Vamos combinar que o The Cribs é aquele tipo de banda que dificilmente erra e, em seu nono registro de estúdio, Selling a Vibe, o trio formado pelos irmãos Gary, Ryan e Ross Jarman reafirma uma de suas maiores virtudes: a capacidade de envelhecer com dignidade sem abrir mão da identidade. A banda continua fiel ao seu DNA indie, com algumas pinceladas de power pop e pós punk, mas agora soando menos impulsiva e mais consciente de cada escolha. Mais ou menos como se tivesse trocado a urgência juvenil do trabalho anterior, o frenético Night Network (2020), um dos nossos favoritos daquele ano, por um refinamento emocional - o que vá lá, certamente tem a ver com a maturidade de quem já está há mais de 20 anos na estrada. Em resumo, as guitarras seguem lá, mas aparecem menos nervosas, abrindo espaço para melodias que respiram e crescem com o tempo.
Esse novo momento fica evidente em canções como a faixa-título, Never The Same e Self Respect, que apostam em arranjos mais contidos e em um lirismo direto, quase confessional. Expediente que se repete em outras canções majestosas, como na ótima Distractions, que parece unir Beach House e Weezer em uma letra sobre a busca de significado nas coisas simples, e uma certa inconformidade que emerge do sentimento de vazio na rotina (Nestes dias de excesso / As histórias mais curtas são as mais doces / Agora as coisas que me fizeram distrair / Podem distrair alguém novo). Não é um disco que busca impacto imediato, mas sim permanência - daqueles que vão se revelando aos poucos, sem alarde. Ao cabo, Selling a Vibe mostra um The Cribs confortável com sua trajetória, seguro o bastante para desacelerar e, justamente por isso, continuar acertando.
Nota: 8,5

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