De: Julia Hart. Com Sunny Sandler, Melanie Lynskey, Max Greenfield e Jack Champion. Comédia / Drama, EUA, 2026, 95 minutos.
Preciso admitir que gosto demais quando vou assistir a um filme em que não estou dando absolutamente nada e saio surpreendido positivamente - o que é justamente o caso do carismático e comovente Não Deseje Boa Sorte (Don't Say Good Luck), uma das novidades da última semana na Netflix. Sem reinventar a roda, a diretora Julia Hart constroi uma fábula de amadurecimento, perda e superação que emociona sem forçação, ao nos fazer acompanhar a jornada de uma jovem de 17 anos - seu nome é Sophie (Sunny Sandler, filha de Adam e Jackie Sandler, que produzem a obra) -, que sonha com o papel principal em uma peça de teatro musical de Ensino Médio que reencena A Garçonete, ao mesmo tempo em que precisa lidar com o fato de a mãe, Elizabeth (a sempre ótima Melanie Lynskey), padecer de um câncer terminal.
Sim, é o típico drama hollywodiano em que dois eventos concomitantes e diametralmente opostos colidem, com os personagens tendo de tomar decisões difíceis a partir deles. Só que o que poderia ser apenas uma encenação vazia a respeito de empatia, luto e força de vontade para seguir em frente, aqui ganha tintas menos pesarosas, com a adição de alguns instantes de humor - Lynskey, aliás, sempre foi ótima nisso -, e com algumas soluções de roteiro inesperadamente engenhosas. Uma delas, por exemplo, sendo o fato de o pai de Sophie, o esforçado Ted (Max Greenfield) ser um atrapalhado integrante da Geração X, que tem sérias dificuldades com o seu aparelho celular. O que faz com que ele ligue sem querer para seus familiares (aquilo que o idoso faz quando esquece o telefone desbloqueado no bolso).
É num desses telefonemas ao acaso, que Sophie descobre, bem no momento em que subiria ao palco para a sua audição, que sua mãe é diagnosticada com a volta da doença (que parecia já estar sendo tratada), de forma agressiva. Só que o que poderia desequilibrar a protagonista na disputa pelo papel principal, se converte justamente no combustível: com uma atuação impecável, ela é selecionada para viver a protagonista Jenna, após impressionar a diretora de elenco Ms. Parker (Stephanie Beatriz, a eterna Rosa Diaz de Brooklyn Nine-Nine, uma das tantas participações especiais no projeto, sendo as outras as de Steve Buscemi e Bebe Neuwirth, como os avós impertinentes de Sophie, e do comediante Jon Lovitz, o confeiteiro principal na delicatessen tocada por Ted). E, bom, temos um filme de corrida contra o relógio, já que a trágica notícia é a de que Elizabeth tem poucos meses de vida. E será que ela terá tempo de assistir ao desempenho da filha na peça?
Tentando poupar a jovem das notícias mais trágicas, Elizabeth opta por esconder a gravidade da coisa toda. Sim, ela sabe que é câncer e que é sério. Mas não tem conhecimento de que há um prazo. Todo esse caos a atrapalha em suas sessões de atuação, o que a deixa bastante insegura - situação reforçada por seu par central de elenco ser justamente o jovem Jack (Jack Champion), por quem nutre uma paixonite adolescente. A situação fica tão séria conforme a trama avança, que até a amizade com a melhor amiga Carolyn (Scarlett Estevez) é abalada. Afetuosa e emocionante, a produção ainda evidencia o fato de as pessoas terem dificuldade em reagir diante de uma pessoa que sofre de uma grave doença. E, por muito pouco, a obra não converte um instante ao som de Firework, de Katy Perry, em um dos mais tocantes do ano. Mas às vezes a gente esquece que, além de drama, esse filme também é uma comédia. Para o bem ou para o mal.
Nota: 7,5

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