quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Novidades em Streaming - Hit Para Dois (Power Ballad)

De: John Carney. Com Paul Rudd, Nick Jonas, Marcella Plunkett e Peter McDonald. Comédia, EUA / Irlanda, 2026, 98 minutos

Vamos combinar que casos de plágio, cópia ou apropriação de melodias ou letras, no mundo da música, não chegam a ser novidade. Recentemente, por exemplo, após a apresentação da Shakira na Copa do Mundo, voltou à baila a discussão sobre ela ter, supostamente, pego para si o famoso refrão da canção Waka Waka (This Time for Africa) que bombou em 2010 - e até aí estava tudo bem ao menos até a banda camaronesa Golden Sounds reivindicar os direitos autorais que envolvem a música Zangalewa, lançada em 1986 (e vale procurar na internet porque as semelhanças são impressionantes). Bom, disputas jurídicas à parte, ambos os lados chegariam mais tarde a um acordo, com a colombiana meio que jurando de pé junto que a apropriação não foi deliberada e que, sim, foi resultado de um processo criativo envolvendo um sem fim de experiências culturais e influências sonoras mundo afora.

Bom, corta pra 2026 e temos Hit Para Dois (Power Ballad), filme de temática semelhante, com um quezinho de Letra e Música (2007) - ao menos no que diz respeito ao carisma dos envolvidos -, em que sai o integrante da banda dos anos 80 decadente (o ótimo papel de Hugh Grant) e entra o músico Rick Power (Paul Rudd), que nunca aconteceu no mainstream, até mesmo por causa de suas escolhas pessoais e de vida. Com uma filha pra criar e casado com a ex groupie Rachel (Marcella Plunkett), Rick é um celebradíssimo vocalista daquelas típicas bandas covers de casamento, que fazem sucesso cantando, entre outras, Celebration do Koll and the Gang e Maneater, da dupla Hall and Oates. Mas no íntimo dele, ele ainda parece sonhar com algum tipo de estrelato - o que culmina na constrangedora sequência inicial, em que eles cantam uma canção genérica e autoral de rock anos 90 meio Soul Asylum e que meio que ninguém pediu, se deparando com o inevitável esvaziamento da pista de dança logo após.

 


E se na produção de Marc Lawrence tínhamos uma Drew Barrymore irresistível, que ajudava o protagonista a retornar ao estrelato, deixando para trás as apresentações em feira agropecuárias, aqui temos Danny Wilson (Nick Jonas, que interpreta alguém que talvez dialogue um pouquinho a mais com a sua persona da vida real do que o imaginado, já que ele nunca retornaria aos anos de ouro dos Jonas Brothers), um cantor famoso por integrar uma boy band no passado e que agora está empenhado em construir uma carreira mais sólida como um músico mais... sério, por assim dizer. Em um encontro meio despretensioso em um casamento em que Danny era amigo do casal, ambos não apenas cantam juntos no palco improvisado da festa - em um vídeo que viraliza -, como se juntam na mesma madrugada para uma sessão de maconha regada ao compartilhamento de trechos de músicas, fragmentos, letras espalhadas e refrãos diversos. Nada muito sério, ao menos até ali, que não fossem dois músicos bebendo e se divertindo.

Hábil na construção das cenas que envolvem a concepção musical - suas melodias, ritmos, composições -, o diretor John Carney, que tem uma longa tradição de filmes com temáticas sonoras, se alonga de forma confortável nesses instantes íntimos, de músicos dedilhando violões, mostrando trechos ou partituras e outros elementos que poderiam passar batido por quem não se liga tanto nesse campo. E é em um desses momentos que Rick mostra um pedacinho de How to Write a Song (Withou You), que tinha potencial para ser um hit e nunca foi, por essas vicissitudes da vida. Meses após, Rick está em um shopping center e tem a impressão de ouvir uma melodia bastante conhecida no rádio e que... parece bastante a música dele mesmo! Divertida e charmosa, a obra acerta por não vilanizar em excesso nenhum dos lados - talvez, assim como Shakira, Danny não tenha feito algo deliberado - não deixando de evidenciar como o desejo por fama pode fazer com que esqueçamos das coisas simples, ou daquilo que realmente importa. E, honestamente, não pensei que fosse concluir a sessão com lágrimas nos olhos. E aconteceu. Mérito de um projeto pequeno, que tem seu valor.

Nota: 7,5 

 

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