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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cinemúsica - Star Wars

FALTA UMA SEMANA! Sim, o nosso "nerdômetro" pode até não ser tão apurado quando o de outros sites e blogues - até mesmo pela nossa estrutura enxutíssima -, mas sim, também estamos contando os dias para o lançamento de Star Wars: O Despertar da Força, que ocorre na próxima quinta-feira (17/12). E como forma de ir entrando no clima, resolvemos falar um pouco da trilha sonora do filme, sempre grandiloquente, épica e totalmente de acordo com aquele universo que tanto nos acostumamos a ver nas telas desde o final dos anos 70. Na verdade a ideia aqui não é relembrar todos os temas criados pelo mestre John Williams para os seis filmes já lançados - são mais de 150 movimentos em todos os eles -, mas sim falar daquela música que esta no coração de todo o que qualquer fã de cultura pop: a famosa canção título. Ou simplesmente Main Title, na língua do Tio Sam.



É muito provável o fato de que, tão inesquecível quanto essa verdadeira obra-prima do cinema moderno - concebida por George Lucas -, seja também as suas retumbantes composições recheadas de sopros, metais, cordas e andamentos capazes de nos transportar imediatamente para o mundo em que vivem jedis, siths, o Mestre Yoda, Darth Vader, Luke Skywalker, sabres de luz, Han Solo, Obi-Wan Kenobi, Millenium Falcon, R2D2 e C3PO. E até mesmo Jar Jar Binks - que os fãs adoram odiar! A música título é aquela que sempre aparece durante o famoso letreiro inicial. E, em muitos casos, nos momentos de maior suspense e tensão dos filmes ou mesmo nos créditos finais. Tãn nãn, tãnãnãnããããnãm tãnãnãnããããnãm tãnãnãnã. Sim, todo mundo sabe cantar junto. Suspira sempre que a escuta. Se ajeita no sofá, pois sabe que um universo a parte de tudo aquilo que até hoje já foi concebido em termos de fantasia cinematográfica está para adentrar em nossas casas (e almas). Se essas palavras forem exageradas, me digam!



Do alto dos meus 34 anos, sempre que assisto novamente os filmes da série - estou fazendo isto, calmamente, nesta última semana antes da estreia do sétimo episódio - eu tenho uma certa nostalgia. Essas obras me fazem lembrar como, em algum lugar muito distante (talvez numa galáxia muito distante), eu aprendi a gostar de cinema. Em algum recanto da minha memória me enxergo sentado no sofá, a noite - com as luzes todas desligadas - assistindo talvez  a O Império Contra Ataca (famoso Episódio V) em um desses programas tipo Tela Quente. Sim, porque esse filme com todas as suas explosões, luzes, planetas e personagens característicos passava, sabe-se lá, por quê, de noite. Enfim, ao menos é o que eu me lembro. E me lembro da música título. E dos letreiros iniciais. E dos Ewoks, claro - já que era criança de seis anos em 1987.

John Williams ganhou até Oscar pelo trabalho realizado em Star Wars - no caso, pelo primeiro episódio, intitulado Uma Nova Esperança, lançado em 1977. E este talvez seja o último episódio com o envolvimento do compositor, já que ele não estará presente em Rogue Nation, que chegará no final de 2016. Mudanças acontecem, ainda mais quando o assunto é uma série que teve início há quase 40 anos. O diretor dos novos episódios, por exemplo, será J. J. Abrams - que já tem seu nome consolidado dentro da cultura pop por trabalhos em Lost e Star Trek. Só o que não mudará, eternamente, é a paixão do público pelos elementos que compõem essa tão fantasiosa saga. Muitos a descobrirão apenas agora. Comprarão games, livros, quadrinhos, bonecos e objetos relativos aos filmes. E cantarão, nem que seja mentalmente, a trilha que marcou uma geração inteira e que, agora, aguarda o lançamento desse novo universo. Que a força siga com todos nós!


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Disco da Semana - Wilco (Star Wars)

O Wilco, não se pode negar, parece ser uma banda atenta àquilo que determinam as novas ferramentas tecnológicas, as redes sociais ou mesmo os formatos modernos de se consumir música. Ao menos foi essa a impressão que o lançamento de Star Wars, nono registro de inéditas dos americanos, deixou. Pra começar, o álbum foi disponibilizado no último mês de julho sem muito alarde, da noite para o dia, no site dos caras. Estando, logo depois, também apto a ser apreciado em plataformas de streaming, como Deezer e Spotify. Nada de videoclipe de divulgação, de single para apresentação prévia do novo trabalho, de anúncio de data de lançamento, de título, de nome do disco ou mesmo de ordem de colocação das faixas. Nenhuma imagem. Nada. Um disquinho novo na praça, sem blablablá.

Depois, o grupo ainda se prestou a chamar o registro de Star Wars, evidentemente uma clara galhofa relativa a ansiedade nerd que ronda o lançamento do sétimo filme da série comandada por George Lucas, e que deve dar as caras por aqui no mês de dezembro. De quebra, a capa ainda conta com uma imagem de um gatinho branco dos mais peludos. Quem nunca encontrou em sua timeline do Facebook algum vídeo ou foto engraçadinha dos felinos, sem muito esforço? Pois é, como já disse antes, é muito provável que haja aí uma uma dose de brincadeira (e de ironia, claro) em todo esse referencial proposto por Jeff Tweedy e companhia. E o que dizer do tempo de duração do disco, que não ultrapassa os 34 minutos? Só o duplo (e clássico) Being There, de 1996, possuía quase 1h20. Mas quem tem tempo de ouvir um álbum dessa envergadura nos dias de hoje?


Proposital ou não, atento ou não a toda a velocidade com que a rede e as pessoas navegam e consomem tudo o que está ao seu redor nos dias de hoje, é preciso que se diga que apenas um detalhe não mudou em relação ao sexteto de Chicago: a qualidade sonora. Se, no início da carreira, discos como AM (1995) e, mais especificamente, o próprio Being There seriam fundamentais para o fortalecimento do estilo que ficaria conhecido como Alt Country - e que já vinha sendo propagado no passado por veteranos como Neil Young, The Byrds e Big Star - atualmente, o Wilco parece ampliar o seu arcabouço de referências, se aproximando de grupos oitentistas como Echo and the Bunnymen, Pixies (já viu mais Pixies do que o fechamento com Magnetized?) e REM. Parte desse caminho levemente modificado, já pôde ser percebido em trabalhos anteriores, caso por exemplo, do irregular A Ghost Is Born (2004).

O mais curioso é perceber que, justamente aquilo que talvez pudesse soar como um movimento desastroso e retrógrado, é o que se apresenta como uma guinada importante da banda em direção a uma sonoridade ainda mais moderna, complexa e completa do que aquela feita anteriormente. Evidentemente que Star Wars não é um disco melhor do que o clássico e irretocável Yankee Hotel Foxtrot (2001), por exemplo. Mas chega muito perto ao se apresentar como um registro honesto, de qualidade instrumental e vocal e que nos coloca diante de uma banda em grande forma. Não à toa, a energia vibrante exibida nas dinâmicas More..., Random Name Generator e The Joke Explained, nos faz ter a impressão de estarmos diante de um grupo ainda em início de carreira e não ouvindo sujeitos que se aproximam dos 50 anos, com passo desacelerado e sem apresentar o mesmo vigor de antes. Talvez hoje ninguém ouça álbuns de 1h20. Mas prepare-se pra escutar Star Wars no repeat uma, duas, sete vezes. Vale muito a pena.

Nota: 8,0