segunda-feira, 22 de junho de 2026

Pitaquinho Musical - Edgar (Rewind)

O título autoexplicativo do novo registro do rapper Edgar dá a dica: Rewind representa uma espécie de volta ao passado para o artista. Um retorno a uma outra época, mas não como mera nostalgia de quem fica apegado àquele período de forma meio estática e, sim, como algo natural para quem parece estar em movimento permanente. Para ele, o trabalho representa um rebobinar não só na música, mas também na vida pessoal. "É a ideia de retornar às origens e olhar para raízes que, em alguns momentos, não receberam tanta atenção", comentou Edgar no material de divulgação. Na prática, isso significa recolocar estilos como o reggae, o dancehall, o paredão, o dub e outros ritmos latinos, além da cultura sound system no centro - o que representa esse ideal fervilhante e tropical de rua, de vida, de cenários urbanos e de comunidade em um conjunto que opera também como um organismo político, com seus próprios códigos. 

 


Em resumo, não significa deixar o rap e o funk, que sonoramente formavam a matéria-prima do ótimo trabalho anterior Universidade Favela (2024) - nosso sexto colocado na lista de melhores nacionais daquele ano -, até porque esses estilos seguem presentes, mas de se reconectar com a essência. Ao cabo, Edgar não é apenas um músico na busca por condensar os tempos complexos que vivemos - de avanço da extrema direita, de opressão policial, de desigualdades sociais (com seus trilionários tecnológicos) e de racismo estrutural -, mas também um difusor daquilo que é popular, periférico e que integra essa engrenagem. O resultado dessa mescla pode ser percebido nas ótimas Cops With Guns, na sensualíssima Mão Pro Alto, na já clássica ZUM ZUM ZUM, escrita quando Edgar tinha 17 anos, e em Baila Loco, em que emula Manu Chao em uma cristalização do imaginário da dança, enquanto a tragédia no entorno ocorre, como ele explicou à Revista Noize. Vale o play.

Nota: 8,0 

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