sexta-feira, 10 de março de 2023

Apostas Oscar - 2023

Finalmente está chegando a premiação mais aguardada pelos fãs de cinema - o Oscar rola no próximo domingo (12/03), a partir das 20h com transmissão no canal TNT e também pela HBO Max. Como sempre acontece, a gente não conseguiu assistir a 100% das produções indicadas mas, de qualquer maneira, a gente arrisca aqui os nossos palpites, apostando em quem gostaríamos que ganhasse - e em quem achamos que efetivamente vence. Boa leitura e boa sorte pra todo mundo nos seus bolões!



FILME

Eu particularmente gosto demais quando a principal categoria da noite chega meio indefinida e desde que o sistema de votação mudou, com os integrantes da Academia selecionando ou seus preferidos em um sistema de escala - do décimo colocado ao primeiro, estabelecendo uma média geral - a impressão que dá é a de que tudo pode acontecer. Na corrida geral e levando-se em conta as premiações prévias, a impressão que se tem é a de que Os Banshees de Inisherin e Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo estão numa disputa meio que "cabeça a cabeça", com uma leve vantagem para o segundo (que cresceu muito na reta final, amparado especialmente pela ideia de diversidade, que foi reforçada desde a conquista de Parasita). Os Fabelmans e Nada de Novo no Front correm por fora e o caso é que qualquer coisa que acontecer vai ser legal.

Quem gostaria que ganhasse: Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (mas vou saltar do sofá se Nada de Novo no Front faturar)

Quem ganha: Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo


DIRETOR

Aqui os Daniels, de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, dão um pulinho na frente por terem vencido o prêmio do Sindicato dos Diretores, o que sempre pode ser um bom balizador. Só que também não podemos perder de vista que Martin McDonagh, de Os Banshees de Inisherin é uma espécie de queridinho dos votantes - ele lança poucos filmes, mas sempre alcança grande visibilidade. Ah, e correndo por fora ainda tem um tal de Steven Spielberg, não sei se vocês já ouviram falar.

Quem gostaria que ganhasse: Ruben Ostlund (seria muito diferente ver o diretor de Triângulo da Tristeza ter de improvisar um discurso meio que do nada!)

Quem ganha: Daniel Kwan e Daniel Scheinert, por Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo


ATOR

O sindicato dos Atores premiou Brendan Fraser pelo seu esforço no horroroso A Baleia - e, em caso de bolão, essa seria a aposta mais segura. Só que o problema do astro que renasceu com essa obra é o filme mesmo, que é uma bomba (sempre tem aquele pequeno problema que se chama ESTRÉIA e aí as pessoas passam a perceber qual é a real em um projeto). Se na reta final isso vai ser suficiente para que Colin Farrel, por Os Banshees de Inisherin ou Austin Butler por Elvis (que ganhou o Bafta) alcancem uma virada, só a noite de domingo nos dirá. Talvez uma das categorias mais complicadas para o bolão.

Quem gostaria que ganhasse: Austin Butler, por Elvis

Quem ganha: Brendan Fraser, por A Baleia


ATRIZ

Tudo indicada a vitória de Cate Blanchett por Tár - ela enfileirou uma série de conquistas nas prévias, entre elas o Bafta. Mas Michelle Yeoh por Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo meio que embaralhou de última hora a disputa, ao faturar o prêmio do sindicato. Cate já tem duas estatuetas no armário e Michelle nunca havia sido indicada antes, apesar de ter uma carreira longa e de prestígio. E aí? Vocês se arriscam a dizer qual das duas a Michelle Williams estará aplaudindo nas primeiras fileiras?

Quem gostaria que ganhasse: Cate Blanchett, por Tár

Quem ganha: Cate Blanchett, por Tár


ATOR COADJUVANTE

Aqui talvez esteja uma das maiores barbadas da noite pra quem vai participar dos bolões: Ke Huy Quan por Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo faturou uma boa quantidade de premiações prévias, entre elas a do Sindicato - algo que nem a vitória de Barry Keoghan no Bafta pode alterar. Além de tudo, nessa categoria tem aquela história de volta por cima que a Academia ama, já que Quan foi um ator mirim de sucesso e, depois, meio que deu uma desaparecida (ao menos das grandes produções). Aqui pode ir na fé que não tem erro.

Quem gostaria que ganhasse: Ke Huy Quan, por Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

Quem ganha: Ke Huy Quan


ATRIZ COADJUVANTE

A sequência de Pantera Negra foi um dos filmes que não consegui (ou não quis mesmo) assistir até o dia de hoje e, ao que tudo indica ela deve levar a premiação - até pelo seu prestígio, reforçado pelo prêmio da crítica. Só que tem um detalhe: Jamie Lee Curtis por Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo levou o prêmio do sindicato. Já Kerry Condon, que adoraria ver ganhar, pegou o Bafta. O que gera um certo suspense na coisa toda, não podemos negar.

Quem gostaria que ganhasse: Kerry Condon, por Os Banshees de Inisherin

Quem ganha: Angela Bassett por Pantera Negra: Wakanda pra Sempre


ANIMAÇÃO

Pinóquio de Guillermo Del Toro venceu o Annie, um dos principais balizadores da categoria e tudo indica que vai ser ele mesmo, dado o espero e o carinho do diretor com o projeto - e vamos combinar que é, de fato, um filmaço. As vitórias no Bafta, no Critics Choice e em outras premiações também parecem ser grandes credenciais que praticamente dão como certa a vitória. A pulguinha atrás da orelha? Marcel the Shell With Shoes On vencer a categoria Filme Independente no mesmo Annie. Já Gato de Botas 2 tem o carinho do público. Ainda assim, acho que tudo isso é insuficiente.

Quem gostaria que ganhasse: Pinóquio de Guillermo Del Toro

Quem ganha: Pinóquio de Guillermo Del Toro



ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM

Dos três que assisti o que mais me apaixonei foi O Menino, A Toupeira, a Raposa e o Cavalo que, além de ter uma forte campanha da Apple TV+ por trás - ela comprou os direitos, tem ainda o envolvimento de gente grande da Indústria. É um projeto afetuoso que, de quebra, ainda faturou o Annie de Produção Especial. Só que Ice Merchants, que ainda não vi e que tá sendo bem falado, conquistou o prêmio de Melhor Curta-Metragem, no mesmo Annie. Só que, detalhe: O Menino, A Toupeira, A Raposa e O Cavalo não estava indicado. Ao cabo, essa é sempre a famosa categoria "embola bolão".

Quem gostaria que ganhasse: O Menino, A Toupeira, a Raposa e o Cavalo

Quem ganha: Ice Merchants


ROTEIRO ORIGINAL

Ainda que o roteiro de Os Banshees seja absolutamente original, o fato é que Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo faturou o prêmio do Sindicato. Ele está na frente por causa disso? Em partes, já que o Bafta foi pro primeiro. É tudo tão nebuloso aqui que até as vitórias de Tár, ou mesmo do excêntrico Triângulo da Tristeza não estão descartadas. Ah, e tem o Spielberg no meio. Sei lá também. Boa sorte pra vocês nas apostas.

Quem gostaria que ganhasse: Triângulo da Tristeza

Quem ganha: Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo


ROTEIRO ADAPTADO

Aqui talvez esteja o prêmio "consolação" pra Entre Mulheres, que faturou o prêmio do Sindicato, além do Critics Choice. O Bafta foi pra Nada de Novo no Front. Em ambos os casos eu não li o material fonte, então é aquela coisa: aposta a distância, levando-se em conta o que as prévias indicam.

Quem gostaria que ganhasse: Nada de Novo no Front (até mesmo porque é um filmaço)

Quem ganha: Entre Mulheres


CURTA LIVE ACTION

Sinceramente essa sempre é uma das categorias mais complicadas, inclusive, de encontrar os indicados - e aí haja paciências para os "caminhos alternativos". O único que está disponível nas plataformas de streaming é o Le Pupille, que pode ser conferido no Disney+. Disney, mais forte campanha, mais obra simpática, com tema relevante. Parece uma combinação impossível de errar. Em uma categoria que normalmente decide bolões. Só que An Irish Goodbye levou o Bafta.

Quem gostaria que ganhasse: Le Pupille

Quem ganha: Le Pupille


DESENHO DE PRODUÇÃO

Babilônia venceu na categoria Desenho de Produção pra Filmes de Época no Sindicato, além de outros prêmios, como o Critics. Isso o coloca na frente na corrida - e vamos combinar que todo aquele caos que conferimos no filme só se torna crível por conta desse esforço de recriar a Hollywood dos anos 20 e 30 (e é o maior mérito da produção). Elvis, e o perfil sempre festivo, maximalista e espalhafatoso de Baz Luhrman correm por fora. Assim como Nada de Novo no Front, que nos faz sentir efetivamente num campo de batalha. É uma categoria boa, divertida. Que pode surpreender.

Quem gostaria que ganhasse: Babilônia

Quem ganha: Babilônia


FIGURINO

Elvis pula na frente por ter vencido premiações prévias como o Bafta e o prêmio do sindicato - e vamos combinar que o trabalho de Catherine Martin é soberbo. Só que não se pode descartar uma vitória de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, já que Ruth Carter chega com a credencial de já ter vencido o prêmio pelo filme anterior. Por fim, ainda há a possibilidade de Babilônia ser prestigiado em mais categorias técnicas. Ou seja: tudo indefinido.

Quem gostaria que ganhasse: Elvis

Quem ganha: Pantera Negra: Wakanda Para Sempre




DOCUMENTÁRIO

Vou ter de admitir a vocês que não assisti ao All the Beauty and the Bloodshed, que parece ser o favorito, ainda que não tenha ido tão bem assim nas premiações prévias - o que pode sugerir certa perda de força na reta final. O Bafta e o prêmio do Sindicato foram para Navalny, que tem força especialmente em meio a campanha antiguerra (e anti Putin também). Dos que assisti ia gostar demais de ver o Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft levando o prêmio pra casa - e a vitória no sindicato dos diretores dá aquela pontinha de esperança.

Quem gostaria que ganhasse: Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft 

Quem ganha: Navalny


DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

Mais uma categoria destruidora de bolões e aqui o meu palpite leva em conta o fator Netflix, que adquiriu os direitos de Como Cuidar de Um Bebê Elefante e O Efeito Martha Mitchell. A diferença em favor do primeiro: a obra é puro carisma. Quase irresistível.

Quem gostaria que ganhasse: Como Cuidar de Um Bebê Elefante

Quem ganha: Como Cuidar de Um Bebê Elefante


MELHOR SOM

Um filme de guerra, contra um filme de ação/aventura, contra um musical. Com direito a premiações prévias meio distribuídas (inclusive com distribuição de estatuetas no Motion Picture Sound Edition). Toda a minha admiração pra quem for capaz de cravar essa vitória!

Quem gostaria que ganhasse: Nada de Novo no Front

Quem ganha: Top Gun Maverick


FOTOGRAFIA

Nas premiações prévias tudo indica que a decisão ficará entre Elvis e Nada de Novo no Front - e vamos combinar que ambos os filmes dependem muito da fotografia pra estabelecer algum tipo de diálogo entre o que vemos em cena. Tár e Império da Luz - que envolve o fator Roger Deakins - correm por fora. Ou seja, sem certeza de nada.

Quem gostaria que ganhasse: Nada de Novo no Front

Quem ganha: Elvis


EDIÇÃO

Vamos combinar que um filme como Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo poderia ser um completo desastre, se não fosse a excelente edição - e os prêmios no Bafta e em outras premiações prévias consolidam um certo favoritismo. Os demais correm por fora com uma leve vantagem pra Top Gun: Maverick, que também executa um excelente trabalho de montagem - sendo inclusive parte importante da narrativa (basta lembrar dos lindos flashbacks bem costurados). No mais, outra coisa seria zebra.

Quem gostaria que ganhasse: Top Gun: Maverick (acho que seria uma forma de prestigiar a obra)

Quem ganha: Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo 


EFEITOS VISUAIS

Avatar: O Caminho da Água faturou tudo quanto é prêmio nas prévias e é difícil a estatueta fugir das mãos da equipe de James Cameron. Talvez aqui esteja uma das quase raras barbadas da noite.

Quem gostaria que ganhasse: Avatar: O Caminho da Água

Quem ganha: Avatar: O Caminho da Água



MAQUIAGEM

Muito se falou sobre a maquiagem de A Baleia e, sim, dava um trabalhão danado converter o Brendan Fraser em um sujeito de quase 300 quilos. Mas não percamos de vista o fato de que Elvis também envolveu uma série de transformações corporais, além de ser mais completo e permanente durante todo o filme nesse quesito (inclusive com mais variações). Nas premiações prévias, como sindicato e Bafta, deu Elvis.

Quem gostaria que ganhasse: Elvis

Quem ganha: Elvis


FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

O Bafta foi pra Nada de Novo no Front. Já o Globo de Ouro foi pra Argentina 1985. Só que o fato de o primeiro ter recebido diversas outras indicações, inclusive de melhor filme, pesa muito. Deve ser o vencedor, em muita margem pra erro. Em tempo, essa é sempre uma categoria de filmes maravilhosos e ia achar simplesmente emocionante ver The Quiet Girl ou Close vencendo.

Quem gostaria que ganhasse: Close

Quem ganha: Nada de Novo no Front


CANÇÃO ORIGINAL

As prévias estão meio distribuídas e fica a dúvida: Naatu Naatu de RRR conseguirá surpreender e superar o prestígio de Rihanna e Lady Gaga, que concorrer por Pantera Negra: Wakanda Forever e Top Gun: Maverick respectivamente?

Quem gostaria que ganhasse: Naatu Naatu (RRR)

Quem ganha: Naatu Naatu (RRR)


TRILHA SONORA ORIGINAL

O fator John William pode pesar em favor dos Fabelmans na reta final, mas ainda considero que a trilha sonora de Nada de Novo no Front nos possibilite um verdadeiro mergulho nesse cenário de guerra proposto pelo filme. Mas não devemos descartar Babilônia, até porque o aparato técnico da obra é justamente o forte dela.

Quem gostaria que ganhasse: Nada de Novo no Front

Quem ganha: Nada de Novo no Front


Boa premiação pra todos nós, galera!

quinta-feira, 9 de março de 2023

Pitaquinho Musical - Kali Uchis (Red Moon In Venus)

Falar de paixão, de amor (e de tesão) quando o assunto é música pode até ser um lugar comum. Mas não para Kali Uchis. Afinal de contas, tem que ter muita autoestima e senso de preservação para se libertar de uma pessoa sem ficar ressentido ou amargo - como ela faz, por exemplo, no single I Wish You Roses (Mas se você e meu coração algum dia forem em caminhos diferentes / Vou me certificar te dar essas bênçãos, pois elas são tudo o que tenho), que integra seu envolvente terceiro trabalho, Red Moon In Venus. Aliás, a lua vermelha em Vênus é a deixa para um registro que mistura, em sua trajetória, desejo, desgosto, fé e honestidade. "Muitos astrólogos acreditam que a lua de sangue pode fazer as emoções girarem e foi isso que senti que esse trabalho representa", explicou a artista no material de divulgação.


O resultado é uma diversidade de composições poéticas que mesclam dores e alegrias, sempre banhadas com uma ambientação cósmica, quase etérea. Misturando R&B, afrobeat, disco music, soul, pop e psicodelia, Uchis é pura classe mesmo quando seus versos soam bastante realistas no que diz respeito aos relacionamentos. Ainda assim, não significa que o amor não está em alta. Ele vai e vem e ondula sempre amparado pela voz sussurrante da artista. Um bom exemplo disso pode ser encontrado na noventista Blue, com seu refrão pegajoso, quase como uma súplica (Por que qual o objetivo de todas as coisas do mundo se eu não tenho você?). Vulnerabilidade, confiança, desejo, querer escapar para algum lugar onde apenas se possa ficar "chapado" com quem você ama. Para a artista o amor é uma experiência completa. E só se vive ela mergulhando de cabeça.

Nota: 8,5


quarta-feira, 8 de março de 2023

Curta Um Curta - O Menino, A Toupeira, A Raposa e o Cavalo (The Boy, the Mole, the Fox and the Horse)

"Vocês me conhecem por completo, né? Sim. E vocês ainda me amam? Ainda mais."

Um dos projetos mais afetuosos, gentis e carismáticos lançados nesse ano. Assim pode ser resumido O Menino, A Toupeira, A Raposa e o Cavalo (The Boy, the Mole, the Fox and the Horse), animação em curta-metragem que é uma dos favoritas ao Oscar desse ano em sua categoria. Visualmente bela, a obra dirigida por Peter Baynton e que está disponível na Apple TV+, acompanha um menino que se vê perdido em um amplo descampado coberto por neve, no meio do nada. De forma meio inesperada ele faz amizade com uma amistosa toupeira apaixonada por bolo, que lhe auxiliará na tentativa de encontrar o caminho de casa. No trajeto, eles enfrentarão uma série de obstáculos, como frio, tempestades, sensação de isolamento e até "inimigos" que surgem em meio à natureza.


Absolutamente adocicada, otimista e cheia de lições sobre amadurecimento, a obra trem sido criticada por parte do público que tem considerado meio exageradas as diversas frases de autoajuda que surgem no decorrer da narrativa e que parecem escritas por algum tipo de coach. Só que não podemos perder de vista que, ao cabo, trata-se de uma obra infanto-juvenil que é baseada em um livro do escritor Charlie Mackesy. E, vamos combinar, a construção se dá de forma tão delicada e singela que é simplesmente impossível não se sentir tocado pela experiência. Em certa altura o menino chora e pede desculpas ao cair durante uma cavalgada com seu amigo cavalo. Ao que este retruca, reanimando-o: "As lágrimas caem por uma razão. Elas são a sua força e não a sua fraqueza". Sério, é impossível não se comover. Dos curtas de animação que vi, é meu favorito na luta pela estatueta dourada.


Cinema - Entre Mulheres (Women Talking)

De: Sarah Polley. Com Claire Foy, Jessie Buckley, Rooney Mara, Ben Whishaw e Frances McDormand. Drama, EUA, 2022, 104 minutos.

Existe uma sequência ao mesmo tempo sutil e consistente na hora de evidenciar o tipo de violência que sofrem as mulheres que protagonizam Entre Mulheres (Women Talking) - obra que está em cartaz nas salas do País e é uma das indicadas à categoria Melhor Filme no Oscar que ocorre no próximo domingo. Nela, Greta (Sheila McCarthy), uma das anciãs do grupo, retira a sua prótese dentária da boca, afirmando que tem dificuldade em se adaptar à ela, por esta ser "muito grande". Seria uma sequência despretensiosa, talvez, não fosse um flashback que a mostra aos prantos, com a boca ensanguentada. Aliás, um dos méritos de Sarah Polley (do ótimo Longe Dela, 2006) na construção da narrativa é o de não apostar necessariamente na violência gráfica exibida o tempo todo, para fazer valer o seu argumento. Nessa comunidade o histórico de agressões está em um segundo plano, mas ele é motivo central. Ele existe. E é preciso fugir. Ou ficar e lutar.

Confesso que não tinha lido muito sobre a obra até assisti-la e admito que fui pego de surpresa quando, lá pelo meio do filme aparece um carro de som alertando os moradores da localidade para que saiam de casa para responder ao censo. Detalhe: censo de 2010. Sim, por que quando a história começa - sob o lembrete de ser "um exercício de imaginação feminina" - temos a impressão de que iremos acompanhar algum tipo de narrativa que remonta ao passado. Ao século 18 ou 19, ou a alguma período em que as mulheres estavam em plena luta por direitos iguais. Mas não é demais lembrar que em 2010 - ou mesmo em 2023, nesse tempo em que coachs redpillados com masculinidade frágil, ganham a vida sendo misóginos - o debate sobre feminismo e equidade de gênero segue em alta. A trama de Entre Mulheres, aliás, toma por base o texto original de Miriam Toews que se baseia em eventos reais que envolveram uma comunidade cristã da Bolívia.


Aliás, a religião aqui é peça chave na condução da narrativa. No começo do filme, após a denúncia de mais um episódio de abuso sexual contra as mulheres de uma comunidade fechada, sem praticamente nenhum contato com o mundo exterior, as moradoras do local se reúnem em um celeiro para uma espécie de votação em que determinarão o que farão dali pra frente, quando o homem que foi preso provisoriamente, retornar ao convívio delas. Conforme os diálogos avançarem, perceberemos que perdoar será um exercício mais do que necessário para que seja garantida a misericórdia divina. O medo move todas ali. Mas é preciso construir uma ideia de forma coletiva. Em vinte e quatro horas. Antes que tudo volte a ser como era. Com os episódios de estupro, torturas, incesto, pedofilia e outros tipo de violência, voltando à "rotina".  Ao cabo, trata-se de uma obra sobre o poder do diálogo. E sobre a importância da representatividade. Como construir uma comunidade mais justa e igualitária onde às mulheres possam alcançar direitos básicos como poder ler? Escrever? Participar das decisões? Votar? Pensar de forma coletiva?

Com um elenco soberbo, o filme evolui em meio a diálogos ternos, impactantes e em alguns momentos até divertidos que evidenciam ainda a importância da sororidade e do respeito às diferenças como forma de alcançar um objetivo maior. Salomé (Claire Foy), por exemplo, é mais impetuosa e está de saco cheio das coisas como acontecem ali. Já Mariche (Jessie Buckley) tem dificuldade em estabelecer uma linha limite entre a submissão ao marido e a reparação desejada, tendo ainda duas filhas pra criar. Por outro lado Ona (Rooney Mara) sugere uma certa independência de quem se pretende mãe solo de um filho que sequer foi desejado. São muitas e diversificadas vozes que são completadas por exemplo com a traumatizada Mejal (Michelle McLeod) e pela não binária Melvin (August Winter). Todas colocando no papel os prós e contras de ficar e lutar ou simplesmente deixar o passado pra trás, subir nas carroças e buscar uma nova vida em outro local. "Sua história será diferente da nossa" relembra a narradora ainda no começo do filme. E reconfigurar papeis em tempos tão reacionários e conservadores como os nossos, deve ser um movimento permanente. E, assim esperamos, sem retrocessos.

Nota: 8,0


segunda-feira, 6 de março de 2023

Cinema - Tár

De: Todd Field. Com Cate Blanchett, Nina Hoss, Sophie Kauer, Némie Merlant e Mark Strong. Drama, EUA, 2022, 158 minutos. 

Em uma das tantas ótimas sequências de Tár, a maestrina Lydia Tár (Cate Blanchett) discute longamente com Max (Zethphan D. Smith-Gneist), um dos seus alunos no conservatório Julliard sobre a possibilidade de reger uma obra de Johann Sebastian Bach. De forma meio envergonhada, tímida - o que é explicitado pela insistência de seu movimento de pernas (que sugere certo nervosismo) -, Max se enche de coragem para dizer à Lydia que não possui nenhum interesse em Bach. "Honestamente como uma pessoa de cor, não binária, eu diria que a vida misógina de Bach torna meio impossível para mim levar sua música a sério". Lydia na sequência debocha do assunto lembrando que, sim, Bach deixou 20 filhos para o mundo. Assim como um volume considerável de composições. O que a faz questionar em seguida o que as suas prodigiosas habilidades no leito conjugal teriam a ver com sua arte. Bach, que nasceu em 1685 e talvez seja um dos mais importantes compositores e regentes da história, é, aparentemente o mais novo cancelado. Vamos subir a hashtag #bachmisogino no Twitter!

Pode até soar como tema menor dentro de uma obra tão cheia de floreios, de magnitude e de volúpia como é o caso dessa, mas a atual cultura do cancelamento e as decorrentes campanhas de ódio que se instalam com facilidade galopante nas redes sociais com o intuito de destruir reputações, parece estar no cerne do filme de Todd Field - do ótimo (e distante) Pecados Íntimos (2006). O assunto, aqui e ali, retorna à narrativa, seja em meio a uma discussão prosaica sobre Schopenhauer, que teria jogado uma mulher da escada no passado (!) - "não está claro se essa falha pessoal seria relevante para o seu trabalho", recorda Andris (Julian Glover), espécie de mentor intelectual de Lydia -, ou seja em meio a um debate sobre Gustav Mahler que, com seu comportamento machista, talvez tivesse barrado a ascensão de sua própria esposa, Alma, à época. Exemplos de artistas com vidas pessoais no mínimo questionáveis e obras de arte irretocáveis não faltam. O que fica como legado? Pelo que eles serão lembrados no futuro? No frigir dos ovos, Lydia afirma a Max que a música feita por homens brancos e heterossexuais de antigamente também podem gerar sublimação. Elevação. Especialmente quando os novos condutores conferem à essas composições a sua personalidade.


Só que o problema para a própria Lydia Tár é que ela não está vivendo no Século 17. Ou não está tentando cavar um espaço em meio a uma sociedade tão abissalmente patriarcal como a de outrora. Nesse sentido, caberia a ela participar mais ativamente dessa discussão? Levantar essas bandeiras? Ou fazer como na conversa com Max? No decorrer de pouco mais de duas horas da obra, perceberemos não apenas a complexidade da experiência humana - com suas virtudes, falhas e múltiplas facetas. Quando começa, o filme leva mais de cinco minutos lendo a impecável biografia da maestrina, repleta de feitos notáveis e de grandes contribuições para as artes, para a cultura, para a educação, para o mundo. Com direito até mesmo a apresentações gratuitas durante a pandemia. Mais adiante, nos depararemos com seus desvios de caráter, suas fraquezas morais, que sugerirão uma personalidade egocêntrica que, talvez, esteja utilizando de sua fama para agir como uma verdadeira predadora sexual, que coopta jovens musicistas, descartando-as a seu bel prazer (ou conforme ela se sinta satisfeita de alguma forma). O que, em tempos de redes sociais fervorosas e campanhas permanentes de ódio pode significar facilmente a ruína.

Não, não estou passando pano, mas de alguma forma nunca fica claro se Lydia Tár agia como agia (não me cancelem por ter dúvida, por favor, também não sei se Bach era mesmo misógino). Há uma montagem em vídeo com o claro propósito de lhe prejudicar. Comportamentos ambíguos - especialmente como resposta a uma tragédia. Só que Field constroi esse ambiente de tensão crescente de forma sutil, inteligente, sem muita pressa. Ocupando os espaços aos poucos. Preenchendo a tela. Há, por exemplo, os barulhos discretos e crescentes que vão surgindo na casa da protagonista, que poderiam sugerir, de forma alegórica, uma espécie de rima para aquilo o burburinho de sua alma. Há túneis geometricamente infinitos, que parecem sem saída. Ambientes claustrofóbicos, fechados. Tudo acompanhado de uma elogiável tapeçaria linguística, uma grande eloquência poética, que faz com que realizemos um verdadeiro mergulho nos bastidores da arte (seus trejeitos, políticas, investidores, burocracias, jogos de interesse). E há ainda as interpretações, com destaque para Blanchett que, talvez, fature seu terceiro Oscar da carreira. Ao cabo, é uma experiência intensa, daquelas que reverbera e que sai para além dos limites do seu meio. E que talvez chegue às redes sociais. Lydia Tár foi cancelada! Vocês se lembram disso? Ou só da música dela? Pesquisem. E tirem suas conclusões. 

Nota: 9,0


sexta-feira, 3 de março de 2023

Picanha.doc - Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft (Fire of Love)

De: Sara Dosa. Com Katia Krafft, Maurice Krafft e Miranda July. Documentário, Canada / EUA, 2022, 93 minutos.

"Prefiro uma vida curta e intensa a uma longa e monótona". (Maurice Krafft)

Se tem uma coisa meio mágica nos documentários indicados ao Oscar - que, inevitavelmente, são os que atraem a atenção de um público maior -, é a possibilidade de tomar contato com histórias que nem sempre são tão conhecidas. Ao menos para nós, brasileiros. E é exatamente esse o caso de Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft (Fire of Love), que está disponível na plataforma Disney+. Na trama acompanhamos parte da fascinante história de Katia e Maurice, dois cientistas que se veriam unidos por uma paixão em comum: os vulcões. Com uma rica coleção de imagens de arquivo - que podem até não ter tanta qualidade, mas que são invariavelmente impressionantes -, o filme da diretora e roteirista Sara Dosa captura a rotina de ambos, indo no limite entre o perigoso e o poético, entre o ousado e o majestoso. Num tipo de investigação que, de alguma forma, também serve como uma espécie de metáfora para a natureza eventualmente curiosa do ser humano. 

O caráter praticamente indomável e imprevisível dos vulcões não significará jamais um limite para a dupla. Que se aproximará bastante desses "organismos" em busca de fragmentos de rochas, restos de cinzas, gases e de outros materiais para estudo. Como foram pioneiros na captura de imagens de vulcões em erupção, o resultado é uma verdadeira coleção de rios de lava, explosões pirotécnicas, crateras gigantescas e nuvens voluptuosas de fumaça que formam uma espécie de balé tão onírico quanto inesperado. Diante de um cenário em que a maioria das pessoas tentaria se afastar, eles se aproximam, com seus equipamentos, barracas e outros. O que os converteria em figuras bastante populares entre os anos 60 e 80, com diversas aparições em programas de TV, documentários produzidos e outros registros produzidos. Aliás, fundamental nos tempos atuais, o trabalho dos Krafft serviu para chamar a atenção dos riscos que envolvem as comunidades existentes em regiões com vulcões ativos.



Um bom exemplo disso envolve a conhecida Tragédia de Armero, na região de Tolima, na Colômbia, no ano de 1985. Na ocasião o vulcão Nevado del Ruiz entrou em erupção após quase 70 anos de dormência e, ainda que as autoridades locais tenham sido alertadas para os riscos, os fluxos piroclásticos resultariam na morte de mais de 23 mil pessoas, com os deslizamentos de lava, terra e outros detritos alcançando cerca de 50 quilômetros por hora. O segundo desastre vulcânico mais mortal da história, diga-se. E por mais traumático e dolorido que o episódio tenha sido, ele serviu para chamar a atenção do mundo para a importância do trabalho dos vulcanólogos, de geólogos e de químicos. O que ampliaria o investimento em sistemas de alerta e eventuais planos de evacuação, quando necessários. Com esse "dedinho" de ciência também tendo a participação do casal, com sua infinita coleção de registros.

Apostando em uma espécie de alegoria entre o calor o amor, entre o ardor e a paixão, o filme registra Katia e Maurice como espíritos independentes que, ainda que cheios de diferenças, se uniriam em volta de estudos de estruturas geológicas imponentes, como os vulcões Mauna Loa, Stromboli, Santa Helena e mesmo o Unzen, no Japão, que lhes tiraria a vida em 1991, após serem surpreendidos por uma inesperada mudança na direção do vento e do clima no dia de sua erupção. Com trilha sonora de Nicolas Godin (da dupla francesa Air) e narração da multiartista Miranda July, a obra foca no legado dos Krafft, de forma bem humorada e até tensa - como no instante em que Maurice resolve navegar sobre uma lagoa de ácido sulfúrico a bordo de um bote. Curioso, experimental e eventualmente filosófico o filme surpreende também por nunca soar enfadonho, excessivamente didático ou cansativo. Vae conferir. 


Curta Um Curta - Haulout

Quais os caminhos para abordar os impactos das mudanças climáticas no mundo de forma sutil, mas envolvente? Talvez o pequeno documentário em curta-metragem Haulout, que está disponível no Youtube, possa ser parte da resposta. Um dos indicados em sua categoria para a edição do Oscar desse ano, o filme dirigido por Maxim Arbugaev e Evgenia Arbugaeva nos joga para uma região remota do Ártico - uma espécie de praia gelada -, onde conhecemos um solitário biólogo marinho (seu nome também é Maxim), que monitora as atividades do local. De maneira inesperada ele verá a sua cabana envolta por milhares de morsas, que procuram algum refúgio diante do aumento da temperatura na região. Muitas delas morrerão.


Se já não bastasse o sentimento desalentador de isolamento, a ocorrência tornará tudo ainda mais claustrofóbico. Praticamente impedido de sair de sua habitação, Maxim passará a ser acompanhado em sua rotina pelos animais barulhentos que, devido a temperatura inadequada do oceano, não conseguem sair dali. É uma obra dura que mostra como a natureza cobra seu preço. E de como provavelmente estamos em uma corrida contra o relógio na tentativa de refrear os desastres ambientais. Quase não há diálogos. As sequências são gélidas, palpavelmente frias. Até mesmo doloridas em alguma medida. Um desavisado poderá achar tudo apenas estranho, ou inusitado. Mas o letreiro do final dará conta de esclarecer. Tão contundente quanto trágico.


quinta-feira, 2 de março de 2023

Cinema - A Baleia (The Whale)

De: Darren Aronofsky. Com Brendan Fraser, Hong Chau, Sadie Sink e Samantha Morton. Drama, EUA, 2022, 117 minutos.

Pobre coitado desse protagonista de A Baleia (The Whale). Afinal de contas a culpa católica para Charlie (Brendan Fraser) parece ser tanta que a única forma de encontrar algum tipo de redenção talvez seja pagando com a própria vida. Ou ao menos esse parece ser um dos subtextos dessa alegoria meio torta proposta por Darren Aronofsky que, desde Cisne Negro (2010) não acerta a mão. Baseada em uma peça de teatro de Samuel D. Hunter, a trama acompanha um recluso professor de inglês com obesidade mórbida que se esforça para tentar se aproximar de Ellie (Sadie Sink), a sua única filha adolescente. O que envolve reservar à jovem - que não consegue esconder a repulsa que sente pelo próprio pai -, todo o dinheiro que ele guardou (cerca de US$ 120 mil). Aliás, dinheiro que poderia ser aplicado em uma série de tratamentos que provavelmente prolongariam a vida do sujeito - que sofre de uma severa condição cardíaca.

Só que o fato é que Charlie tem uma "mancha" em seu passado que envolve o abandono da família quando Ellie tinha apenas oito anos, para que ele pudesse viver um relacionamento com um de seus alunos. Um tipo de evento que, em cidades pequenas, pode ser ainda mais traumático - ainda mais quando o componente religioso parece estar de vigília a cada esquina. Ellie garante que a ojeriza ao pai nada tem a ver com a sua aparência. E confesso que lá pela décima vez em que ela verbaliza o seu ódio meio que dá uma cansada. Por que não podemos confundir empatia com pena. E Aronofsky parece forçar tanto a barra, pesar tanto a mão para que a gente goste daquele obeso de olhos permanentemente tristes - que sequer liga a webcam nas lives com alunos, tamanha é a vergonha -, que chega a dar um pouco de vergonha alheia ver ele pedindo desculpas tantas vezes para Liz (Hong Chau), a enfermeira que é sua amiga. É quase alguém implorando para ser amado.



Da mesma forma, o seu comportamento aparentemente autodestrutivo - sempre se empanturrando de pizzas, de snacks ultraprocessados e de gordurosos sanduíches de almôndegas -, não parece combinar com a mesma pessoa que vai para o Google pesquisar o que significa uma pressão arterial de 238 x 134. Ou mesmo a insuficiência cardíaca congestiva, que é o diagnóstico repassado por Liz. Tipo, por ser gay e por ter abandonado a família em prol de um grande amor que, mais tarde, ele viria a perder em um episódio de intolerância religiosa, agora fará com que ele engorde como se fosse aquele personagem de Seven: Os Setes Crimes Capitais (1995), que se mata de tanto comer? Tentar um tratamento ao mesmo tempo em que busca uma reaproximação com a ex-mulher (vivida por Samantha Morton) para tentar dar a melhor educação para a filha não seria um melhor caminho? Ou os Estados Unidos são tão cruéis em matéria de sistema e saúde que se internar num hospital significaria deixar uma dívida de milhões que só seria saldada lá pela quinta geração? Bom, talvez o sonho americano seja mesmo um pesadelo.

E outra, tudo bem que Charlie está poupando, mas, custaria comprar umas luminárias que dessem um pouco mais de vida praquele apartamento sorumbático? E por quê o Aronofsky tem que abrir o filme com uma cena em que o protagonista surge se masturbando de maneira sôfrega enquanto assiste a uma cena soft porn gay? A ideia não era fazer o público médio ter um mínimo de compaixão por aquele homem? E vocês não acham que uma cena assim já não pode gerar certo asco no "cidadão de bem" que é capaz de interpretar os LGBTs como pessoas depravadas e solitárias que só poderão encontrar a cura divina através da religião? Pra quê esse sensacionalismo todo? Aliás, nem falei do tal do Thomas (Ty Simpkins), o missionário cristão que não parece ter nada mais pra fazer na vida que não seja bater a porta de Charlie pra encher o saco. E que forçação de barra é essa na metáfora envolvendo a baleia Moby Dick, do livro?  Lá pelas tantas me dei conta que até a interpretação de Fraser eu estava achando meio caricatural. Exagerada. Não consegui sentir apego. Conexão com aqueles que assistia. Torcer por destinos melhores. E é uma pena ver a oportunidade de discutir temas tão relevantes sendo desperdiçada.

Nota: 3,0