Vamos combinar que existem certas bandas que nunca alcançaram um público maior, ainda que tenham uma discografia que, em nada, as desabone. E nessa seara, talvez um dos melhores representantes sejam os escoceses do Trashcan Sinatras que, recentemente, lançaram seu sétimo disco na carreira - o ótimo Ever The Optimist. Com aquela pegada indie ensolarada ao estilo dos conterrâneos do Teenage Fanclub, o grupo sempre foi marcado pelas letras existencialistas, que colidem a perfeição com as melodias primaveris típicas do jangle pop e com os refrãos pegajosos - vide clássicos passados como Obscurity Knocks, do álbum Cake (1990) ou Best Days on Earth, do anterior Wild Pendulum (2016). E tudo isso em um contexto marcado por dificuldades financeiras no transcorrer da carreira e até a morte ainda recente do vocalista e guitarrista John Douglas, pouco depois da chegada do último álbum.
Da abertura com a faixa título à Beatles numa mistura com o Blur, à conclusão com a premonitória Learning to Love Your Ghost, tem-se aqui um registro polido e de brilho particular, que nem parece de um coletivo que está prestes a completar quarenta anos de carreira - e que possui um tempo próprio, bastante particular, de vida simplesmente acontecendo. Em antigas entrevistas, o vocalista Francis Reader chegou a brincar sobre as vantagens do processo de espera e dos longos hiatos entre um trabalho e outro. "Uma delas é que nos impede de lançar álbuns horríveis", afirmou. Com título quase autoexplicativo a baladona Hold On Today, que parece saída de um disco do Girls, tem letra paradoxal e contemplativa sobre evitarmos domar o futuro, nos centrando no presente. Mas há outros destaques, como na dobradinha Bad Husband, que conta com a participação de Tracyanne Campbell, do Camera Obscura, e, especialmente, The Bitter End, séria candidata a uma das músicas do ano. Vale o play.
Nota: 8,5
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