sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Pitaquinho Musical - Maglore (Fluxo Natural)

Dia desses estava ouvindo o ótimo podcast Vamos Falar Sobre Música (VFSM) e um dos integrantes, o conterrâneo gaúcho Renan Guerra, resumiu à perfeição a experiência do ouvinte com a Maglore: "é uma banda conforto" que, a despeito de nunca se repetir em termos de sonoridade, mantém um certo padrão. Uma identidade própria. Uma personalidade. Afinal, por mais que Fluxo Natural, o sexto registro de inéditas, pareça mais expansivo e ensolarado do que o intimista trabalho anterior V (2022) - nosso sexto colocado na lista daquele ano - bom, continua sendo um disco da Maglore em todos os seus frames. Misturando o rock bucólico à Clube da Esquina, que aqui é reforçado pelas citações diversas à mares, ventos, rios, chuvas, pássaros voando e sonhos almejados (o que aparece já nos títulos das canções, como Raio de Sol, O Rio e o Mar, Farol), com o pop oitentista de sintetizadores sofisticados, o coletivo formado pelo vocalista e guitarrista Teago Oliveira, pelo guitarrista e tecladista Lelo Brandão, pelo baixista Lucas Gonçalves e pelo batera Felipe Dieder entrega uma coleção de canções em que temas cotidianos, políticos e românticos se alternam. Sempre de forma sólida, coesa.

 


Peça central do disco, a candidata a hit Sonho Real, seguramente uma das melhores músicas nacionais do ano, une guitarra e sintetizador em uma melodia polida - ou talvez menos empoeirada do que no começo da carreira -, em uma letra que coloca em rota de conflito o real e o abstrato, o concreto e o fantasioso. Culminando no pegajoso refrão, que faz a gente ficar cantarolando "num sonho reaaaaal" horas depois. Já Amor Sci-Fi, outro ótimo instante, parece imaginar algum tipo de paixão bem ao estilo dos filmes de ficção científica - mas sempre intenso, arriscado, imprevisível. Já Tudo Bem é Maglore até as entranhas com seus versos vulneráveis e cheios de honestidade (Tudo bem se você não tá bem / Eu também / E talvez ninguém). Quase no final, Curva de Trivela brinca sobre o amadurecimento, a partir de uma alegoria futebolística. "O recado mais profundo do disco é do amor como algo que permanece", enfatizou Teago no material de divulgação. O que pode ser percebido até em canções de essência política, como Palestina nos Seus Olhos.

Nota: 9,0 

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