segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Novidades em Streaming - A Última Casa (The Last House)

De: Louis Leterrier. Com Wagner Moura, Greta Lee, Riley Chung e Noah Alexander Sosnowski. Ficção Científica / Suspense / Drama, EUA / França / Reino Unido, 2026, 112 minutos.

Devo admitir que foram dois os motivos que me fizeram dar play neste A Última Casa (The Last House) - a despeito da maior carinha de "melhor filme dos últimos tempos da última semana", que daqui mais ou menos um mês mais ninguém lembra que sequer existiu. Primeiro de tudo a presença do Wagner Moura - e não tem como não ficar curioso em vê-lo atuando, ainda mais em Hollywood, após a bem sucedida temporada de premiações de O Agente Secreto (2025). Depois, a temática, já que adoro essas ficções científicas especulativas, em que imaginamos realidades alternativas e como nos comportaríamos frente a elas - sendo aqui, no caso, a ideia de uma família forçadamente presa dentro de sua própria casa por forças malignas, como numa junção entre filmes de terror B e o cinema, com uma boa dose de boa vontade, de Luis Buñuel. Tá, admito que forcei porque não tem como uma produção da Netflix de 2026 ter o caráter alegórico e crítico à elite endinheirada do realizador de O Anjo Exterminador (1962) e O Discreto Charme da Burguesia (1972). Talvez não caibam nem na mesma frase.

Na trama de pegada ambientalista - como muitas da atualidade, aliás -, uma chuva persistente meio que joga todo o mundo pra dentro de suas próprias casas, já que a perspectiva é de temporal feio (e como gaúchos moradores do Vale do Taquari, sabemos bem o temor que isso pode representar). Entre essas pessoas está Jason (Wagner Moura), um engenheiro desempregado que ocupa seus dias pescando e que, após se resguardar de uma tempestade ao lado da esposa Ann e dos filhos Graham (Noah Alexander Sosnowski) e Ruth (Riley Chung) se vê impossibilitado de abrir qualquer porta ou janela de sua residência típica de subúrbio estadunidense. O estranhamento inicial joga o quarteto para um grande janelão da sala, onde, num modo meio Janela Indiscreta (1954) - mas sem um crime acontecendo - eles constatam que seus vizinhos estão meio que na mesma. Ninguém pode sair por quadras a fio, como se todas as casas estivessem seladas pela própria água, que adquire um efeito isolante.

 


Com uma boa relação entre si, o casal e os filhos ficam inicialmente preocupados, mas nunca exasperados - já que imaginam que, em algum momento, a coisa será desbloqueada. Só que os dias passam e, como não poderia deixar de ser, sem poder ir no mercadinho da esquina ou na farmácia, os estoques de comida, de medicamentos e de outros itens de abastecimento básico, vão aos poucos escasseando. E junto com eles surge também o estresse que, inevitavelmente, nos remete aos tempos pandêmicos - na metáfora mais inicialmente óbvia, ainda que soe um tanto tardia e deslocada no tempo, vamos combinar. E tudo piora quando, pouco a pouco, os Delgado (sim, o sobrenome tem essa pegada meio espanhola, já que, onde já se viu o povo da Terra do Tio Sam entender que brasileiro fala português, né?) percebem que não podem mais chegar tão perto assim das portas e das janelas em dias de chuva já que parece haver criaturas meio malvadonas do lado de fora, sentimento reforçado por um brutal ataque a uma vizinha que se vê inesperadamente na rua.

Esse medo que não se sabe bem do quê e que é sugerido no transcorrer da narrativa - Governo? Alienígenas? Grandes corporações? Tecnologia? Devastação ambiental? Especulação imobiliária? - poderia ser melhor explorado em um roteiro um pouco mais imaginativo, que não fosse centrado apenas na rotina da própria família em uma tentativa desesperada de sobrevivência. O que faz, aliás, com que a solução final pareça apenas pálida, lembrando o que ocorre em filmes como os do M. Night Shyamalan, que nunca são ruins, mas que dificilmente conseguem ser completamente satisfatórios. Lá pelas tantas há um cansaço na repetição de ideais - de sustos, de sistemas integrados para a sobrevivência (com a criação de hortas domésticas improvisadas e "pescaria" de animais convenientemente capturados pelo hábil engenheiro Jason). Há, aqui e ali, um ensaio de algo que poderia dar bom, como no instante em que Jason e um de seus vizinhos investem em uma comunicação improvisada por placas - que poderia reforçar a crítica ao individualismo e à falta de senso coletivo de nossos tempos, que faz com que nos isolemos cada vez mais. Ou mesmo no momento em que a família recorre aos DVDs e aos discos de vinil como um aceno ao básico pra ser feliz - com direito a um belo instante ao som Close To Me, do The Cure. Mas, em geral, fica tudo meio que no quase, sem nunca empolgar de fato.

Nota: 5,5 

 

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