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terça-feira, 18 de junho de 2024

Pitaquinho Musical - Alfie Templeman (Radiosoul)

A trilha multicolorida que sai da caixa de som, passa pelos ouvidos de Alfie Templeman e se espalha pelas paredes do ambiente que ilustra a capa de Radiosoul, terceiro registro de inéditas do artista inglês, parece dar a dica: estamos diante de um disco ensolarado, vívido. E basta a primeira audição do registro para que essa impressão mais, digamos, semiótica do projeto gráfico, seja confirmada. Com apenas 21 anos, o compositor chegou com força durante a pandemia e, mesmo em tempos sombrios como os de covid, conseguiu entregar registros de essência festiva, como no caso do ótimo Mellow Moon que, não por acaso, foi o nosso décimo terceiro preferido de 2022. Apostando novamente na mistura de art pop, com rock psicodélico, funk, algumas doses de R&B e disco music, Templeman amplia o caráter maximalista de sua obra, tornando tudo ainda mais enérgico e cativante.


 

Nesse sentido, é simplesmente impossível ficar alheio a canções como o single Eyes Wide Shut, com seu refrão grudento, pegajoso, que parece algo que o Scissor Scisters faria, da forma mais descarada possível, no começo do milênio. Já a magnética Just a Dance, tem participação de Nile Rogers em pessoa - as inspirações do Chic, diga-se, se espalham a cada curva do trabalho -, em uma música de melodia primaveril e letra simples. Não significa que não haja momentos mais sombrios ou turbulentos - e não por acaso, assuntos como esgotamento mental (Eyes Wide Shut), solidão (Hello Lonely) e problemas relacionados à fama repentina (Vultures) surgem aqui e ali, entre uma música de amor e outra (como no caso da ótima Submarine, feita para a namorada). Ainda assim, o artista explicou no material de divulgação que este é um "registro de verão, que tem a energia espontânea que vem de estar no sol". A gente concorda!

Nota: 8,5


sexta-feira, 3 de junho de 2022

Pitaquinho Musical - Alfie Templeman (Mellow Moon)

Muitas vezes subestimada, a capacidade de fazer música pop acessível, de qualidade, que combine boas melodias com alguma dose de inventividade, não é tarefa para qualquer mortal. Então, vá lá, nem todo novo artista por aí precisa ser tão virtuoso para se tornar a próxima sensação: basta oxigenar aquilo que já existe, recombinar elementos, dialogar com o público, trafegar com facilidade por estilos. E este é justamente o caso de Alfie Templeman que, com seu Mellow Moon, lança seguramente um dos discos do ano. Tudo aqui é incrivelmente bem equilibrado, mesclando um certo refinamento que vai no limite da música alternativa bem polida, com uma maturidade instrumental e vocal que é não menos do que surpreendente para alguém de apenas 19 anos. Sim, 19 anos!


Escolher uma música que represente tão bem essa verdadeira coletânea de gemas sonoras que ecoam, aqui e ali, R&B, synthpop, rock setentista e outros gêneros é uma tarefa quase inglória. Talvez um bom exemplo de exercício de criatividade no meio disso tudo seja a própria faixa-título, que possui tecladinho psicodélico, letrinha agridoce (Você quer ficar aqui para sempre? / Saia do seu trabalho e nós podemos fazer o que for / Claro é melhor do que olhar para o teto) e um refrão totalmente espacial, daqueles que gruda de primeira. Mas a melhor dica é pegar o fone de ouvido, abrir as letras e curtir. Se você ouvir 3D Feelings, A Western, Colour Me Blue e especialmente, o megahit Broken - talvez a melhor canção do ano -, e NÃO GOSTAR, eu juro que devolvo o "dinheiro".