Muito provavelmente os mais novos nem saibam disso, mas no final dos anos 90, em programas da MTV como Garganta e Torcicolo e Gordo a Go-Go, o apresentador João Gordo - sim, o líder do Ratos de Porão - costumava ter uma espécie de mantra que ele volta e meia repetia, em alguma eventual discussão musical: "quem não gosta de Weezer bom sujeito não é". E, por mais que não dê pra falar em retorno às origens da banda de Rivers Cuomo e companhia - até mesmo porque o estilo musical meio que nunca mudou muito, com a sonoridade entre o power pop e o indie rock preservada e e as letras existencialistas sobre as dores do homem médio romântico, intelectual e moderno intactas -, o fato é que a produção recente pouco empolgava, como atestam o medonho Van Weezer (2021) e a totalmente descartável coletânea de EPs SZNZ (2022).
E, bom, pra quem em pleno ano da graça de 2026 ainda sonha com um reboot de Pinkerton (1996), talvez Golden Album, o décimo sétimo (sim, pasme) disco dos californianos possa ser um bom caminho para esse tipo de nostalgia musical - ainda que, com mais de 30 anos de carreira, todos ali estejam muito mais experientes, com outros dilemas para além de frustrações sexuais adolescentes e incertezas generalizadas. Peguemos como exemplo o single We Might as Well Be Strangers que, com participação de Karly Hartzman dos incensados alternativos do Wednesday, e que é uma canção tão hedonista à Weezer do Velho Testamento, que não faria feio talvez no Green Album. Já a divertida Hoops, faz a crítica as burocracias tecnológicas da era moderna, ao narrar as desventuras de um sujeito que apanha pra usar objetos simples do cotidiano, como torradeiras ou ferros de passar. Ao cabo, não se trata de reinventar a roda. É apenas o Weezer sendo direto, em dez músicas e um pouco mais de 30 minutos de duração - o que na era do fan service é um baita acerto.
Nota: 8,5

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