De: Josh Safdie. Com Timothée Chalamet, Gwyneth Palthrow, Odessa A'Zion e Fran Drescer. Drama / Comédia, EUA, 2025, 150 minutos.
Galera, eu não sei como tem sido pra vocês a experiência com cinema e talvez eu esteja mesmo ficando velho, chato, cansado de alguns padrões - e eu quero evitar a palavra exigente pra não soar presunçoso. Mas lá pela oitava tentativa de golpe perpetrado pelo personagem central do histriônico Marty Supreme (Marty Supreme), eu já tava com os olhos na nuca de tão revirados. Olha só, eu não tenho nenhum problema com personagens amorais, odiosos ou arrogantes desde que isso não fique martelando meio que o tempo todo na nossa cara. Até porque não ficamos naquelas de "uau, como ele é ousado", após assistir ao protagonista vivido por Timothée Chalamet participar de uma série de jogos amadores de tênis de mesa em um boteco repleto de machinhos de meia idade apostando merrecas, só pra levantar uma grana depois de se ferrar mais uma vez. Afinal, em filmes como A Cor do Dinheiro (1986), obra menor de Scorsese, essa estratégia já era usada com muito mais charme.
O caso é que muita coisa que deveria soar como bacana na produção de Josh Safdie - que meio que repete o modus operandi de Joias Brutas (2019) -, lá pelas tantas começa a irritar. Essa tentativa, por exemplo, de soar engraçadinha a todo o custo, faz com que uma obra de duas horas e meia de duração soe como uma coletânea aleatória de esquetes de humor desajeitadas - e basta pensar na abertura com a batida cena dos espermatozoides indo até o óvulo (totalmente desconectada), passando pela sequência da queda da banheira em uma espelunca em formato de hotel, ou mesmo o instante em que Marty tenta contrabandear uma joia que, na realidade, não passa de uma bijuteria, para que constatemos o fato de tudo soar exagerado mas não orgânico, caótico e pouco sutil. É um filme que tenta ser anárquico o tempo todo e que talvez agrade o homem médio que acredita que a vida no capitalismo tardio é pautada pelo individualismo atroz, pela gritaria, pelas perseguições, pelos tiros e pela selvageria do cada um por si a cada frame. Para quem conseguir evitar os bocejos, talvez cole.
E, ok, pra não dizer que tudo é desastre, o pano de fundo do tênis de mesa - um esporte que nós, brasileiros, estamos aprendendo a amar depois de Hugo Calderano -, é excelente. As imagens das partidas são críveis e as disputas bem divertidas. Com o empenho de Marty - vagamente inspirado na história real de Marty Reisman, que escreveu um livro de memórias (que ninguém nunca nem viu), nos anos 70 - em ser um esportista nos Estados Unidos dos anos 50, só sendo possível com um tipo de alpinismo social que envolve a aproximação com uma veterana estrela de Hollywood de nome Kay Stone (Gwyneth Paltrow) e seu marido Milton Rockwell (Kevin O'Leary), um magnata da indústria da produção de canetas, que faz algumas propostas meio indecentes para Marty subir na vida (que ele nega, mas depois se arrepende). No entorno do protagonista outras figuras entram e saem dando movimento a narrativa, enquanto o jovem tenta a todo o custo obter uma grana para participar de um torneio no Japão, após ele ser humilhado pelo temido Koto Endo (Koto Kawaguchi).
Outras pequenas subversões também soam descoladas da realidade, por mais que, por exemplo, a trilha sonora se empenhe na nostalgia aleatória, com músicas como Forever Young, do Alphaville, ou Everybody Wants to Change the World, do Tears for Fears aparecendo aqui e ali. A trama se passa nos anos 50, não é demais lembrar. Já o pano de fundo político soa excessivamente discreto e não é que todo o filme precise ser um panfleto ambulante, mas as subtramas envolvendo um ex-jogador que esteve um campo de concentração na Segunda Guerra ou mesmo os trambiques funcionando como denúncia do declínio do sonho americano no período, nunca alcançam qualquer profundidade. Já que tudo retorna para a figura do protagonista e seu exibicionismo deturpado, seu ímpeto trapaceiro e sua obstinação por prestígio a qualquer preço - tudo embalado pelo carisma de uma bolinha de tênis laranja (e que me desculpem os fãs, mas o não consigo comprar o Chalamet com bigodinho cafajeste). Que este seja um dos favoritos ao Oscar de Melhor Filme, talvez seja um indicativo de safra fraca. Ou, como já disse, eu que tô sem saco mesmo e esperava mais depois de tanto falatório.
Nota: 5,0

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