terça-feira, 5 de maio de 2026

Pitaquinho Musical - Grace Ives (Girlfriend)

Vamos combinar que, em alguma medida, talvez o disco anterior de Grace Ives, Janky Star (2022), fosse um pouco mais hermético, com tintas mais experimentais. O que talvez pudesse afastar aquele ouvinte mais ocasional. Digamos que o "problema" foi solucionado com Girlfriend, o recente terceiro trabalho de estúdio, que parece uma experiência mais solta, mais direta. E sem abrir mão do bedroom pop sofisticado e lo-fi, mas com algumas doses da eletrônica minimalista, que costumam caracterizar seu som. Mais convidativa, após um período meio conturbado de uso de substâncias (nas entrevistas, ela não deixa claras quais), a artista nova-iorquina abre espaço para melodias cantaroláveis e mais emocionalmente abertas. É o caso da imediatamente grudenta Fire 2, que equilibra com perfeição os arranjos bem polidos, com as letras metafóricas sobre esgotamento e vulnerabilidade.  

 


Aliás, curioso pensar como a radiofônica e calorosa Lullaby, que encerrava o registro anterior, já parecia apontar para esse novo direcionamento. Proposital ou não, Grace Ives está mais palatável. Ela saiu do fundo poço, daquela sensação de teias de aranha pelo caminho. Como comprovam as refrescantes My Mans, Dance With Me e Stupid Bitches. Não que não haja espaço para algum estranhamento, afinal, essa meio que sempre foi uma das características da cantora - aquela coisa de quebra, de imprevisibilidade. Mas mesmo em canções como a onírica Now I'm, que abre o álbum, parece haver espaço para algum tipo de conforto, de espontaneidade. Claro que, mesmo assim, o disco nunca percorre um caminho óbvio, havendo espaço para a eletrônica mais contagiante, como em Avalanche ou para a contemplação, como em Drink Up.

Nota: 8,5 

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