terça-feira, 15 de setembro de 2026

Novidades em Streaming - Mayday (Mayday)

De: John Francis Daley e Jonathan Goldstein. Com Ryan Reynolds, Kenneth Branagh, Marcin Dorocinski e Maria Bakalova. Ação / Comédia, EUA, 2026, 111 minutos.

Antes de falar qualquer coisa mais aprofundada sobre Mayday (Mayday) é preciso reconhecer que, no fundo, talvez essa seja apenas uma homenagem a um dos filmes mais gays da história - no caso, o "clássico" Ases Indomáveis (1986), que completa 40 anos de lançamento neste 2026. E, nesse sentido, por que não reviver o clima bélico da Guerra Fria e das disputas oitentistas entre Estados Unidos e União Soviética que marcaram aqueles anos, com uma produção de ação divertida, eventualmente exagerada, e que faz a crítica que nunca ofende ninguém a respeito do absurdo dos conflitos? Sim, falar em Reagan e Gorbachev pode parecer algo meio anacrônico em uma observação meio direta, mas o caso é que as motivações por trás das disputas entre grandes potências meio que nunca se alteraram, com a hegemonia econômica, tecnológica e geográfica estando no centro. Aliás, com a aposta até sendo dobrada quando pensamos em Trump e, vá lá, Putin.

E, bom, como não são todos os filmes que necessariamente precisam ser vastos panfletos políticos com pano de fundo social, na obra dos diretores John Francis Daley e Jonathan Goldstein que, admito, nunca nem tinha ouvido falar, temos uma boa comédia de ação sobre um tenente da Marinha de nome Troy Kelly (Ryan Reynolds, afinal, não sei se alguém conseguiria ter uma cara mais estadunidense, até de uma forma meio tapada, do que ele), que é designado para uma missão de reconhecimento sobre a Rússia. Prestígio que ele conquista após salvar um colega de esquadrão em uma manobra milagrosa durante um treinamento - o que já é um aceno ao estilo Top Gun, com direito a exageradíssima Jump, do Van Halen, na trilha sonora. Em solo russo, a missão dá errada, seu companheiro de caça é morto e ele precisa, em um movimento desesperado, se ejetar. Sendo salvo, em pleno deserto nevado dos recantos siberianos pelo excêntrico Nikolai "Nick" Ustinov (Kenneth Branagh), um ex-oficial da KGB.

 


Só que o que poderia ser trágico para Troy (ser localizado por um militar soviético), se torna realmente a sua salvação, quando ele percebe que Nick não apenas abomina tudo que envolva o governo opressivo de Gorbachev, como ainda é um adorador da cultura americana - com direito a cartazes na parede de sua cabana com inscrições de I love New York e do elenco de Ases Indomáveis (fita VHS que ele preserva, secretamente, e que admite já ter assistido a mais de uma centena de vezes), além do sonho molhado de poder se empanturrar de Mc Donald's. Nick está falando a verdade? Está mentindo? É um impostor? Não tendo com quem contar em solo inimigo, Troy aceita a ajuda desse sujeito cheio de habilidades militares, que lhe salvará dezenas de vezes em um sem fim de sequências engraçadíssimas de lutas - como na cena do bar -, com fugas engenhosas, como na do trem, e outros estratagemas diversos, sendo um dos mais aleatoriamente cômicos o que envolve o encontro com sua filha Anna (Maria Bakalova).

Rodando pela Rússia rural em busca de um equipamento telefônico que permita driblar a vigilância e contatar a embaixada dos Estados Unidos, a dupla embarca em um road movie inesperado, onde Troy conhecerá a hospitalidade dos habitantes alheios às tensões políticas daqueles tempos, recebendo-os em suas casas de forma amistosa e sem julgamentos. Líder da KGB, Alexander Volkov (Marcin Dorocinski) empreenderá as buscas pelo americano capturado, o que envolverá boas surpresas pelo caminho, reviravoltas interessantes e uma série de instantes de humor involuntário - como na cena do esconderijo tanto no tonel de bebida como no armário, ou outra que envolve um enorme aparato fálico que, nada mais é do que uma alegoria para essas nações e seus líderes torpes, que só conseguem medir forças comparando o tamanho dos armamentos (que talvez compensem outras faltas). Carismático e até meio bobo em muitas vezes, esse é aquela projeto ideal pra quem quer passar o tempo sem pensar muito - ainda que, aqui e ali, haja um ensaio para uma crítica a respeito do absurdo do belicismo e de toda a dor gerada por essa indústria, lembrada também na pequena participação de David Morse, como o pai de Troy. Tá disponível na plataforma da Apple TV.

Nota: 7,0 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário