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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Pitaquinho Musical - Rosalía (LUX)

Vamos combinar que, assim como ocorreu com o BRAT, em 2024, nesse ano o evento musical mais aguardado, comentado, viralizado foi o LUX, da Rosalía. Mas, preciso ser honesto com vocês: talvez o quarto registro de inéditas da artista espanhola não tenha o mesmo potencial de difusão rede afora, como no caso do disco da Charli XCX, mas, musicalmente, meus amigos, aí é AULAS! Porque, aqui, não temos apenas música pop contemporânea. É multiplicidade de gêneros, de estilos, de ideias, de culturas e até de mundos - físico e espiritual, terreno e divino, concreto e abstrato (numa dualidade que parece estar no conceito). Um pouco ópera ao piano (algo meio Tori Amos hispânica), um tanto de cordas épicas e elevadas. Uma pitada de flamenco, outra de rap japonês, uma dose de uma eletrônica meio mística, que se junta a orquestração da música clássica. Tudo no limite entre o divino e o profano, a fé e a carne. Quase como um ritual onde a música é muito mais trajetória do que chegada.

 


Sim, honestamente é até difícil resumir, que não seja no modo "apenas ouça pra entender". Talvez um bom começo seja pelo single Reliquia, uma canção fragmentada, de geografia espalhada, que soa espiritual e sacra inicialmente, para mais adiante emergir eletronicamente fria, como em alguns dos melhores momentos de MOTOMAMI (2022). Isso sem falar a letra sobre a formação da personalidade ampla e de como, ao cabo, somos formados pela nossa bagagem (Somos golfinhos pulando / Pra dentro e pra fora / Do aro escarlate / E brilhante do tempo). Mas isso é uma canção. Um ato. Há todo um conjunto. Cantado em treze línguas distintas, com participação de Orquestra Sinfônica de Londres - o que torna tudo maior, mais revolucionário, mais único. E é importante dizer que essa congregação de referências nunca torna o registro hermético. O que pode ser comprovado em momentos acessíveis, como no caso da divertidíssima La Perla (talvez a música do ano).

Nota: 9,5 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Pitaquinho Musical - Rosalía (Motomami)

Falar de relações de forma dramática, sexy, bem humorada, misturando reggaetown, jazz, samba, trap, flamenco e até canções de ninar. Parece tanta coisa ao mesmo tempo que, afirmar que Rosalía meio que reinventa a música pop com o elogiado Motomami, seu terceiro trabalho, não é exagero. Avançando um passo em relação ao já ótimo El Mal Querer - nosso 19º melhor na lista de 2018 -, a artista espanhola converte o registro em um amálgama de canções que se conectam ainda que, muitas vezes, pareçam tão diferentes entre si. Enquanto G3 N15 é uma pequena homenagem ao seu sobrinho - e sobre o mundo que ele enfrentará ao entrar na adolescência -, a envolvente Hentai fala de sexo de uma forma tão inesperadamente elegante (eu quero andar em você como ando na minha bicicleta [...] Eu quero te fazer hentai) que não é difícil entender porque ela é saudada como a vanguarda da música eletrônica. Ousado, classudo, global, esse é um disco que vai no limite entre a homenagem ao passado (Delirio de Grandeza) e o passeio pelo futuro (Saoko). Com uma parada exatamente aqui onde estamos: nesse mundo caótico, urgente e que clama por boa música.