terça-feira, 30 de junho de 2026

Novidades em Streaming - Twinless: Um Gêmeo a Menos (Twinless)

De: James Sweeney. Com Dylan O'Brien, James Sweeney, Aisling Franciosi e Chris Perfetti. Comédia / Drama, EUA, 2025, 100 minutos.

Que filme inesperadamente simpático e cheio de carisma esse Twinless: Um Gêmeo a Menos (Twinless), de James Sweeney. Confesso que fui assistir com poucas expectativas - até por um certo cansaço da narrativa de sofrimento queer, que parece fazer barulho com um público restrito ou somente em festivais alternativos, como o de Sundance. Mas aqui temos não apenas uma produção cheia de boas surpresas e reviravoltas - aliás, vale a pena ir meio às cegas -, como uma leve subversão no que diz respeito ao comportamento daqueles que acompanhamos. Tudo começa em um funeral, em que o taciturno Roman (Dylan O'Brien, que está excelente) tenta juntar os cacos após a trágica morte do irmão Rocky, em um acidente automobilístico. Em meio a discussões com a própria mãe Lisa (Lauren Graham) sobre o que fazer com os objetos do irmão, Rocky decide participar de um daqueles grupos de apoio meio constrangedores, que muito vemos nos filmes de Hollywood.

É nesse local que Roman conhecerá Dennis (Sweeney, que também atua), que alega também ter perdido o irmão, com quem não teria muito contato. De forma meio surpreendente, até pela personalidade diametralmente oposta de ambos - Dennis é o gay de perfil mais brincalhão (inclusive em hora errada), ao passo que Roman é o hétero mais introspectivo -, a dupla faz amizade. Meio que se apoiando em tudo - de compras no mercado e jantas aleatórias a idas ao jogo de hóquei no gelo. Em meio a confidências, Roman de ressente de nunca ter sido capaz de conversar sobre os relacionamentos com o irmão falecido. Que teria saído de casa justamente por causa do preconceito familiar - e dele mesmo. Aliás, em uma das tantas cenas bonitas da obra, Roman se emociona ao verbalizar seu sentimento de culpa por nunca ter sido capaz de aceitar a preferência sexual do irmão. Por ter surtado por ele ser gay. Por tê-lo chamado de "veado". "Não sei como continuar aqui sem você", chora copiosamente, amparado por Dennis.

 


[SPOILERS A PARTIR DAQUI] Só que nessa altura do campeonato, o espectador já sabe que Dennis esconde de Roman o maior segredo da história. Não apenas ele havia tido um encontro amoroso e cheio de paixão sexual com Rocky pouco tempo antes do seu falecimento, como ele estava no local na hora em que o acidente ocorreu. Pior do que isso, a sua atitude de confronto em plena rua, no cruzamento de uma avenida, pode ter sido decisiva para o atropelamento - em uma cena de ciúmes de um outro rapaz. Como forma de preservar a amizade, Dennis age quase como um mitômano, dobrando a aposta nas mentiras, em sequências como a do reencontro com o ex que estava na cena do acidente. Ou fingindo crises de ansiedade aleatórias, como nos momentos em que ele passa a se morder de ciúmes da colega de trabalho Marcie (Aisling Franciosi), com quem Roman inicia um relacionamento.

Repleto de belas sequências sobre dor, ciúmes, memórias, luto, segundas chances e recomeços, a obra evolui de forma divertida (e tensa) conforme o tempo passa, com a verdade chegando muito próxima de ser revelada. Inteligente e discreta, Marcie terá papel decisivo no terço final - e confesso que adorei o fato de ela nem de longe ser uma megera esquisita (ela é um doce), ao passo que Dennis também é ótimo como a "bicha má" ressentida, mas charmosamente carismática, que precisa lidar com as próprias frustrações. E mesmo dramático, o filme diverte com boas piadas - como no momento da briga com um grupelho de fedelhos homofóbicos ("achei que a geração Z fosse mais legal") - e um sem fim de instantes afetuosos, inventivos e devastadores. Tecnicamente atenta ao público mais jovem, com edição ágil e trilha sonora de nomes como as Haim, essa é daquelas produções que descem direitinho. Tá na Amazon.

Nota: 8,0

 

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