De: Jean-Pierre e Luc Dardenne. Com Lucie Laruelle, Babette Verbeek, Elsa Houben, Janaïna Halloy Fokan e Samia Hilmi. Drama, França / Bélgica, 2025, 106 minutos.
Em uma das tantas sequências comoventes do ótimo Jovens Mães (Jeunes Mères), mais recente produção dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne e que chega para aluguel nas plataformas da Apple TV e da Amazon Prime, uma desesperada Ariane (a ótima Janaïna Halloy Fokan) explica à sua mãe o fato de nunca a ter reprovado por ser pobre. "Eu só não queria ter o filho", suplica aos prantos, após ter levado um tapa de Nathalie (Christelle Cornil), a sua genitora e avó da bebê que carrega, a contragosto, nos braços. A visita de Ariane a Nathalie tem um objetivo central: ela dá à sua mãe os motivos pelos quais ela pretende doar a filha a uma família de acolhimento. Alguém que poderá criá-la, exatamente como permite a Lei, com melhores condições. Ariane queria abortar. A mãe não permitiu. O que é apenas uma das tantas facetas problemáticas das pressões sociais que envolvem a maternidade.
Talvez poucas jovens mulheres admitam o fato de terem sido mães para agradar a família. Quem nunca ouviu dos pais sobre o desejo de ser avô ou avó - cedendo a esse tipo de situação apenas para não romper essa lógica familiar? E que envolve, em muitos casos, o discurso conservador do papel da mulher na sociedade? O filme dos Dardenne, um mosaico complexo a respeito das eventuais precariedades da maternidade, evidencia feridas sociais variadas em que temas, como, abandono, dependência afetiva, falta de maturidade emocional, relações tóxicas, autodestruição e problemas financeiros são salpicados, aqui e ali, por meio de cinco histórias diferentes, em que mães que, em muitos casos, sequer saíram da adolescência, precisam lidar com o peso dessa enorme responsabilidade. O que ocorre, em muitos casos, com pouca estrutura familiar e com, óbvio, o abandono dos parceiros (jovens meninos que só passarão a pensar sobre o significado de colocar um filho no mundo depois que a coisa acontece).
Em linhas gerais essa é uma experiência dolorida e que, mais uma vez, como costuma acontecer na filmografia dos Dardenne, olha para a juventude não como uma alegoria meio abstrata para futuro ou perda de inocência. E, sim, como um estado de formação urgente frente às pressões do mundo. Em suas obras, não são poucos os casos em que adolescentes, ou mesmo crianças, são levados à tomarem decisões que, até mesmo para os adultos, podem ser eticamente questionáveis - e basta pensar em obras essenciais como Rosetta (1999), O Filho (2002), A Criança (2004) ou mesmo a recente O Jovem Ahmed (2019), para que sejamos confrontados com questões ligadas à violências, traumas e solidão. Ou mesmo a temas ainda mais complexos, ligados à questões políticas ou sociais. Em Jovens Mães, as cinco jovens do filme buscam acolhimento em uma espécie de abrigo, o que também torna evidente a importância da sororidade. Enquanto lidam com um ambiente em permanente combustão.
E não deixa de ser impressionante perceber como um filme tão curto consegue ser dotado de tanta complexidade. Se na primeira cena da obra já somos impactados pelo desespero de Jessica (Babette Verbeek), que busca algum contato com a mãe biológica que lhe abandonou, ao mesmo tempo em que precisa lidar com a própria gravidez, no instante seguinte temos Perla (Lucie Laruelle), que tem uma relação turbulenta com seu namorado (e pai do seu bebê), ao mesmo tempo em que sonha em ter uma família mais "normal", como é da sua irmã. Sendo um tanto trágico que isso tenha de acontecer em meio a interrupção de uma adolescência. No caso, a dela própria. Já Julie (Elsa Houben) precisa lidar com o vício e suas recaídas - com a maternidade surgindo, estranhamente, como uma chance para um recomeço. E há ainda Naïma (Samia Hilmi), que parece um ponto mais luminoso da narrativa, ainda que ela não escape de um lado sombrio. Indicada à Palma de Ouro no Festival de Cannes, a obra venceria o prêmio nas categorias Melhor Roteiro e do Júri Ecumênico. E é sempre muito prazeroso ver qualquer filme da dupla, afinal, nunca saímos os mesmos de qualquer que seja a sessão.
Nota: 9,0

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