De: Daniel Roher. Com Leo Woodall, Havana Rose Liu, Dustin Hoffman, Lior Raz e Jean Reno. Ação / Suspense / Drama / Romance, Canadá / EUA, 2026, 109 minutos.
"Afinador, se você precisar ganhar dinheiro de verdade, me liga". Niki (Leo Woodall), o protagonista de O Afinador (Tuner), filme recém chegado às plataformas de streaming para aluguel, sofre de hiperacusia - um distúrbio auditivo que se caracteriza por baixíssima intolerância ou sensibilidade excessiva a sons cotidianos de intensidade moderada ou baixa. Barulhos de trânsito, sons de talheres ou mesmo o ruído normal de uma conversa pode ser insuportável e estressante pra quem sofre da condição. O que faz com que Niki permaneça o tempo todo com fones de ouvido - como forma de atenuar o sofrimento. Só que o mesmo distúrbio faz com que ele seja um habilidoso afinador de piano, ofício que aprendeu com o veterano Harry Horowitz (Dustin Hoffman), um amigo de seu falecido pai, com quem tem conversas aleatórias sobre assuntos de almanaque (como a quantidade de mercúrio presente nos atuns).
Enfim, Harry é como se fosse um segundo pai para ele. Com a van do veterano, a dupla vai para lá e para cá na cidade, afinando pianos de ricaços que nem tanto apreço assim pelo instrumento - aliás, o sonho de Niki era ter sido um músico de sucesso, mas justamente o seu excesso de sensibilidade para sons como o das teclas do piano, o impediu. Certo dia, na casa de um ricaço, Niki é atrapalhado por um trio barulhento de operários israelenses que tenta, em vão, abrir um cofre com furadeiras e outros instrumentos. Nesse contexto, o protagonista se oferece para abrir o compartimento de forma silenciosa, a partir dos discretos ruídos feitos pela roldana da estrutura de segurança do local. Um clique aqui e outro ali e ele alcança seu objetivo - aliás, mais um aprendizado obtido com a ajuda de Harry, que havia esquecido a senha de seu próprio cofre, anteriormente.
E, claro, em um filme assim, para que a narrativa avance e desperte algum interesse é necessário algumas conveniências de roteiro. Em uma delas, Niki conhece a talentosa pianista Ruthie (Havana Rose Liu) com quem trava uma espécie de disputa musical que, mais adiante, se converterá em amizade e... paixão, claro (duas pessoas lindas sempre estão desimpedidas em qualquer filme de Hollywood, sabemos bem). Com mais de 80 anos, Harry acaba tendo um ataque cardíaco em outro momento e, como não há SUS num dos piores países do mundo, o tratamento gera uma dívida milionária. Niki mal e mal tem dinheiro pra se manter. Que dirá pra apoiar seu tutor. Quer dizer, há a oferta feita por Uri (o ótimo Lior Raz) e que está na frase que abre essa resenha, que é dita após ele ficar embasbacado com o fato de Niki ser capaz de abrir cofres de forma silenciosa. O que desbloqueia muitas possibilidades para o trio de larápios que, ao cabo, vive de pequenos golpes em casas de endinheirados.
Em linhas gerais, essa é aquela produção bem estruturada, com começo meio e fim bem delineados e que se vale do carisma de seus personagens como uma de suas forças. Niki passa a trabalhar com Uri e seus capangas e não é preciso ser nenhum expert para saber que, mais adiante, a coisa sairá do controle - ainda mais com tantos cofres abertos e tantas joias (como relógios) e grana rolando. Para o jovem protagonista o trambique é eficiente por permitir pagar o tratamento de seu amigo Harry - ainda que a esposa do homem, Marla (Tovah Feldshuh), desconfie de que há um esquema por trás de tanto dinheiro. Com boas surpresas e excelentes reviravoltas no roteiro, a obra ganha um pouquinho mais de força na reta final, especialmente depois do surgimento de Maissner (Jean Reno), um notável maestro que promete um emprego à Ruthie. Bom, o finde tá aí e pra quem procura um filme sem muita invencionice para assistir em família, talvez esse seja o ideal. Tá na Amazon Prime e na Apple TV.
Nota: 7,0







