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terça-feira, 1 de abril de 2025

Pitaquinho Musical - Lady Gaga (MAYHEM)

Um disco de inéditas que mais parece uma coletânea que condensa tudo aquilo que a Lady Gaga entregou para os fãs ao longo de sua carreira: assim pode ser resumida a experiência com MAYHEM, o sétimo registro da estrela pop - e um dos melhores. Sim, a gente sabe que na era do "sou fã quero service" é meio chato o público ficar meio que ditando aquilo que o artista deve ou não fazer, mas o caso é que basta chegar na metade do hipnótico single Abracadadra para nos sentirmos diante da Lady Gaga raiz (especialmente depois dos experimentos country do igualmente bom Joanne, de 2016, e do aceno ao jazz na parceria com Tony Bennett). Ainda assim, talvez o crítico musical mais ávido por novidades possa afirmar que aqui temos o mais do mesmo - e, vamos lá, muitas vezes vai ver a gente só quer aquilo que já estejamos acostumados. Que nos seja familiar. Que nos abrace. Gaga, que se apresenta no Brasil em maio, sabe fazer música pop dançante como ninguém. E se havia alguma dúvida depois do desastroso Harlequin, feito para o constrangedor Coringa: Delírio A Dois (2024), ela está sanada.

 


Só que, diante disso tudo, é importante dizer: esse aceno ao passado, especialmente à fase The Fame Monster (2009), jamais significa obviedade. Gaga nos convida pra dança, mas mostra a personalidade de sempre em faixas que flertam como outros estilos e subgêneros como o grunge eletrônico (Perfect Celebrity), o rock das rrriot girls (Garden of Eden), o funk de levada noventista (Killah), a inspiração na Taylor (How Bad do U Want Me, a minha preferida), o gótico (The Beast), a baladona romântica (Blade of Grass). Tudo com aquelas letras simples e reflexivas que amamos, em que temas como romances tortos, fama, cobranças e frustrações, manutenção da sanidade mental, desafios da carreira (e do mundo como um todo), empoderamento feminino e LGBTQIA+, perdas e luto, se mesclam em uma experiência sempre celebratória, que só parece crescer a cada audição. Eu sei que é cedo e que muita coisa ainda vai acontecer em termos de música nesse 2025. Mas até aqui, não há nada que supere isso.

Nota: 9,5

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Músicas Gêmeas - Lady Gaga x Madonna

Um dos casos mais conhecidos de "plágio" - ou seria homenagem? - do mundo da música envolve as cantoras Lady Gaga e Madonna. Quando Gaga lançou Born This Way, no começo de 2011, a música imediatamente foi para o topo das paradas e para os Trending Topics do Twitter. Mas não demorou muito para que os fãs da Rainha do Pop percebessem as semelhanças com o megahit Express Yourself, que integra o disco Like A Prayer, de 1989. Não bastassem o ritmo e o encaixe dos versos absolutamente parecido, as canções ainda possuem letras semelhantes sobre empoderamento e respeito as diferenças. Em entrevista à Revista Newsweek alguns meses depois, Madonna não polemizou - até mesmo porque Gaga é declaradamente fã da primeira: "eu achei uma forma incrível de refazer minha música. Quero dizer, eu percebi as mudanças nos acordes. Mas eu achei… interessante”, afirmou. Polêmicas a parte, o que importa mesmo é que ambas são duas grandes canções que estarão para sempre no coração dos fãs da boa música!


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Músicas Gêmeas - Elton John x Lady Gaga

Foi uma das notícias do dia no mundo da música: o Radiohead está processando a Lana Del Rey por um suposto plágio envolvendo a canção Creep. O que era um rumor foi confirmado pela própria cantora em um tweet publicado em sua conta no último final de semana. A faixa em questão é Get Free, que integra o último trabalho da artista, intitulado Lust For Life - nosso terceiro colocado na lista de 25 Melhores Discos Internacionais de 2017. E, diga-se de passagem, ela de fato tem uma estrutura e uma sonoridade que lembram bastante o grande hit dos ingleses, lançado num agora longínquo ano de 1993, como parte do álbum Pablo Honey.

É verdade sobre o processo. Embora eu saiba que minha música não foi inspirada em Creep, o Radiohead sentiu que foi e quis 100% [dos lucros] da publicação — ofereci 40% nos últimos meses, mas eles só aceitam 100. Seus advogados foram implacáveis, então nós vamos lidar com isso no tribunal, escreveu Lana no último domingo (07/01). Enquanto o imbróglio não se resolve nós, do Picanha, resolvemos auxiliar os artistas a começarem a processar uns aos outros, identificando possíveis plágios em canções - mesmo no caso em que AMBOS sejam amados por nós, como neste quadro de estreia. Até mesmo por que, se o Elton John quiser, pode tentar levar parte dos royalties da música Hey Girl da Lady Gaga, que imita direitinho os acordes de Bennie and the Jets, do inglês. Duvida? É só clicar e conferir!





quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Disco da Semana - Lady Gaga (Joanne)

Joanne, o álbum novo da Lady GaGa, não deixa nos duvidar da capacidade de reinvenção da artista. Um exemplo de camaleão da indústria como, notoriamente, foi David Bowie (inclusive uma das referências do novo disco), GaGa nos entrega dessa vez um registro intimista, menos suntuoso se comparado aos álbuns anteriores e totalmente focado em sua potência vocal e capacidade de composição.  O primeiro single do novo material pôde ser ouvido no início de setembro. Trata-se de Perfect Illusion, que indicava que GaGa seguiria por um novo caminho sonoro em seu quinto álbum de estúdio. Diferente do que se esperava após essa espécie de teaser, que fez com que as expectativas de todos projetassem Lady GaGa com um comeback orientado ao rock, ela veio consideravelmente mais folk e country do que se previa, muito embora a própria cantora não queira encaixar o novo material em um ou outro estilo específico.

De fato, Perfect Illusion é a música mais eletrônica do registro e a mais próxima, dentro do conjunto de canções de Joanne às músicas do disco anterior, ARTPOP (2013). Teria sido esse lançamento como lead single uma forma de atrair os olhares do mundo para o novo material? Se sim, funcionou bem. Quando saiu, a canção iniciou uma nova era pós-jazz para GaGa, que lançou em 2014, em parceria com Tony Bennett, o álbum Cheek to Cheek, totalmente voltado ao estilo. O lançamento de 2014 nos trouxe uma Lady GaGa diferente de tudo que havíamos visto vindo dela até então: menos extravagante, menos holofotes e publicidade sobre cada pequena atitude, uma imagem mais suave e mais intimismo. Se GaGa já era referida como uma artista multifacetada, o álbum em colaboração nos fez compreender a capacidade de reinvenção da artista, que faturou um Grammy Award de Best Traditional Pop Vocal Album em 2015 pelo material.


Antes de lançar Joanne a cantora também focou na carreira de atriz, participando da quinta temporada a série de televisão American Horror Story: feito que lhe rendeu um Globo de Ouro. Todos esses movimentos nos fazem perceber uma Lady GaGa muito mais madura. RedOne, do time de produtores e compositores escalados para Joanne, é um nome familiar, com quem GaGa já trabalhou diversas vezes antes. Kevin Parker, do Tame Impala, trouxe seu rock psicodélico à urgente Perfect Illusion. Beck, Emilie Haynie, Mark Ronson e BloodPop são outros nomes que assinam a produção do disco e que, com suas diferentes referências, ajudaram Lady GaGa a entregar ao público um registro bastante singular. Ainda nas colaborações, é impossível não destacar a participação de Florence Welch, do Florence + The Machine nos vocais e na composição de Hey Girl, faixa que é o único featuring do álbum. A união dos vocais de Welch e Germanotta é uma realização notável, feito pelo os qual os fãs de ambas as cantoras ansiavam há muito tempo.

Repleto de referências country e ao folk, ao cowboy e ao imaginário interiorano americano e aos Beatles, Joanne convida às histórias que GaGa conta cantando, com as músicas funcionando como sequências conectadas para o entendimento de algo maior: do álbum em si. Joanne é um disco complexo, completo, em que é possível perceber que Lady GaGa se entregou, assumindo o total controle da direção criativa e para onde deseja rumar a partir de agora. O resultado é um álbum pessoal, divisor de águas na carreira dessa GaGa performer que, de quando em quando, nos deixa sem palavras para qualificar propriamente seu trabalho.

Nota: 8,5 


Texto: Lucas Wendt