quinta-feira, 5 de março de 2026

Curta Um Curta - O Diabo Não Tem Descanso (The Devil Is Busy)

De: Geeta Gandbhir e Christalyn Hampton. Documentário, EUA, 2024, 31 minutos.

"Nunca pensei que eu teria mais direitos há 25 anos do que a minha filha tem agora". A frase dita por uma das personagens do curta documental O Diabo Não Tem Descanso (The Devil Is Busy) - que está disponível na HBO Max e que é um dos indicados ao Oscar em sua categoria -, pode até chocar, mas nunca surpreender. Estamos, afinal, falando de aborto em um País (os Estados Unidos), a cada dia mais reacionário ou avesso a qualquer medida de avanço civilizatório. O que só piora com governos como o de Donald Trump - ocupadíssimo com a guerra, qualquer que seja, enquanto a população padece. Na trama acompanhamos a rotina de Tracii, a chefe de segurança de uma clínica feminina de Atlanta que, frente a uma série de restrições resultantes de medidas retrógradas votadas pelo Congresso, precisa lidar ainda com um grupo de doidinhos de bairro que protestam em frente ao local (normalmente aquele tipo de desocupado que se considera moralmente superior, mesmo sendo uma das piores pessoas possíveis para a sociedade).

 


Em um período de um dia, o curta dirigido por Geeta Gandbhir e Christalyn Hampton - aliás, Geeta também é o nome por trás do excelente documentário A Vizinha Perfeita (2025), um dos favoritos em sua categoria para o Oscar -, acompanha o dia a dia de Tracii, desde a recepção de pacientes (que, em muitos casos, chegam ao local escondidas ou envergonhadas), lhe possibilitando o acesso a serviços médicos, exames de rotina e cuidados preventivos. Os abortos em si, a causa de toda a polêmica que emerge do cidadão de bem que acha que as decisões políticas do País devem ser feitas com a Bíblia debaixo do braço, só podem ser realizados até o limite de seis semanas de gestação - momento em que muitas das jovens sequer percebem que estão grávidas. Do receio das profissionais em serem presas por realizarem seu ofício, passando por discussões sobre os limites da autonomia da mulher em uma sociedade em que homens engravatados em gabinetes tomam as decisões, a obra propõe a reflexão em um cenário de retrocessos.

 

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