De: Joseph Kosinski. Com Brad Pitt, Damson Idris, Javier Barden e Kerry Condon. Ação / Drama, EUA, 2025, 155 minutos.
F1: O Filme (F1: The Movie) ou "como fazer os republicanos voltarem a gostar de cinema". Sério, fazia tempo que eu não assistia a algo tão brega - e tão bocejante - quando essa obra do diretor Joseph Kosinski, indicada ao Oscar. Em geral não tenho problemas com esses filmes à moda soft power estadunidense meio anos 90, com aquela energia Make America Great Again, mas vamos combinar que a história do veterano disfuncional e errático que nunca deu certo em lugar algum, que retorna para uma jornada redentora já nos deixa cansados só de pensar. A gente já viu essa trama umas duzentas vezes e o próprio Kosinski conseguiu fazer uma obra nesse formato mas que ao menos tinha coração (ou alma), que foi o caso de Top Gun: Maverick (2022). Aqui, é lugar comum em cima de lugar comum, com clichês como o do iminente aposentado que entra num embate com o novato, da mulher de meia idade que já não tá casada porque investiu na carreira ou dos chefões que perderão uma puta grana meu, se a coisa não for revertida.
E, veja bem, minha percepção poderia estar enviesada até mesmo por não gostar de automobilismo - o que não me impediu de apreciar demais produções como Rush: No Limite da Emoção (2013) ou Ford vs Ferrari (2019). Mas ver os personagens de Brat Pitt - o piloto da velha guarda que nunca aconteceu Sonny Hayes - e Damson Idris - Joshua Pearce, companheiro de Sonny na equipe APXGP, um aprendiz impetuoso e destemido que pode ser a nova promessa da Fórmula 1 -, disputando quem será o piloto principal em uma corrida decisiva em uma partida de pôquer foi demais pra mim. Na terceira ponta dessa mesa aleatória de Texas Hold'Em, de sujeitos que nunca gostam de perder e que provavelmente acreditam muito na meritocracia, está a diretora técnica da equipe de construtores Kate McKenna (Kerry Condon) porque, bom, porque é conveniente colocar uma mulher nesse papel porque já mata dois coelhos numa cajadada: faz um levíssimo aceno às questões de gênero, ao passo que permite que ela se torna o futuro par romântico (ou algo que o valha) de Sonny.
Durante as duas horas e meia (sim, pra quê?) do filme, ocorre um sem fim de cenas de corrida, com closes dos rostos dos pilotos, na ideia de conferir alguma emoção a mais (só que não). A estas, se somam sequências de tensão total da equipe nos boxes porque, como não poderia deixar de ser em um projeto do tipo, Sonny, que é convidado pelo dono Rubén Cervantes (Javier Barden) para tentar salvar a equipe da falência, é o sujeito mais imprevisível do planeta. Sabe o ousado meio burro, truculento, tosco, que acha que vai vencer na marra? É mais ou menos ele. Mesmo sem pilotar um carro de Fórmula 1 desde os anos 90 - pra deixar a coisa ainda mais sem sentido -, Rubén acredita que Sonny possa ser a salvação da lavoura na reta final da temporada, que conta com investidores insatisfeitos e um futuro incerto. Como um senhor próximo dos 60 anos, mas que se comporta como um adolescente tardio, o personagem de Brad Pitt participa de apresentações aleatórias, como na Nascar ou outras categorias de baixo, o que lhe permite pagar as contas e manter algum tipo de prestígio.
Mas é claro que a chegada do sujeito à APXGP vai bagunçar a coisa toda. E provocar um certo caos. Ainda mais quando, durante uma corrida, Sonny não aceita ceder a sua posição para o promissor Joshua. Mais do que isso, ele resolve patifar praticamente toda e qualquer corrida - obrigando as entradas aleatórias do safety car - que, mais adiante, surgirão como a surpreendente estratégia do protagonista para tentar, pelo menos, chegar em algum momento entre os 10 primeiros. Sim, uma coisa meio Dick Vigarista sem talento. Com trilha invasiva, fotografia saturada, narrador de autódromo estilo Rock and Roll Racing e personagens sem muita personalidade e profundidade - o que se sabe de Sonny é que ele é um falido em todos os sentidos -, a obra se arrasta até que aconteça aquilo que todo o mundo sabe que vai acontecer no final. E que servirá direitinho para que a galera legendária do Café com Deus Pai, que assiste canais de Youtube de coachs financeiros de gosto duvidoso, que beta desenfreadamente no campeonato local e que acredita que o comunismo vai ser implantado no País em 72 horas, saia feliz da sala de cinema. Acreditando que, se persistir, vai vencer na vida.
Nota: 2,5

