Vamos combinar que o mundo tá muito no erro quando uma banda bacana como o The XCERTS é simplesmente ignorada por tanto tempo. Bom, na lista de melhores discos de 2026 que você não ouviu, i think i want to gome home now (com minúsculas mesmo), o sexto registro de inéditas dos escoceses, tem lugar cativo. Com uma mistura saborosa de power pop e indie rock, com pitadas de noise e punk, o grupo faz música direta e sem firulas, que jamais soa apenas derivativa ou sem personalidade. Há ali uma urgência, um vigor que a gente quase esquece ser possível nos tempos atuais, em que gêneros musicais parecem tão mesclados (e que bom) e sem uma linha de divisão mais clara. Sim, sim, sim, não vai reinventar a roda e todos nós já ouvimos esse tipo de música melodiosa, que parece meio afogada em dor com seus vocais gritados e refrãos grudentos mas, verdade seja dita, é sempre bom ver a coisa bem feita já que, convenhamos, quem ganha é quem dá o play.
Repleto de letras existenciais e divagações contemplativas que, na real, sempre foram a marca registrada da banda - especialmente em discos de melodias mais atmosféricas, como no caso do ótimo Hold on to Your Heart (2018), que parece extraído da mesma fileira do The War On Drugs -, o álbum tem uma certa catarse em seu DNA. O que pode ser percebido, por exemplo, na desconfortável e pegajosa do it to myself, com sua letra urgente e vulnerável sobre admitir o sentimento de fragilidade (Quero saltar dentro do teu coração / Então eu posso desmoronar com segurança). Já a enérgica pretty ugly é naturalmente pesada, o que pode ser percebido para além da sonoridade, com seus versos sobres traumas familiares, decorrentes do diagnóstico de câncer do pai do vocalista Murray Macleod. Em linhas gerais, talvez esse seja um trabalho que não alcança o brilhantismo do inexplicavelmente esnobado There Is Only You (2014), que conta com as assombrosas Shaking in the Water e Teenage Lust. Mas chega perto.
Nota: 8,0

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