Muito se fala de um certo desgaste da Pixar, tanto que filmes como Elio (Elio), que foi um dos indicados ao Oscar na categoria Animação, sequer foram muito comentados. E vamos combinar que a história batida de menino órfão que sonha em ser astronauta - um tipo de trama que parece meio deslocada no tempo -, não ajuda muito. Com a narrativa edificante sobre amadurecimento e superação de dificuldades em um contexto de traumas e perdas familiares, sendo daquelas de arrancar bocejos até das crianças. Com tudo piorando se somada a completa falta de carisma das personagens, a começar pelo protagonista bastante esquecível (um menininho comum que é meio deslumbrado pelo espaço, a ponto de construir uma engenhoca meio que implorando por uma abdução alienígena). O que ele faz deitado na praia, dia após dia, até ser acossado por uma dupla de valentões que mexe em seu rádio amador.
Depois de uma briga e de um olho roxo, Elio (Yonas Kibreab) consegue se infiltrar no local de trabalho de sua tia, Olga (Zoe Saldaña) - responsável por sua guarda -, que, convenientemente, é uma major da Força Aérea que precisa lidar com um teórico da conspiração de sua equipe, que afirma finalmente ter obtido alguma resposta à famosa Missão Voyager - programa da Nasa iniciado nos anos 70. Claro, ninguém acredita na balela do tal Gunther Melmac (Brendan Hunt), mas essa se torna a deixa perfeita para que Elio invada os computadores pra tentar um contato improvisado com os alienígenas, o que gera uma queda de luz que quase custa o emprego de Olga. A solução? Enviar o menino para um acampamento, local em que ele reencontra os valentões. Depois de mais alguns rebus o protagonista é, enfim, abduzido (pra alegria dele), ao mesmo tempo em que Olga recebe estranhas mensagens interplanetárias.
A segunda parte da história também tem aquela carinha de mais do mesmo, mas em tempos tão brutos como os que vivemos - de avanço da extrema direita e de políticas de ataque à minorias (especialmente os imigrantes) -, não deixa de ser interessante uma narrativa que lembra a importância de unir forças diante de um mal maior. Quando finalmente chega ao seu destino, Elio é recebido em um local conhecido como Comuniverso, onde alienígenas das mais variadas partes do mundo compartilham seus saberes (um local pautado pela generosidade e pelo pensar coletivo). Bom, isso até a chegada de um certo Lorde Grigon (Brad Garrett), uma espécie de senhor da guerra do planeta Hylurg que, rejeitado anteriormente pelo Comuniverso, pretende tomar o local a força. Promovendo uma guerra e escravizando o povo dali. Isso até a entrada de Elio na história, que pretende ser nomeado embaixador da Terra, após negociar com Grigon.
Em linhas gerais dá pra se dizer que, ok, é um filme que não doi. Ele avança meio que naquela lógica do enfrentamento a um vilão em que a ajuda mútua será fundamental - com esses ideais sendo reforçados no momento em que Elio conhece Glordon (Remy Edgelry), uma espécie de minhoca amistosa e repulsiva, com quem o pequeno faz amizade justamente quando tenta fugir da prisão perpetrada pelo grande vilão. Glordon é o filho de Grigon e passa a ser moeda de troca para o monstrengo deixe o Comuniverso em paz. Ao mesmo tempo, a carismática Ooooo (Shirley Henderson), um supercomputador gelatinoso e líquido e talvez a única figura realmente marcante, envia para a Terra um clone de Elio, para que Olga não se preocupe. E, claro, muita coisa dá errada no meio do caminho até que as peças se encaixem, as amizades se fortaleçam e a redenção de todos ocorra. Se isso ainda tem algum valor em 2026 é difícil saber já que pouca gente deu bola pra animação, que tá disponível na Disney+.
Nota: 6,0

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