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terça-feira, 3 de junho de 2025

Pitaquinho Musical - Bon Iver (SABLE, fABLE)

Desde que entregou ao mundo o elogiado Bon Iver, Bon Iver (2011), Justin Vernon estabeleceu a sua sonoridade como uma espécie de sinônimo para melodias invernais (mas calorosas), de tintas introspectivas e delicadas, mas que pareciam crescer mesmo em um cenário minimalista. Elogiado pela crítica, o artista se viu estimulado a expandir sua música para além dos limites do folk econômico, que parecia saído de uma temporada de solidão no meio da floresta. O que o levaria a acrescentar, em discos como 22, A Million (2016), elementos e colagens eletrônicas, cordas mais esvoaçantes e um clima mais experimental como um todo - em uma experiência menos óbvia e um tanto existencialista. O que não mudou na trajetória? O desejo de construir canções sofisticadas, de arranjos sublimes e letras repletas de divagações fantasmagóricas, que nem sempre são facilmente compreensíveis.

 


E é aí que entra SABLE, fABLE, que é apenas o quinto disco de inéditas do Bon Iver em quase vinte anos de carreira - e que preserva a melancolia de soft rock setentista, que se mistura com o soul contemporâneo e o R&B refinado. E que conduz o ouvinte da melancolia à euforia, por vezes na mesma música. Talvez um pouco mais expansivo do que em outros trabalhos, o artista conecta pontos geográficos, estradas e espaços para uma série de reflexões sobre a necessidade de aceitar mudanças (AWARDS SEASON), a respeito da alegria de estar vivo (Everything Is Peaceful of Love) ou mesmo sobre o simples fato de chegar em casa e ter alguém pra amar (Walk Home). Há um aconchego no todo, mesmo quando há alguma estranheza - como no caso da bela If Only I Could Wait, que tem participação de Danielle Haim, e que parece saída de algum disco de new age dos anos 90. O peso emocional e a vulnerabilidade seguem como marcas. Mas há espaço para que os raios de sol apareçam.

Nota: 8,5 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Novidades em Streaming - Bon Iver (Disco)

Arranjos delicados que se mesclam a ambientações eletrônicas e a um vocal que parece "grudado" às melodias invernais, ainda que aconchegantes. Desde sempre o trabalho de Justin Vernon como Bon Iver foi assim, ainda que a aproximação com os sintetizadores tenha se ampliado na experiência um tanto mais hermética de seu disco anterior - o ótimo 22, A Million, o nosso sexto colocado entre os melhores daquele ano. Em i,i, mais recente registro, o padrão se mantém, com cada composição sendo apresentada como um fragmento levemente caótico, que retira um pouco da melancolia doce dos primeiros trabalhos, para apostar em um folk mais desordenado. Ainda assim, em uma primeira impressão, o que nos parece é que Vernon "limpou" as arestas daquilo que foi testado no trabalho anterior, abrindo espaço para composições um pouco mais leves, com direito até mesmo a refrão - como comprova a graciosa Hey, Ma. Bora clicar e ouvir?



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Na Espera - Bon Iver (Disco)

Ainda que já tenha apresentado o seu novo disco - intitulado 22, A Million - na íntegra, durante apresentação no festival Eaux Claires Music Festival, o novo registro do músico Bon Iver, que será lançado no dia 30 de setembro pelo selo Jagjaguwar, é certamente um dos mais aguardados deste segundo semestre. Como forma de matar a curiosidade dos fãs mais ansiosos pelo novo trabalho, que chega após um hiato de cinco anos, o líder da banda, Justin Vernon, tem liberado também alguns teasers no formato lyric video. Após 22 (OVER S∞∞N) e 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠, nesta semana foi a vez de 33 "GOD" ser apresentada ao público.


De antemão, o que se pode depreender da análise das três canções, é o fato de que, muito provavelmente, Vernon apresentará um trabalho muito mais experimental, que flerta com a música eletrônica e até com o trip hop, se afastando um tanto do folk country do início da carreira. Evidentemente, as emanações invernais de seu vocal mantém o clima gélido em cada uma das músicas, mas a melancolia, agora, aparece travestida em outros formatos. E, certa esquisitice, é preciso que se diga, aparece até mesmo no nome das músicas e na capa do álbum, que pode ser vista acima. Independente deste contexto (e talvez até mesmo por causa dele), nem é preciso dizer: aqui no Picanha a expectativa é alta!