Os detratores do Travis costumam dizer que não gostam da banda porque eles lançam sempre o "mesmo disco" - e eu como fã de Fran Healy e companhia só posso dizer: QUE BOM. O ano de 2020 já teve coisa estranha o suficiente e não pode haver nada mais aconchegante do que encontrar conforto naquele tipo de álbum que a gente sabe exatamente como vai ser: calmo, com um tipo de placidez evocativa, com o instrumental e os arranjos flutuando de forma harmônica, leve, convidativa. Aliás, até o nome do registro é econômico: 10 Songs. Não parece, mas os escoceses já estão há mais de 25 anos na estrada e nove discos depois a última coisa que eles querem é grandes invencionices. Assim, o resultado é um conjunto de músicas mais Travis do que o próprio Travis. Butterflies, por exemplo, equilibra a doçura da melodia com o melhor refrão do trabalho, ao passo que A Million Hearts tem pianinho à moda The Man Who. Há ainda outras gemas: Waving at the Window, Nina's Song, A Ghost... é só dar play. Quem gosta dificilmente se decepcionará.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2020
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Lançamento de Videoclipe - Travis (Animals)
All the animals are running after me
It's all that I can do to stay on two feet
All the animals are running to the sea
And I give it away every night every day
Every word that I say
I'm an animal
(Travis)
Os escoceses do Travis continuam produtivos quando o assunto são os novos videoclipes para divulgar o ótimo disco Everything At Once, lançado nesse ano - e que já foi resenhado aqui no Picanha. Depois de Magnificent Time, 3 Miles High e a música título, agora é a vez de Animals receber vídeo. Como é de praxe no caso da banda de Fran Healy - que segue com o estilo "tiozão grisalho" da barba comprida - e companhia, o clipe é levemente divertido, com o quarteto em frente a uma grande tela de chroma key. Pra quem quiser começar a sexta-feira com boa música, é só clicar e conferir!
It's all that I can do to stay on two feet
All the animals are running to the sea
And I give it away every night every day
Every word that I say
I'm an animal
(Travis)
terça-feira, 3 de maio de 2016
Disco da Semana - Travis (Everything At Once)
O Travis é uma daquelas bandas que alguns setores da crítica amam odiar, pelos motivos mais variados. Alguns dizem que parece uma cópia barata do U2. Outros atacam o baixo potencial criativo (oi?) de Fran Healy e companhia - mais especificamente as suas letras "bobinhas". Há quem diga que a sonoridade é óbvia ou repetitiva. Por todo esse contexto, para nós do Picanha, o sentimento é um tanto difuso. A cada novo lançamento, parece que estamos sempre dispostos a apontar qual será o mais gritante defeito na sonoridade dos escoceses. Mas como achar problema, quando a banda solta um registro absolutamente simpático - o oitavo da carreira - equilibrando a tradição das baladas à Travis, com os rockões de guitarrinhas características e com um joie de vivre que vai para além da capa multicolorida que emula a urgência da vida moderna - e no título Everything At Once - e dos clipes megadivertidos?
Sério, não tem como não gostar. Evidentemente que, hoje em dia, existem centenas de bandas hypadas mundo afora, realizando trabalhos de grande complexidade, misturando estilos variados, heterogêneos, climáticos. As publicações do segmento ficam excitadíssimas. Nós também ficamos, claro, não vamos negar. Mas escutar um registro como este Everything At Once é quase como voltar para a casa dos pais depois de uma temporada longe. Ou para junto dos amigos da época do Ensino Médio, mas aqueles que a gente efetivamente amava, num daqueles improváveis reencontros. Há um sabor familiar naquilo tudo que você já vivenciou na sua adolescência - ou mesmo pós-adolescência - de quem deve decidir qual o caminho a seguir na vida adulta. É um conforto que te afaga, te aconchega, te coloca diante de signos facilmente reconhecíveis, de refrões já absorvidos e que agora são reembalados em um novo formato.
Hoje em dia, por exemplo, são poucas as bandas que investem forte no videoclipe. E o Travis sempre teve essa característica - e basta lembrar como foram marcantes aqueles que acompanhavam canções como Sing, Side, My Eyes, Re-Offender e Coming Around, entre outras. Pois para divulgar o recém lançado registro, o grupo manteve o expediente, com os primeiros singles - a divertidíssima e saudosista Magnificent Time e robusta 3 Miles High, que não faria feio em The Man Who (1999) - contando com clipes absolutamente simpáticos, leves, afáveis. Fran Healy, que desde o lançamento de Where You Stand (2013) - outro ótimo trabalho - ultrapassou a marca dos 40 anos, canta, dança, sorri e sacoleja (e ainda faz caretas) como sempre fez e como se estivesse em início de carreira - a despeito do visual tiozão da meia idade. Isso é respeito aos fãs. E a quem gosta do quarteto.
Então, se quando você ouve falar sobre um novo trabalho de uma banda que já está na estrada há quase 20 anos você fica de "mimimi, a época deles já passou", pode ir parando. As músicas são gostosas e assobiáveis, ainda que, é preciso que se diga, nada homogêneas - o que definitivamente não compromete. A já citada Magnificent Time é circense, alegre, colorida. O mesmo vale para Radio Song, que chega a ter uns efeitinhos que remetem (pasme) aos gaúchos da Bidê Ou Balde (algo nada proposital, certamente). Por outro lado há também espaço para a introspecção, especialmente no lado B, com a potente Idlewild - ao lado da cantora Josephine Oniyama - e em Strangers On A Train, que fecha o disco de modo grandioso, ao estilo do U2 nas melhores fases. E se viver é urgente, é uma coisa pra ontem e que não podemos ficar sem, que seja com música boa. O Travis tem feito sua parte.
Nota: 7,9
Sério, não tem como não gostar. Evidentemente que, hoje em dia, existem centenas de bandas hypadas mundo afora, realizando trabalhos de grande complexidade, misturando estilos variados, heterogêneos, climáticos. As publicações do segmento ficam excitadíssimas. Nós também ficamos, claro, não vamos negar. Mas escutar um registro como este Everything At Once é quase como voltar para a casa dos pais depois de uma temporada longe. Ou para junto dos amigos da época do Ensino Médio, mas aqueles que a gente efetivamente amava, num daqueles improváveis reencontros. Há um sabor familiar naquilo tudo que você já vivenciou na sua adolescência - ou mesmo pós-adolescência - de quem deve decidir qual o caminho a seguir na vida adulta. É um conforto que te afaga, te aconchega, te coloca diante de signos facilmente reconhecíveis, de refrões já absorvidos e que agora são reembalados em um novo formato.
Hoje em dia, por exemplo, são poucas as bandas que investem forte no videoclipe. E o Travis sempre teve essa característica - e basta lembrar como foram marcantes aqueles que acompanhavam canções como Sing, Side, My Eyes, Re-Offender e Coming Around, entre outras. Pois para divulgar o recém lançado registro, o grupo manteve o expediente, com os primeiros singles - a divertidíssima e saudosista Magnificent Time e robusta 3 Miles High, que não faria feio em The Man Who (1999) - contando com clipes absolutamente simpáticos, leves, afáveis. Fran Healy, que desde o lançamento de Where You Stand (2013) - outro ótimo trabalho - ultrapassou a marca dos 40 anos, canta, dança, sorri e sacoleja (e ainda faz caretas) como sempre fez e como se estivesse em início de carreira - a despeito do visual tiozão da meia idade. Isso é respeito aos fãs. E a quem gosta do quarteto.
Então, se quando você ouve falar sobre um novo trabalho de uma banda que já está na estrada há quase 20 anos você fica de "mimimi, a época deles já passou", pode ir parando. As músicas são gostosas e assobiáveis, ainda que, é preciso que se diga, nada homogêneas - o que definitivamente não compromete. A já citada Magnificent Time é circense, alegre, colorida. O mesmo vale para Radio Song, que chega a ter uns efeitinhos que remetem (pasme) aos gaúchos da Bidê Ou Balde (algo nada proposital, certamente). Por outro lado há também espaço para a introspecção, especialmente no lado B, com a potente Idlewild - ao lado da cantora Josephine Oniyama - e em Strangers On A Train, que fecha o disco de modo grandioso, ao estilo do U2 nas melhores fases. E se viver é urgente, é uma coisa pra ontem e que não podemos ficar sem, que seja com música boa. O Travis tem feito sua parte.
Nota: 7,9
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