família feliz que confraterniza ao fundo, para encontrar em um primeiro plano o pião que gira. E ele gira, tropegamente, para girar mais um pouco, mais um pouco e mais um pouco até que os créditos subam. E a gente fique com aquela cara de "caceta, o que foi que eu vi aqui?".



A questão envolvendo Cobb, a morte de Mal e a relação do casal com os seus filhos são parte importante da trama - e as seguidas "entradas" de Cobb no mundo dos sonhos para atividades de teste, fazem com que, não poucas vezes, realidade e ficção se confundam. Cobb integra uma equipe capacitada a invadir sonhos de pessoas importantes para, com o uso de uma tecnologia inovadora, roubar informações e segredos valiosos que estejam guardados no inconsciente das "vítimas". Após uma ação que não sai como o planejado, Cobb é contratado pelo magnata japonês Saito (Ken Watanabe) para entrar na mente de um herdeiro de um império econômico (vivido por Cillian Murphy) com a intenção de plantar uma ideia que o incentive a desmembrar os negócios da família - o que impediria o monopólio e a falência de outros conglomerados.

É uma trama nem sempre fácil de acompanhar e que provavelmente exigirá dos cinéfilos mais umas duas ou três revisões para uma plena compreensão daquilo que se assiste. Cobb conta com uma equipe - seu braço direito Arthur (Joseph Gordon-Levitt), a arquiteta Ariadne (Ellen Page), o mestre dos disfarces Eames (Tom Hardy) e o químico Yusuf (Dileep Rao) - para colocar o plano em prática. Em meio a execução, a imagem de Mal ressurge para "assombrá-lo", devendo ele recorrer ao pião como uma forma de compreender se está no mundo real ou não. A película é um espetáculo visual e sonoro (a gente nunca mais escuta a música Non, Je Ne Regrette Rein da Edith Piaf da mesma forma), não por acaso tendo sido premiada nas categorias Fotografia, Efeitos Visuais e Edição e Mixagem de Som, fora as outras indicações. Mas fora as premiações e o estupendo roteiro original, repleto de conceitos intrigantes e bem organizados, será a provocação final, aquela sobre o pião que roda, a que gerará as mais variadas conclusões. O que dá conta do potencial da cena, inesquecível desde o instante em que foi concebida.

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