De: Chris Appelhans e Maggie Kang. Com Arden Cho, May Hong, Ji-young Yoo, Ahn Hyo-seop e Lee Byung-hun. Comédia / Fantasia / Musical, EUA / Canadá, 2025, 95 minutos.
Vamos combinar que não é difícil compreender a verdadeira comoção gerada por Guerreiras do K-Pop (KPop Demon Hunters), obra disponível na Netflix e que está indicada ao Oscar 2026 na categoria Animação. Primeiro de tudo que é um filme esteticamente lindo. Depois tem as personagens cheios de carisma e extremamente bem desenhadas - com personalidades distintas. Aí entra o senso de humor e as ótimas piadas, que se intercalam com algumas das melhores canções pop da última temporada. É tudo tão legal que a gente até meio que ignora a historinha lugar-comum sobre autoaceitação e respeito às diferenças - algo que se tornou meio que um padrão no gênero - mas que, ainda assim, é super bem construída, trazendo o tema com leveza. Os adolescentes certamente adoram. E a geração 30+ inevitavelmente se divertirá, principalmente pelo fato de alguns dos vilões serem integrantes de uma boy band antiquada, que certamente faria sucesso na segunda metade dos anos 90.
Ah, e vale comentar uma coisa que me preocupou desnecessariamente, antes de conferir o filme dirigido pela dupla Chris Appelhans e Maggie Kang: não é necessário ser um grande fã de KPop para apreciar a produção, já que, música pop de qualidade é música pop de qualidade em qualquer parte do globo. Bom, a trama não poderia ser mais graciosa, por mais que envolva uma espécie de maldição em que demônios atacam vítimas humanas, para levar suas almas que servirão de alimento a um líder macabro - seu nome é Gwi-ma (Lee Byung-hun) e ele se assemelha a uma grande fogueira de tonalidades preta e violeta (a cor costuma ter associação com a morte). A forma de barrar essa entidade macabra envolve simplesmente a música. O canto. Algo que, através dos tempos uniria a população, criando uma espécie de barreira protetora dourada, chamada de Honmoon. Capaz de isolar o mundo que vivemos, da dimensão sombria.
É é aí que entra o nosso trio de heroínas integrantes do grupo Huntrix, sendo elas Rumi (Arden Cho), que vem de uma verdadeira dinastia de cantoras, Zooey (Ji-young Yoo), habilidosa rapper e letrista e Mira (May Hong), espécie de ovelha negra da família, que é iconoclasta a ponto de ter usado um saco de dormir na mais recente edição do Met Gala (em mais um aceno ao público adulto). São elas que seguem uma linhagem de jovens cantoras que, anos a fio, mantém o Gwi-ma nos submundos, não sendo capaz de levar seu plano maldito a cabo. Bom, ao menos até agora e dois são os motivos principais que complicarão as coisas: o primeiro é o fato de Rumi não apenas ter um segredo de infância que pode colocar tudo a perder, mas também ver a sua voz falhar justamente alguns dias antes da decisiva apresentação no Idol Awards (sendo a vitória fundamental para a consolidação do Honmoon). Já o segundo é que Gwi-ma resolve dar uma cartada um tanto ousada: criar no submundo uma boy band, seu nome é Saja Boys, que possa atrair a atenção dos fãs - e de suas almas, que lhe servirão de alimento.
E é muito bonito e engraçado ver como tudo se desenrola, principalmente quando entra em cena o enigmático Jinu (Ahn Hyo-seop), o líder dos Saja que estabelece uma relação muito próxima de Rumi. Jinu também preserva um dolorido segredo do passado, que fez com que ele abandonasse a família para se aproximar de Gwi-ma, sob a promessa de uma vida melhor através da música. Algo que nunca se consolida para além dos planos maquiavélicos do tal ser - e é absurdamente lindo ver as trocas entre esse casal central, que se aproxima e se afasta de acordo com os ventos da narrativa e que, todo o mundo já sabe, precisará unir forças para que o mal maior seja confrontado. Que músicas como Golden, Free (a minha preferida), What Ir Sounds Like, How It's Done e, inclusive Soda Pop (dos Saja) sejam tão monumentais, grudentas e performáticas, ajudando ainda a narrativa a andar, com suas letras cheias de significados, metáforas e ambiguidades, é só a cereja do bolo. É um filme pra todo mundo e acho difícil que alguma animação mereça mais o Oscar.

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