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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Pitaquinho Musical - CMAT (Euro-Country)

Já faz umas três temporadas que sempre que a CMAT lança um novo disco, ele vai imediatamente pras cabeças, Ninguém por aqui deu muita bola quando ela entregou, em 2022, o absolutamente imperdível If My Wife New I'd Be Dead - nosso segundo colocado na relação daquele ano -, mas agora, com Euro-Country, tá com cara de que ela finalmente (e com justiça) vai furar a bolha. Até porque na lista de melhores artistas da última semana que ninguém ouviu (mas já deveriam ter ouvido), poucos terão a capacidade única de unir letras debochadas - pontuadas por uma série de críticas e comentários sociais e políticos ácidos e quase cínicos -, com violões country e arranjos pop perfeitos como Ciara Mary Alice Thompson. Como em seus registros anteriores, esse é um disco de dor e de humor, que ri de si, mas que também examina as crises atuais com sincera confiança.

 


Um bom exemplo dessa mistura pode ser percebido no sofisticado single Take A Sexy Picture of Me, que discute imagem e aceitação, a partir de uma experiência pessoal, em que a irlandesa sofreu uma onda de hate após um vídeo publicado no Instagram da BBC Radio 1, ano passado. "Nunca achei que fosse obesa e agora deveria ser presa por ter uma bunda grande e gorda", debochou à época, após ser surpreendida pela chuva de comentários atacando sua aparência. E a real é que essa é a habilidade de CMAT: a de pegar temas espinhosos para convertê-los em grandes canções, cheias de versos irônicos e de refrãos pegajosos. Político mas cintilante, reflexivo mas agridoce, esse é um álbum que parece se expandir a cada nova audição. O que faz com que ótimas músicas como When a Good Man Cries (sobre fazer um parceiro sofrer, mesmo que ele não tenha feito nada de errado) ou Running/Planning (a respeito de pressões sociais e planos conformistas) se tornem melhores a cada repetição!

Nota: 9,0 

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Pitaquinho Musical - CMAT (Crazymad, For Me)

Na lógica do mercado musical, sempre fico um tanto impressionado quando me deparo com algum artista que, aparentemente, não tem a atenção ou mesmo o reconhecimento que merece. E esse é o meu sentimento quando escuto a CMAT. Como assim as pessoas não estão simplesmente falando dela? Como não a estão apontando como uma aposta certeira para as listas de melhores de 2023? Segunda colocada na nossa relação do ano passado, com o singular (e pouco divulgado) If My Wife New I'd Be Dead, Ciara Mary-Alice Thompson retorna com Crazymad, For Me - novo registro de inéditas em que novamente mistura o indie, o folk e o pop colorido, em letras divertidamente cínicas, povoadas por referências culturais diversas e que falam de relacionamentos tóxicos, de tramas mal resolvidas e de dilemas cotidianos de forma afiada, debochada, imprevisível.

Preservando a personalidade do trabalho anterior, a irlandesa converte cada uma de suas composições em verdadeiros hinos cheios de sarcasmo que, com seu apelo comercial irresistível, parecem prontos para serem cantados a plenos pulmões pelo público. Um bom exemplo desse expediente pode ser encontrado na festiva e nostálgica Where Are Your Kids Tonight?, dueto com John Grant em letra que parece olhar para o passado na hora de refletir sobre o futuro. Já quando reduz velocidade, como no caso da espetacular Vincent Kompany - sim, numa citação ao cabelo (!) do ex-jogador belga, a artista mantém a sua verve que pende pra leve excentricidade na hora de debochar de si própria (Eu tenho uma maneira perversa de odiar minha própria companhia / Ela não é tão ruim, mas me colocou novamente em apuros / Quando, confortavelmente, assista dezesseis horas seguidas das Gilmore Girls). Vocês precisam descobrir.

Nota: 9,0