Vamos combinar que algumas bandas demoram um pouco pra "acontecer" pra um público mais amplo e, por mais contraditório que isso possa ser, é também uma oportunidade para que esses artistas depurem seu som ao máximo para que a entrega seja a melhor a cada novo lançamento. E esse parece ser exatamente o caso do Ratboys, grupo de Chicago que chega ao seu sexto - e disparadamente o melhor - registro de inéditas. Cada vez mais distante do lo-fi um tiquinho mais intimista que marcaria os primeiros registros da carreira de mais de dez anos de existência, o coletivo parece expandir a sua sonoridade para além do indie de cafofo (que sempre foi ótimo, ressalte-se), com a chegada do excelente Singin' to an Empty Chair. Mais polido, por vezes ensolarado e com um aceno ainda mais acentuado para o comercial, o álbum é um primor de produção, equilibrando de forma perfeita as guitarrinhas rock que dão sustentação às melodias primaveris - por mais que os temas do disco possam ser cabeçudos.
Aliás, há um conceito - o da "conversa com uma cadeira vazia" - que meio que une a coisa toda. E que fica mais evidente em Just Want You to Know the Truth, peça central do registro e um épico de mais de oito minutos, em que emergem temas ligados à vulnerabilidades e traumas familiares. "Meu terapeuta me deu essa ideia não apenas para a composição, mas para o meu próprio processamento da vida e de todas essas grandes mudanças que minha família está passando", enfatizou em entrevistas. Em outros instantes, assuntos como distanciamento emocional (Open Up), falta de conexão em relacionamentos (Anywhere), aceitação e passagem do tempo (Penny in the Lake) e frustração e desejo de transformação (Burn it Down), formam esse clima meio generalizado de terapia, quase como um monólogo interior. Ainda assim é importante que se diga: o disco nunca soa triste ou sorumbático, e um bom exemplo é a grudenta Know You Then, uma das melhores canções desse início de ano. Vale a atenção.
Nota: 8,5

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