Um mergulho em uma sonoridade que evoca o contraste entre o ancestral e o contemporâneo, o bucólico e o urbano, o antigo e o tecnológico. Resumir a experiência de ouvir No Paiz das Amazonas, o terceiro trabalho da banda manauara Luneta Mágica é trafegar num universo em que contradições se aproximam, em que as diferenças parecem somar, em que a distância é logo ali. Se afastando do pop mais comercial entregue no disco No Meu Peito - nosso quarto melhor álbum na lista de melhores nacionais de 2015 -, o coletivo se reaproxima do experimentalismo psicodélico que marcaria a estreia, com o esplêndido Amanhã Vai Ser o Melhor Dia da Sua Vida (2012). Diferente de tudo o que já foi feito pelo grupo, o registro imprime "uma visão conceitual, partindo de referências da própria floresta amazônica, que vão ao encontro de sons que ecoam pelo mundo inteiro", como resumiu a banda no material de divulgação. O resultado é uma espécie de caos organizado que conecta passado, presente e futuro de uma forma nunca óbvia, mas sempre instigante, provocativa (inclusive no que diz respeito às letras), como comprovam as faixas Águas Poluídas, Conduzido (haux, haux), Tuiuiú e Além das Fronteiras. Vale descobrir!
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terça-feira, 22 de março de 2022
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Lançamento de Videoclipe - Luneta Mágica (Lulu)
Os amazonenses da banda Luneta Mágica lançaram um dos discos mais legais do ano, como você pôde perceber na resenha publicada na semana passada, aqui no Picanha. Como forma de divulgar o trabalho, intitulado No Meu Peito, o quinteto lançou na última segunda-feira um videoclipe para a ensolarada canção Lulu, primeiro single do registro. Com produção caprichada, o vídeo, dirigido por Rafael Ramos, conta com ângulos de câmera diferentes, sequências filmadas de trás pra frente, coreografias dos participantes e todo aquele clima ensolarado próprio da composição - que serve como um bom recorte para indicar a leve mudança de estilo adotada pelo grupo desde o lançamento de seu primeiro álbum. É só clicar e conferir!
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Disco da Semana - Luneta Mágica (No Meu Peito)
É possível analisar o novo disco dos amazonenses da Luneta Mágica, a partir de dois pontos de vista distintos. Explico: no primeiro trabalho, o arrebatador Amanhã Vai Ser o Melhor Dia da Sua Vida (2012), o grupo - formado por Pablo Araújo (vocal e guitarra), Erick Omena (guitarra), Eron Oliveira (baixo) e Diego Souza (baixo e teclado) -, carregava no experimentalismo estético, apresentando uma obra um tanto densa, pautada por uma sonoridade pastosa (no melhor sentido da palavra) e que, amparada por vocais etéreos, a aproximava em muito de grupos americanos como Grizzly Bear ou Beach House. As emanações mágicas do dream pop estavam em toda a parte, desde a abertura com Astronauta, passando pela surrealista Cinco Bolas de Sorvete Por Apenas Um Real, até culminar na caótica Manaus 14:00, que se apropria de todos os elementos do estilo, transformando-os em um produto bastante particular e de referência local.
Nesse sentido, é preciso que se diga, o quarteto nunca aparentava estar fazendo a homenagem pela homenagem, sempre sendo capaz de, aqui e ali, incorporar algum aspecto de seu universo particular - e até mesmo regional. Fosse nos versos, ou mesmo na base sonora, ainda que, eventualmente, estivesse encorpada pelos sintetizadores e pelas guitarras ruidosas - que nunca soavam excessivamente desconexas, sempre tendo uma lógica de engate entre um elemento e outro dentro de cada composição. Os raros flertes com o pop radiofônico - como na nostálgica Largo São Sebastião e na melancólica Sábado - quase pareciam guardados em algum cantinho do registro, mas sempre prontos para serem descobertos depois de meia dúzia de audições.
Ocorre que, com o recém lançado No Meu Peito, a coisa muda completamente de figura. A banda abraça os versos cantaroláveis e um instrumental mais fluído e de fácil reconhecimento por parte do público. Como se estivesse pronta para derrubar algum eventual muro, que ainda servisse de bloqueio para o ouvinte. Evolução? Retrocesso? Uma banda, uma vez que inicia o seu processo de constituição, precisa invariavelmente caminhar com segurança naquela trilha que a torna conhecida com o decorrer de seus trabalhos? Ou é importante se reinventar a cada registro, ampliando suas possibilidades? Bom, eu não sou crítico de música profissional, como vocês já sabem, e não sei dizer se isso é bom ou se é ruim. Gosto demais de música pop, em todas as suas vertentes e, assim como o primeiro projeto da Luneta..., o segundo é sensacional.
Após a abertura com a homônima No Meu Peito, vem uma trinca de músicas que não faria feio, por exemplo, em algum disco do Biquini Cavadão (na falta de um exemplo melhor) - Lulu, Acima das Nuvens e Mônica são alegres, primaveris e capazes de encher de cor uma ambientação que, usualmente, era pautada pela melancolia, pelas vozes sussurrantes e pelo clima onírico. Evidentemente, os amazonenses não abandonam completamente esse modelo, algo que fica claro em registros mais minimalistas, casos de Preciso e Mantra. Mas é abraçando os hits - caso da derradeira Rita (a melhor!), que os integrantes do grupo parecem ampliar suas possibilidades sonoras - num curioso processo de inversão - capaz de aproximá-los e de torná-los conhecidos de um público ainda maior. Nós, aqui do Rio Grande do Sul, saudamos essa evolução. E esse disco, um dos melhores nacionais de 2015.
Nota: 8,5
Nesse sentido, é preciso que se diga, o quarteto nunca aparentava estar fazendo a homenagem pela homenagem, sempre sendo capaz de, aqui e ali, incorporar algum aspecto de seu universo particular - e até mesmo regional. Fosse nos versos, ou mesmo na base sonora, ainda que, eventualmente, estivesse encorpada pelos sintetizadores e pelas guitarras ruidosas - que nunca soavam excessivamente desconexas, sempre tendo uma lógica de engate entre um elemento e outro dentro de cada composição. Os raros flertes com o pop radiofônico - como na nostálgica Largo São Sebastião e na melancólica Sábado - quase pareciam guardados em algum cantinho do registro, mas sempre prontos para serem descobertos depois de meia dúzia de audições.
Ocorre que, com o recém lançado No Meu Peito, a coisa muda completamente de figura. A banda abraça os versos cantaroláveis e um instrumental mais fluído e de fácil reconhecimento por parte do público. Como se estivesse pronta para derrubar algum eventual muro, que ainda servisse de bloqueio para o ouvinte. Evolução? Retrocesso? Uma banda, uma vez que inicia o seu processo de constituição, precisa invariavelmente caminhar com segurança naquela trilha que a torna conhecida com o decorrer de seus trabalhos? Ou é importante se reinventar a cada registro, ampliando suas possibilidades? Bom, eu não sou crítico de música profissional, como vocês já sabem, e não sei dizer se isso é bom ou se é ruim. Gosto demais de música pop, em todas as suas vertentes e, assim como o primeiro projeto da Luneta..., o segundo é sensacional.
Após a abertura com a homônima No Meu Peito, vem uma trinca de músicas que não faria feio, por exemplo, em algum disco do Biquini Cavadão (na falta de um exemplo melhor) - Lulu, Acima das Nuvens e Mônica são alegres, primaveris e capazes de encher de cor uma ambientação que, usualmente, era pautada pela melancolia, pelas vozes sussurrantes e pelo clima onírico. Evidentemente, os amazonenses não abandonam completamente esse modelo, algo que fica claro em registros mais minimalistas, casos de Preciso e Mantra. Mas é abraçando os hits - caso da derradeira Rita (a melhor!), que os integrantes do grupo parecem ampliar suas possibilidades sonoras - num curioso processo de inversão - capaz de aproximá-los e de torná-los conhecidos de um público ainda maior. Nós, aqui do Rio Grande do Sul, saudamos essa evolução. E esse disco, um dos melhores nacionais de 2015.
Nota: 8,5
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