quinta-feira, 30 de julho de 2026

Pitaquinho Musical - Fresno (Carta de Adeus)

Um disco que parece olhar com bastante carinho para os fãs de longa data, até mesmo por apostar em um estilo de rock mais cru, direto e sem firulas. Assim parece ser Carta de Adeus, décimo primeiro registro de inéditas dos gaúchos da Fresno. Deixando meio que de lado o caráter eletrônico e até dançante que marcaria trabalhos recentes como Vou Ter que Me Virar (2021) - reforçado pelo uso dos sintetizadores -, a banda adota o modo "menos é mais". O que significa preservar as letras existencialistas, os refrãos pegajosos e a mistura de gêneros como hardcore, emo e jangle pop, com um resultado bastante orgânico e que vai direto ao ponto em uma nova coleção de canções nostálgicas, agridoces e contemplativas. Aliás, algumas delas, como Logo Agora Que o Meu Mundo Girou e Tudo que Você quer já se inserem no panteão das grandes músicas de Lucas Silveira e companhia.

 


Em termos conceituais, a banda explicou nos materiais de divulgação que o álbum gira em torno de perdas, encerramentos e transformações - sejam elas em relacionamentos, fases da vida ou versões de si mesmo. Nesse sentido, o "adeus" é usado como uma metáfora muito mais ampla para despedidas, encerramentos de ciclos e a consciência de que qualquer encontro pode ser o último. "Tu nunca sabe se tá dizendo adeus ou se tu vai morrer amanhã", imagina Silveira em entrevista ao Correio 24 Horas. Já a ideia das cartas permite verbalizar aquilo que talvez não conseguíssemos dizer em voz alta, em um processo que dialoga ainda com a maturidade da própria banda, que já ultrapassa as duas décadas de carreira. "Ah, não vou mais desconversar / Não vou mais desprometer / Não há tempo pra perder / Nem pra mim nem pra você" divaga o vocalista em O Cantor e o Taxista, que parte de uma experiência real em uma letra sobre o sofrimento e de como ele pode ser relativo, se comparado ao de outras pessoas. É só um dos grandes momentos do disco.

Nota: 8,5 

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