sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Pitaquinho Musical - Madison Beer (Locket)

Pra alguém tão jovem - apenas 26 anos -, já dá pra dizer que Madison Beer viveu bastante coisa. O que lhe permite ser, sem maiores dificuldades, uma das estrelas pop mais promissoras dessa década. Descoberta por Justin Bieber aos 13 anos após postar uma cover no Twitter, a nova iorquina só lançaria seu primeiro registro em 2021, o respeitável Life Support. Antes disso, ainda na adolescência sofreu com cyberbullying (com vazamento de fotos não autorizadas), passou por decepções com pessoas ligadas à indústria e foi diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline e depressão. E talvez não seja por acaso que, diante desse contexto de vida complexo - que inclui aí um recente e meio traumático término de relacionamento -, as canções do terceiro registro de inéditas, o ótimo Locket, soem tão maduras e tão "adultas", mesmo quando expõem inseguranças e vulnerabilidades.

 


Pra quem acha que pode haver algum exagero, pode começar pela espetacular Bittersweet - que soa como uma coisa meio Taylor Swift no começo dos anos 2000, com sintetizadores suaves, melodia grudenta e letra maravilhosa sobre o processo de encontrar a paz, mesmo em um contexto de mágoas e de altos e baixos de um relacionamento (Agora que acabou, você vai culpar a mim por tudo / Eu sei que eu deveria estar amargurada, mas, meu bem, estou agridoce). Unindo o vintage e o futurista, o retrô e o contemporâneo, Beer consegue soar em alguns momentos quase como uma FKA Twigs de tintas mais pop e dançantes (nas movimentadas Yes Baby e Make You Mine), e em outros como uma Ariana Grande contemplativa (na magnética Bad Enough). Sim, pode parecer apenas mais um disco pop de arrancada de ano. Mas é interessante como ele cresce a cada reencontro. 

Nota: 9,0 

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