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terça-feira, 25 de junho de 2024

Pitaquinho Musical - A Banda Mais Bonita da Cidade (O Futuro Já Está Acontecendo)

"Meu amor / Sou teu companheiro / Pra subir montanhas / E atravessar o mar", "Se tudo mudou / Já não tem mais jeito de voltar / Mas todo movimento é circular", "Toda brincadeira tem um fundo de verdade / O amor me traiu / E me deu o mundo / Me pariu uma gruta, me plantou um vazio". Pode até não haver um conceito definido em O Futuro Já Está Acontecendo, o quarto e mais recente trabalho da adorada Banda Mais Bonita da Cidade. Mas não dá pra negar que quando a gente observa as frases acima, que se espalham em meio as oito canções do disco, não dá pra negar que parece haver uma certa lógica, uma organização. Claro, com quinze anos de estrada, o quinteto de Curitiba já passou por muitas coisas em suas vidas - experiências traumáticas ou não, desafios, anseios, conquistas. E a maturidade parece também aparecer em cada curva do registro, com suas composições sólidas, menos apressadas e que parecem ir na contramão desse mundo tão acelerado que vivemos.

 

 

"Acho que é um reflexo de como a gente tem sentido a vida mesmo, de como esses temas são sincronizados espontaneamente com nossos processos pessoais", explicou a vocalista Uyara Torrente em entrevista ao site Marramaque, a respeito da escolha do repertório - e das letras que combinam simplicidade com uma verve mais filosófica, de reflexão sobre o mundo, suas idas e vindas, movimentos de retorno, de chegadas e de partidas. Claro que, num comparativo com o início da carreira, em que sucessos como o clássico moderno Oração pareciam reflexo de tempos mais simples - e talvez fossem mesmo -, as composições feitas por um time de colaboradores podem soar um pouco mais herméticas, daquelas que não pegam de primeira. Ainda assim, os elementos que fazem com que o grupo seja seguido pelos devotos fãs seguem intactos - e basta ouvir uma canção como Promissões para, num encontro entre a doçura e a aspereza, entre os arranjos elegantes e o vocal dramaticamente limpo, percebermos uma coesão natural de influências e sonoridades.

Nota: 8,0

 

domingo, 14 de agosto de 2016

09 Considerações Sobre o Show d'A Banda Mais Bonita da Cidade em Porto Alegre

Na última quinta-feira (11/08), o cast do Picanha teve a oportunidade de prestigiar a apresentação de lançamento do DVD Ao Vivo no Cine Joia d'A Banda Mais Bonita da Cidade, no Teatro São Pedro, em Porto Alegre. Nem precisamos dizer o quão especial foi esse momento, com o público sempre fiel cantando junto cada uma das 14 canções executadas durante o show. Na tentativa de resumir o que foi a noite, elaboramos um a listinha com 09 Considerações Sobre a Apresentação dos curitibanos.

01) A abertura com Uma Atriz não poderia ser mais impactante. Inspiradíssima, a vocalista Uyara Torrente interpretou a canção com a paixão de sempre, equilibrando bem o gestual e as expressões, em uma das canções mais "performáticas" do grupo. O apoio da banda, com arranjos robustos e execução técnica perfeita - cortesia de Vinicius Nisi (teclado), Marano (baixo), Thiago Ramalho (guitarra) e nosso brother Luís Bourscheidt (bateria) -,contribuíram para que o início do show já se consistisse em um dos melhores momentos da noite.

02) A propósito da Uyara, ela estava maravilhosa como sempre. Linda, carismática, talentosa, ela parecia - assim como toda a banda - estar se divertindo com cada instante da apresentação. Não era difícil percebê-la "rindo à toa" - aquela risada gostosa de quem está curtindo MUITO - conforme as canções iam sendo executadas. Algo que deixou o espetáculo ainda mais bacana. E tudo isso sem perder um fio sequer do profissionalismo de sempre.

03) O fato de o teatro estar lotado também foi um dos motivos de clara alegria para o quinteto - e para todos, na real. O público retribuiu, como de praxe: enviando emanações positivas, cantando junto, assoviando, gritando e aplaudindo cada instante ou acontecimento.



04) A participação do gaúcho Ian Ramil em duas canções compostas por ele, que devem estar no próximo trabalho dos curitibanos, também foi um dos momentos marcantes da noite. Em uma delas, a ótima Souvenir, Ramil dividiu os vocais com Uyara, em uma das partes mais divertidas da noite. A outra música, chamada Ela e O Dela, contou com o acréscimo do guitarrista Lorenzo Flach - figura conhecidíssima da cena roqueira de Porto, o que conferiu um peso a mais para a sua execução. Ambas as canções serviram para mostrar que, daqui para frente, talvez o grupo invista em outras vertentes, eventualmente mais psicodélicas e com algum peso - mas muito provavelmente sem perder a ternura. E nós já aqui, no aguardo.

05) Para quem nunca tinha visto a banda ao vivo, impressionou os novos arranjos feitos para canções conhecidíssimas, como a Balada da Bailarina Torta. As guitarras cheias de fuzz - também com a presença de Flach -, a bateria cadenciada, o baixão certeiro e os teclados climáticos, somados a um soberbo jogo de luzes sobre o palco - davam a impressão, em alguns momentos - e sem exagero - de estarmos diante de alguma exibição do Sonic Youth ou alguma outra daquelas que esteve por aqui, nas épocas em que ainda havia o Free Jazz Festival.

06) Coisa mais simpática o palquinho. Momento em que a banda se aproxima do público e toca duas canções no formato "rodinha de violão", bem próximos do público. Energia desse momento foi palpável, ainda mais para nós, que estávamos na terceira fila.

07) No repertório muitas das músicas favoritas: Solitária, Se Eu Corro (grande como sempre), Deixa Eu Dormir Na Sua Casa (com arranjo "fantasmagórico" delicioso), A Balada da Contramão, Oração (que fechou a noite, com todo o povo de pé, cantando junto). Mas não posso deixar de registrar o quanto fez falta Boa Pessoa. Muito provável que seria bonito DEMAIS ver todo o povo cantando junto essa. Esse é o problema do repertório com tanta música massa.

08) Particularmente, poder reencontrar o amigo Luís Bourscheidt - que equilibrou vigor e ternura na mesma medida, em seu trabalho como baterista - foi muito legal. O Luís (ou Geleia como é conhecido pelos das antigas) é de Lajeado e sempre acho uma pena o fato de a cidade ignorar completamente a presença do grupo em terra gaúchas. Vamos combinar que tá caindo de maduro uma exibição por aqui. Poder rever os "tios" Silvestre e Natália e o brother Lucas, toda da famiglia, foi algo que tornou a noite ainda melhor.

09) No mais, só nos resta agradecer por tudo. Foi uma noite muito tri! Voltem, assim que puderem.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Especial Novidades em DVD - A Banda Mais Bonita da Cidade (Ao Vivo no Cine Joia)

Os queridos d'A Banda Mais Bonita da Cidade gentilmente nos enviaram, na última semana, o DVD Ao Vivo no Cine Joia, primeira apresentação do quinteto registrada integralmente em áudio e vídeo. Resultado do financiamento coletivo que contou com o apoio de quase 500 fãs, o material foi gravado há exatamente dois anos, em uma sexta-feira (dia 13 de junho de 2014), na casa de shows paulista. No repertório de 14 canções e pouco mais de uma hora de show, além de "velhas" conhecidas como Oração, Boa Pessoa, Canção Pra Não Voltar e Uma Atriz - que integram os dois discos até agora lançados -, o grupo também apresenta a inédita Zeppelin, de Livia Lakomy, além da ótima Terminei Indo, que integra o EP Canções Que Vão Morrer no Ar, lançado em 2012. (e nem vou chorar a ausência de Mercadoramama, uma das favoritas da casa!)

Quase desnecessário dizer que o registro é repleto de momentos emocionantes e que dão conta da sinergia existente entre banda e público. Não à toa, a impressão que se tem é a de que a vocalista Uyara Torrente interpreta as canções amparada por centenas de pessoas nos backing vocals, que cantam cada uma das músicas a plenos pulmões, com vontade, de coração. A própria Uyara não é apenas uma moça cantando músicas para alguém ouvir. Na melhor tradição das intérpretes brasileiras do passado, a artista parece viver genuinamente cada uma das canções que executa, entregando uma performance capaz de passar da melancolia para a ferocidade, da introspecção para a energia, em segundos. Não se trata apenas de uma voz ao mesmo tempo doce e potente. É presença de palco. É vibração. Enfim, é amor por aquilo que se faz.



É claro que, muito provavelmente, isso não seria possível não fosse o nítido clima de camaradagem entre os integrantes. Tocar e cantar, para A Banda Mais Bonita da Cidade, parece mais ou menos como apreciar uma lauta refeição, no caso do glutão. Ou como um culto, para aquele fiel mais engajado. É um prazer. E se o tecladista Vinícius Nisi, o baixista Marano, o guitarrista Thiago Ramalho e o baterista (e brother) Luís Bourscheidt garantem a instrumentação e o clima necessário para o andamento perfeito do ponto de vista musical, convidados especiais como Bernardo Bravo, China, Leo Fressatto, Rodrigo Lemos e Troy Rossilho garantem o brilho em momentos íntimos e intensos. Nesse sentido, é praticamente impossível não se emocionar com participações como a de Léo Fressatto, em Canção Pra Não Voltar e Solitária - esta última, a do indefectível refrão Vou cometer harakiri / Mesmo sabendo que nesse momento você ri.

Do ponto de vista técnico, a cenografia (de Tainá Azeredo), a iluminação (de Victor Sabbag e Fábia Regina), a fotografia (de Rosano Mauro Jr.) e a direção de vídeo (de Arnaldo Belotto) também dão mostras de que a afinidade dos integrantes com aqueles que lhes acompanham vai para além do palco, chegando a uma equipe que facilmente ultrapassa as 40 pessoas, que, como uma família, estão empanhadas em levar o melhor a seu público. E, quando todos os integrantes e convidados sobem ao palco para o encerramento épico, com Oração, tem-se a certeza da plena cumplicidade, da parceria e da intimidade entre todos. Um símbolo que alcança os fãs, representados pela já inesquecível "cena dos balões brancos", ainda capaz de surpreender os integrantes d'A Banda, mesmo que estes já estejam familiarizados com tanto carinho.


Para quem ainda não conhece o trabalho dos curitibanos, talvez o lançamento deste DVD possa representar uma bela porta de entrada para quem ainda não está familiarizado com aquela que talvez seja uma das mais simpáticas bandas nacionais da atualidade. E que, inacreditavelmente, ainda não tocou aqui em Lajeado - mesmo sendo esta a cidade natal do baterista, amigo e parceiro aqui do Picanha Luís Bourscheidt (o nosso eterno Geleia), a quem a gente agradece por ter enviado o trabalho. (Alô, empresários da cidade!) Nessas manhãs de frio / Quando a geada pinta a grama / E o azul do céu é de uma beleza que caçoa / Quando o nada, nada te faria tirar o pijama / Não fosse o vento que vai lá fora / É a voz do teu amor que chama agora, canta A Banda, na magnífica Boa Pessoa. O inverno é frio aqui pros lado do Sul. Mas só até a música começar a tocar. Simplesmente imperdível.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Pra Ouvir - A Banda Mais Bonita da Cidade

Meu amor, essa é a última oração/ Pra salvar seu coração/ Coração não é tão simples quanto pensa/ Nele cabe o que não cabe na despensa. Quem não se lembra desses versos simples que inundaram rádios, cativaram o Brasil inteiro e quase zeraram a internet em meados de 2011? Eles fazem parte do megahit Oração, d'A Banda Mais Bonita da Cidade. Pois o quinteto de Curitiba já foi sim conhecido por essa canção que, é preciso que se diga, parece ter viralizado muito mais pela forma como feita - em um único plano sequência, com a presença de uma série de pessoas e outros elementos cenográficos -, do que pela música em si que, ainda que esta contenha belos versos é dotada de grande simplicidade.

Quando eu digo no parágrafo acima que o grupo "já foi" conhecido por Oração significa que, hoje, com dois discos lançados, centenas de apresentações realizadas não apenas no Brasil, mas também no exterior, e que já atraíram milhares de pessoas, A Banda... parece ter superado o estigma de "viral de internet que, assim como aparece, some". Atualmente, os curitibanos podem ser incluídos naquele conjunto de artistas da nova Música Popular Brasileira (MPB), que são mais queridos pelo público que, sempre cativo, é capaz de cantar a plenos pulmões todas as canções em cada espetáculo - algo que ocorre com muitas outras bandas do cenário alternativo nacional. E que parece ter iniciado com a febre vivida pelos ardorosos fãs dos Los Hermanos - eu entre eles, só pra constar.

Muitas pessoas não se lembram disso, mas A Banda... possui um integrante de Lajeado, no Rio Grande do Sul - a cidade "sede" do Picanha. No caso, o percussionista Luis Bourscheidt, querido amigo que, na época de piá era conhecido por Geleia - e eu não faço ideia se esse apelido se espalhou pelos campi das faculdades paranaenses. Além dele, compõe o grupo a vocalista Uyara Torrente, o tecladista Vinícius Nisi, o guitarrista Thiago Ramalho e o baixista Marano - em 2014, o ex-guitarrista Rodrigo Lemos deixou a banda para partir para a carreira solo. Abaixo, você conhece um pouco mais sobre os dois discos lançados pel'A Banda... até então. O terceiro pode pintar ainda nesse ano, pra alegria de todos nós. Assim como o primeiro DVD.


A Banda Mais Bonita da Cidade (2011)

Não tão coeso quanto viria a ser o registro seguinte o primeiro disco, homônimo, foi resultado de financiamento coletivo, e apresenta uma coleção de canções bastante diversificada, selecionada a partir de composições de amigos e outros artistas locais. Ainda assim, a eventual falta de "ligação" entre as músicas, é compensada por um competentíssimo trabalho de produção e arranjos, que valoriza a parte instrumental, abrindo espaço para a voz sempre limpa de Uyara. Além do hit Oração, o disco alterna entre momentos mais divertidos - como na espetacular Mercadoramama, sobre um casal que só quer passar uma noite em paz, mas tem de aguentar o choro insuportável de um "inesperado" bebê - e outros mais dramáticos - como em Solitária, do ótimo refrão: Vou cometer haraquiri/ Mesmo sabendo que nesse momento você ri. Ouça: Mercadoramama, Garotos de Aluguel, Canção Pra Não Voltar, Solitária e Oração (tá brincando, ainda não escutou?).


O Mais Feliz da Vida (2013)

Eu seu segundo disco, A Banda... mostra impressionante maturidade para um grupo ainda jovem, ao apresentar uma série de canções mais complexas, que parecem se unir umas as outras, formando um conjunto muito mais homogêneo. A escolha das músicas, baseada, novamente, em composições de artistas locais como Luiz Felipe Leprevost, Troy Rossilho, Alexandre França, Vitor Paiva e Rodrigo Lemos, representa uma espécie de contraponto ao trabalho anterior, ao propor "uma reflexão sobre as etapas da vida, com todas as suas alegrias, intempéries, fracassos, superações e o fim", de acordo com o que diz no site do grupo - algo que pode ser visto, inclusive, no belo trabalho artístico do álbum. Mais maduro, o registro representa uma evolução na ainda pequena discografia do quinteto, por meio de arranjos ainda mais climáticos e, em muitos casos, até mais emocionantes do que os do primeiro álbum. Ouça: Saindo de Casa, Deixa eu Dormir na Sua Casa, Balada da Contramão e Uma Atriz.